terça-feira, 12 de Janeiro de 2016 10:31h Atualizado em 12 de Janeiro de 2016 às 10:34h. Agência Brasil

Jogadoras de basquete levam espírito olímpico a jovens de comunidade do Rio

Crianças e adolescentes que fazem parte do projeto Basquete Cruzada tiveram hoje (12) oportunidade de interagir com 12 jogadoras convocadas para o evento-teste de basquete, previsto para o período de 15 a 17 deste mês,no Parque Olímpico da Barra da Tijuca

Realizada em parceria com a Confederação Brasileira de Basquete (CBB) e o Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016, a ação buscou aproximar ainda mais o público do espírito olímpico, promovendo maior interação com o esporte.

O público teve ainda chance de ganhar ingressos para o evento-teste, aberto somente para convidados. Érika de Souza, Iziane Castro Marques e Clarissa Cristina dos Santos estavam entre as jogadoras que participaram da atividade com os jovens, na faixa de 10 a 18 anos. Entre as atividades realizadas estão incluídas o torneio de arremessos, disputa entre equipes, fundamentos e técnicas do esporte, além de muitas brincadeiras entre as crianças e as atletas.

O técnico da seleção feminina de basquete, Antônio Carlos Barbosa, destacou o aspecto social que a visita das atletas traz para a comunidade da Cruzada de São Sebastião. Para Barbosa, reforçar ações com esse viés representanm uma espécie de “alavanca para o sucesso”.

De acordo com Barbosa, a interação entre os jovens da comunidade e as atletas faz um misto da questão social com a questão esportiva. "E juntar dois temas importantes como esses é a receita para o sucesso. Quando investimos no social, que por sua vez alavanca o aspecto esportivo, fazemos com que tudo isso tenha a ver com a Olimpíada e justifique a nossa presença aqui.”

Segundo o técnico, as jogadoras da seleção servem de exemplo para as crianças e adolescentes do Basquete Cruzada, já que algumas das atletas também saíram de comunidades carentes e de projetos esportivos.

Ele disse que ficou feliz com a oportunidade de contar essas histórias para eles. "Temos atletas cariocas oriundas de projetos sociais e esportivos, de comunidades carentes, assim como todos aqui. Uma começou no Grajaú, outra na Vila Olímpica da Mangueira, no Fluminense, em Campo Grande etc. Ainda assim, chegaram aonde estão atualmente, atuando em alta performance, jogando fora do país como é o caso da Érika, que chegou a jogar a WNBA [liga americana de basquete feminino] e de muitas outras. Isso serve para gerar nesses jovens a vontade de trilhar o mesmo caminho.”

Segundo Érika, pivô da seleção brasileira feminina de basquete, foi gratificante ver o brilho nos olhos das crianças presentes ao evento, já que isso traz à memória o começo dela mesma no esporte.

“Eu fico muito feliz de poder passar um pouco da minha experiência para eles, mesmo que seja jogando ou apenas dando risada, trocando uma ideia. É sempre gratificante. Chegar aonde chegamos, o fato de estarmos vestindo a camisa da seleção brasileira, exemplifica psra essas crianças e adolescentes que vale a pena lutar por aquilo que sonhamos. É só querer e persistir.”

Também pivô da seleção, Clarissa Cristina dos Santos, começou a praticar esportes aos 13 anos no Complexo Esportivo Miécimo da Silva, em Campo Grande, zona oeste do Rio. Um dia, como a quadra de basquete era ao lado do campo de atletismo, onde ela praticava lançamento de disco, foi convidada para jogar uma partida. Desde então, Clarissa não parou mais e conquistou medalhas de ouro em dois campeonatos sul-americanos, em 2013 e 2014. Para ela, encontros entre atletas e jovens é o maior legado que os Jogos Olímpicos podem deixar.

“A relação esporte-educação é muito importante. Infelizmente, muitos dos que estão aqui não se tornarão grandes atletas, mas só o fato de conseguirem entender a questão de viver em sociedade e do trabalho em equipe que o esporte carrega já serão aprendizados para a vida toda. Tenho muitas amigas que jogavam comigo e não continuaram no basquete, mas que levam até hoje as lições que o esporte oferece. Espero que [a atividade de hoje] seja só o início para que possamos continuar tirando crianças de áreas de risco e incluir nesse meio do basquete, futebol, da natação etc”.

O gestor do Basquete Cruzada, Wagner da Silva, informou que o projeto oferece também aulas de futebol, jiu-jítsu, judô, handebol e outros esportes. Para Silva, a presença da seleção na comunidade é benéfica para trazer os holofotes da sociedade para um grupo social que, segundo ele, é excluído. “Foi muito bom trazer pessoas de tanto peso público, pois elas trazem um pouquinho de luz para gente que é tão excluída aqui no Leblon. E, para as crianças e adolescentes, é muito bom porque rola esse contato direto com o ídolo. Antigamente, não existia isso, era muito difícil algo do tipo. Hoje em dia, isso já acontece bastante e funciona como uma fonte de inspiração pra eles”, destacou o gestor do projeto.

A escolinha Basquete Cruzada foi fundada em 1989 e tem como objetivo a agregação e colocação social através do esporte.

Os Jogos Olímpicos serão disputados entre 5 e 21 de agosto no Rio de Janeiro e os Jogos Paralímpicos, de 7 a 18 de setembro. Mais de 10 mil atletas de 205 países são esperados na cidade.

 

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