sábado, 14 de Maio de 2011 13:45h Luciano Eurides

Treinadores em busca do caminho da vitória

Já não há mais como errar. Os dois melhores times de Minas Gerais chegaram à final da competição mais importante do Estado. Além do título, está em jogo a rivalidade histórica entre Cruzeiro e Atlético. A partida desse domingo às 16h coloca frente a frente dois treinadores experientes e com o comando em jogo. A derrota pode custar o emprego de algum deles. Para apimentar, Carpegiani é demitido e Dorival e Cuca são os primeiros da lista tricolor.


São Paulo a parte e visando a grande decisão, o técnico Dorival Júnior tenta armar a equipe do Atlético da melhor maneira possível. O treinador, entretanto, garantiu que ainda não sabe qual time mandará a campo. “Ainda tenho uma dúvida, que pode gerar uma alteração no meio-campo, com a presença ou não do Richarlyson. Mas basicamente é a mesma equipe”. Richarlyson volta a ficar à disposição depois de cumprir suspensão automática no primeiro jogo da final.


Por conta dessa dúvida, ontem  Dorival comandou um trabalho tático com 11 jogadores na linha, sendo cinco no meio-campo: Serginho, Fillipe Soutto, Richarlyson, Renan Oliveira e Giovanni Augusto. Durante a atividade, Dorival pediu que não fossem gravadas as jogadas de bola parada, o que foge à rotina do treinador, que não costuma esconder treinamentos. Júnior acredita que em uma decisão cada detalhe pode ser fundamental. “Não foi nada especial. É um momento de decisão, um detalhezinho pode chamar a atenção. Não proibimos nada, é apenas um pedido. Espero que tenha sido aceito.”


No Cruzeiro a presença de Éverton na equipe titular não é confirmada e também não afastada. Para o segundo jogo da final, novamente um acaso fará com que ele permaneça no time titular. Mesmo com a volta de Roger, Gilberto continua como armador, já que Montillo foi expulso. Assim, a posição de lateral-esquerdo continua com Éverton, como vem ocorrendo nos treinos da semana na Toca.


Apesar de não confirmar a escalação até o momento, Cuca vem mantendo o time nos treinamentos desde quarta-feira: Leandro Guerreiro na lateral direita, Roger e Gilberto na armação e Thiago Ribeiro no ataque. Foi assim no treino de jogadas ensaiadas, ontem à tarde, quando o treinador até pediu para que não fossem feitas imagens dos lances.


O exame de ressonância magnética feita pelo zagueiro Victorino apontou que não há nenhuma lesão em sua coxa direita, e o uruguaio participou normalmente do treino de ontem. “Estou tranquilo, com tudo para o jogo de domingo”, avisa.


Sobre a preparação para sua primeira decisão no futebol brasileiro, Victorino garante que o pensamento de todos é no clássico de domingo, diferentemente da primeira partida. “Nossa cabeça não estava bem, ainda pensávamos na eliminação na Libertadores. Agora, estamos tendo toda a semana para nos preparar”, comenta o zagueiro. “Mudou muito nosso ânimo.”


Nem a ausência do amigo Montillo, suspenso, preocupa Victorino: “Todo mundo sabe que ele é um jogador importante, mas o Cruzeiro tem jogadores que podem substituí-lo e fazer o melhor em campo para conseguirmos a vitória”.


As cobranças sobre a equipe, após as duas derrotas recentes, para Once Caldas e Atlético, são vistas com normalidade pelo uruguaio: “O Cruzeiro é uma equipe grande e tem de jogar para ir bem em todas as competições. Não éramos a melhor antes e não somos a pior agora”.


O volante Henrique foi muito consciente e realista ao comentar sobre o momento vivido pelo Cruzeiro após a eliminação nas oitavas de final da Taça Libertadores, e a derrota para o rival Atlético-MG, no último domingo, no primeiro jogo da final do estadual. Para o jogador, as vitórias podem camuflar os defeitos da equipe. “A gente está vendo onde está errando. Quando você está vencendo e alguns jogadores jogam mal, a vitória esconde. Quando você perde e se você jogar mal, os torcedores vão cobrar”, explicou.


Desde que foi convocado em março por Mano Menezes, para o amistoso contra a Escócia, em Londres, o volante não repetiu as boas atuações que o fizeram ser lembrado pelo treinador da Seleção Brasileira. O jogador admitiu que não atravessa boa fase. “Claro que eu sei que não estou em meu melhor momento, mas estou trabalhando muito para voltar a ajudar a equipe” reconheceu.


Por fim, o camisa 8 explicou que as derrotas têm que ser absorvidas da melhor maneira possível. “A gente estava bem, vencendo muitas partidas e foi criada uma expectativa grande. Quando você não vence, essa expectativa não é superada. É ter tranquilidade para dar a volta por cima e voltar a vencer”, concluiu.

 


ARBITRAGEM


Numa decisão, o fator arbitragem faz a diferença. Principalmente quando as equipes sustentam rivalidade de décadas e têm torcidas apaixonadas, como Cruzeiro e Atlético, que fazem domingo, às 16h, na Arena do Jacaré, a finalíssima do Campeonato Mineiro de 2011. E o dono do apito, sorteado ontem à tarde na Federação Mineira de Futebol (FMF), vem de São Paulo: Wilson Luiz Seneme terá a missão de conduzir com tranquilidade e isenção o principal clássico de Minas e coroar o campeão estadual. Curiosamente, horas antes de ser sorteado para a partida em Sete Lagoas, Seneme participou do sorteio para a decisão do Paulista, Santos x Corinthians, mas perdeu para Luís Flávio de Oliveira.


Seneme será auxiliado pelos também paulistas Emerson Augusto Carvalho e Marcelo Carvalho Van Gasse.


OUTROS CLÁSSICOS


Em São Paulo, Corinthians e Santos: o futuro papai Neymar conseguiu fazer uma boa partida e Tite escalou Wallace para marcá-lo, não deu certo. Dribles e passes só não decidiram o jogo do Pacaembu pela falta de capricho na finalização. O Corinthians tem um bom sistema de marcação, mas depende demais de Liedson.


O campeonato gaúcho tem o clássico Gre-Nal. A situação é mais complicada para o Inter. O time comandado por Falcão precisa vencer o Grêmio por dois gols de diferença para ser campeão ou por um gol, sendo que a partir do 4 a 3.

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