sábado, 30 de Agosto de 2014 06:42h

Grêmio identifica torcedores e exclui dois sócios após ofensas a Aranha

Entre os identificados está a jovem de 22 anos que foi flagrada pelo canal ESPN gritando "macaco" em direção ao goleiro do Santos

O Grêmio já tomou as providências para penalizar os responsáveis pelas injúrias raciais proferidas ao goleiro Aranha, na derrota por 2 a 0 para o Santos, na Arena, na quinta-feira. Um dia após a partida, o clube já identificou dez torcedores envolvidos em qualquer tipo de problema na partida. Desse total, pelo menos cinco cometeram injúrias raciais. Dois deles, que eram sócios do clube, foram suspensos e serão excluídos do quadro social.
Os demais também foram proibidos de frequentar a Arena. Segundo o vice-presidente gremista, Nestor Hein, o Tricolor irá providenciar as imagens da partida e encaminhar à Polícia Civil, que irá investigar o caso. O clube não revelou os nomes dos torcedores identificados.
Entre os torcedores afastados está a jovem de 22 anos que foi flagrada pelo canal ESPN gritando "macaco" em direção ao goleiro do Santos. Ela é um dos dois sócios que serão excluídos e foi afastada do trabalho no Centro Médico e Odontológico da Brigada Militar. Patrícia Moreira era funcionária de uma empresa terceirizada e prestava serviços de auxiliar de odontologia na clínica da Polícia Militar gaúcha. As imagens da torcedora ofendendo o goleiro santista começaram a circular pelas redes sociais logo após a partida.
“Das pessoas envolvidas, duas já foram identificadas. São sócias do Grêmio, mas já foi pedido o cancelamento das matrículas e a proibição de frequentar a Arena do Grêmio. As demais pessoas a gente não sabe qual o teor das palavras. Estamos levantando, com as câmeras, para identificar todos os torcedores. Estamos providenciando imagens para encaminhar à Polícia Civil. Estamos agindo em duas frentes, auxiliando as autoridades e tomando medidas internas”, disse Nestor.
Na manhã desta sexta-feira, o procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça relatou que o clube será denunciado pelo incidente. Assim, o dirigente fez questão de reiterar que o ato isolado não representa a postura dos milhões de torcedores gremistas.
“Em um jogo com mais de 30 mil pessoas não pode acontecer de cinco ou seis pessoas fazerem isso. Estamos tomando as providências para que as 30 mil pessoas não sejam punidas. Sejam apenas essas seis, que nos envergonham. Mancham a imagem do Grêmio. Elas não podem fazer que a nação gremista pague por essa falta de sensibilidade. Vem sempre do mesmo lugar, das mesmas pessoas. Hoje [sexta-feira] é um dia terrível. Mais do que a dor da derrota, ver o Grêmio envolvido em uma situação como essa. A gente participa de campanhas contra o racismo. Temos o Lupicínio Rodriguez, que compôs o hino e somos o único clube que homenageia um negro, o ex-lateral Everaldo, em nossa bandeira”, afirmou Hein.
O ato de racismo partiu da arquibancada posicionada atrás da meta defendida pelo goleiro. Na saída de campo, Aranha reclamou das ofensas que ouviu no fim do jogo. Cobrou providências das autoridades, mas não confirmou se tomaria alguma atitude. Inicialmente, manifestou decisão de não fazer o Boletim de Ocorrência após a partida, mas acabou registrando o corrido nesta sexta. “Quando gritaram ‘preto fedido’ e ‘cambada de preto’, eu tentei aguentar. Mas quando começou o corinho fazendo barulhos de macaco, eu não agüentei”, afirmou Aranha após a partida.

 

 

 

 

Fonte: globoesporte.com

Crédito: Reprodução/ESPN

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.