domingo, 17 de Julho de 2016 00:22h Atualizado em 18 de Julho de 2016 às 12:46h. Luciano Eurides

Quando o sonho rompe as distâncias

O futebol encurta as distâncias, sejam elas reais ou subjetivas. O repórter fica atento a uma boa história para contar, mesmo que ela esteja a 540 km

POR LUCIANO EURIDES

luciano.eurides@gazetaoeste.com.br

 

O futebol encurtou esse espaço físico e, ao mesmo tempo, promete a cada dia deixar o sonho mais próximo da realidade. A final da Imef premiou Ivan Mota, o atacante que conquistou o respeito dos adversários em Divinópolis.

 

O garoto Ivan chamou a atenção da cidade de Divinópolis logo nas primeiras vezes em que aqui esteve defendendo o América Mineiro. A princípio pelo fato de ele ser mais novo que os demais da categoria, embora nascido em 2002, por vezes, e não poucas, ele atua em uma categoria acima, lembrando que o América, em alguns casos, já envia uma categoria abaixo, assim, ele fica com dois anos menos que os demais. Na época, ele sub 10, atuava pelo sub 11 e contra os sub 12, e já se destacava.

 

Antes mesmo da torcida e adversários, quem viu isso foi o América. Ivan foi observado primeiramente em Mendes Pimentel, isso em 2012, em uma peneirada, depois em testes no América Mineiro e lá se vão quatro anos. No último final de semana, ele pode exibir para toda a Central de Minas (cidade natal de Ivan), o troféu de campeão da Super Copa Imef sub 14.

 

O sonho de ser jogador de futebol trouxe o pequeno Ivan, da pequena Central de Minas, a 420 km de Belo Horizonte. A dedicação dele o faz estar a quatro anos superando todas as barreiras, encurtando a distância do pai, que ficou em Central de Minas, aproximando da mãe, fiel torcedora dele em todos os gramados. E com uma legião de fãs, onde, quando chegam as férias, reencontra os amigos e sente a alegria e orgulho daqueles que com ele deram os primeiros chutes.  Ivan fala dos amigos de infância. “Eles ficam alegres quando eu vou lá, eles pensam que eu já sou jogador, ficam emocionados quando eu chego lá”, conta ele, ainda sem entender o quanto ele é exemplo de dedicação e coragem.

 

O sonho é o mesmo de criança, a vontade, a mesma daquele que deixou a cidade natal, a idade já é de um adolescente, sabendo ser capaz de transformar a própria sorte. Alguns elementos o fazem destacar.  O principal é ele ser apaixonado pelo que faz. Não importa a função, ele a faz. Seja dentro de campo, na categoria dele ou não, fora de campo, na torcida e onde for preciso, ele está pronto e disponível a servir. Outra é o respeito para com os colegas, seja do time dele ou adversário. O fato de ele fazer o melhor e obrigar o adversário a também ir além dos limites, sem deslealdade ou menosprezo. Esse ato dele de conquistar os adversários e amigos, pela seriedade em que joga e, ao mesmo tempo, pela descontração nos momentos certos, o coloca como sério candidato a um jogador de futebol.

Talvez aqueles amigos, lá na infância em Central de Minas, que o conhecem antes dos atuais companheiros e dos eventuais adversários, estejam certos. Ele é sim um jogador de futebol, pois continua a emocionar com lances bonitos e ousados, ao mesmo tempo tem os pré-requisitos para ser um profissional da bola. Isso o tempo falará.

 

Ele conta haver a necessidade de muita dedicação, coragem para estar longe da família e que está gostando muito desse desafio. “Na verdade, não é fácil”, falou ele, que nasceu em 22 de setembro de 2002. Há quatro defende o América Mineiro.

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