segunda-feira, 23 de Setembro de 2013 13:37h Atualizado em 23 de Setembro de 2013 às 13:47h.

33ª Semana Nacional do Cavalo Campolina é a melhor da última década

Criadores e usuários elegeram a 33ª Semana Nacional do Cavalo Campolina, que ocorreu de 1 a 8 de setembro, no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte (MG), a melhor edição da última década. Nas pistas, cerca de 700 animais foram inscritos por 150 expositor

Criadores e usuários elegeram a 33ª Semana Nacional do Cavalo Campolina, que ocorreu de 1 a 8 de setembro, no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte (MG), a melhor edição da última década. Nas pistas, cerca de 700 animais foram inscritos por 150 expositores do chamado "eixo da raça" (MG, SP, RJ, BA e PE), entre outros estados. A programação apresentou uma série de eventos que ajudou a resgatar o envolvimento social na principal mostra do Cavalo Campolina. Cerca de 10 mil pessoas passaram pelo parque de exposição.

O ponto alto do evento foi a interação do público, inclusive, de pessoas sem envolvimento direto com a raça. "Foi muito gratificante ver criadores e usuários do nosso cavalo confraternizando com amigos e familiares. Sem sombra de dúvidas, essa edição da Nacional ficará marcada na História como a exposição da Família Campolina", disse o anfitrião Luiz Roberto Horst Silveira Pinto, presidente da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Campolina (ABCCCampolina).

Objetivo esse traçado desde o mês de março, quando a diretoria da ABCCCampolina e o comitê organizador da Nacional - formado pelos criadores Osvaldo Diniz, Suzana Salum e Léo Maia - reuniram-se para incorporar a programação da Semana Nacional do Campolina aos planos de fomento da raça. Desta forma, uma aposta certeira foi a criação do "Espaço do Criador", que cumpriu perfeitamente o papel de aproximar os visitantes, ao sediar diversos encontros ao longo da semana.

Outra iniciativa interessante foi o reconhecimento aos tratadores dos cavalos. Um dia antes da abertura, os mais de 300 profissionais foram homenageados com uma grande festa no Pavilhão Redondo do Espaço Expominas. "Vocês são mais importantes do que os próprios criadores. São vocês que cuidam, montam e conhecem bem cada animal. Sabemos que apenas 30% dos fatores que fazem o campeão são genéticos. O restante vem da sanidade, manejo e nutrição, ou seja, da mãos de obra do haras", disse a eles o presidente da ABCCCampolina. Também foi neste local que a dupla sertaneja revelação Bruna e Keyla agitou a exposição.

Novidades na pista de julgamento - A 33ª Semana Nacional do Cavalo Campolina teve uma programação técnica das mais criteriosas. Neste ano, dez jurados ficaram responsáveis pelo julgamento, cinco avaliando morfologia e os demais, andamento. Maior e menor notas eram desconsideradas e a classificação transmitida em tempo real em um grande telão montado na pista.

"Tivemos uma exposição bem distribuída e com animais muito parelhos. Surpresa foi ver a quantidade de éguas com mais de 36 meses, que, pela primeira vez, bateu o número de potras", avaliou o diretor da Escola Nacional do Cavalo Campolina (ENACAM), Reynaldo Zapalá, explicando que esse dado confirma o progresso experimentado pela raça, atualmente. Outra inovação foi a atuação de Pedro Braga, Raíssa Martins e Paula Carvalho, os novos inspetores contratados pela ABCCCampolina, como jurados de chão. Eles ajudaram na inspeção de entrada e também no concurso de marcha.

Grade Comercial - Para reservar parte do horário nobre aos eventos sociais, foi necessário reduzir significativamente o cronograma de leilões. Ocorreram apenas dois remates, que juntos arrecadaram R$ 2.571,284,00. Animais também foram vendidos em um shopping e houve negociações diretas entre os criadores, mas essas ainda não foram computadas.

O resultado mais expressivo veio no 2º Leilão Campolina 40°, promovido no dia 5 de setembro, pelo Haras do Barulho, com a oferta de 60 lotes Campolina Pampa. O faturamento chegou à R$ 1.537.000,00, com média geral de R$ 26,7 mil. O lote mais valorizado foi Iluminada do Barulho, com 50% de sua propriedade adquiridos por R$ 92 mil.

Já no Leilão Raça Campolina Sun Shine 2013, promovido no dia 6 de setembro, pelos haras Top, Campanário, Campolina das Marias e Santa Anna, a grande surpresa foi a presença massiva de novos investidores (20% dos compradores). O faturamento alcançou a cifra de R$ 1.034.284,00 com a comercialização de 38 lotes (média geral de R$ 27.218,00). O lote destaque foi a doadora Onda Top, vendida ao condomínio Campolina das Marias/Fazenda Mata Nova por R$ 136.400,00.

Homenagens - A 33ª Semana Nacional do Cavalo Campolina também foi palco de importantes reconhecimentos. "Antes de pensarmos em planejamentos futuros, devemos sempre preservar nosso passado", afirmou o presidente da ABCCCampolina, referindo-se ao Hospital Cassiano Campolina, que completou 103 anos neste mês e foi idealizado pelo patriarca da raça Campolina. Hoje, são atendidos mais de 40 mil habitantes da cidade mineira de Entre Rios de Minas e região. O provedor da instituição, Afonso Miranda, agradeceu o apoio e apresentou um vídeo contanto um pouco sobre o dia a dia da instituição.

Em seguida, foi a vez de entregar à prefeita de Entre Rios de Minas, Maria Cristina Mansur Teixeira Resende, a tão prometida escultura assinada pelo artista plástico Zê Vasconcellos. A obra (um cavalo Campolina montado customizado em aço inox) tem mais de quatro metros de altura e será o mais novo cartão postal da cidade. "A ABCCCampolina está dando o reconhecimento que Entre Rios merece. Este presente será símbolo da paixão de nosso povo pelo Cavalo Campolina", disse a prefeita.

As festividades continuaram com o coquetel da Família Resende, que foi laureado com uma placa onde foram imortalizados os nomes de cinco Resendes que muito contribuíram com a raça. São eles Joaquim Pacheco de Resende, Joaquim Resende (Quinzinho), Gastão Ribeiro de Oliveira Resende, Roberto de Oliveira Resende e Aloísio Resende Ribeiro de Oliveira.

Dorper e Pêga - ABCCCampolina promoveu a diversificação de investimentos e abriu a Nacional para uma pequena exposição de ovinos Dorper e White Dorper, originários da África do Sul. O mercado da carne de cordeiro está aquecido e essas raças são capazes de proporcionar ganhos extraordinários aos cruzamentos industriais.

O mesmo aconteceu com o Jumento Pêga e seus belos muares. No dia 7 de setembro, houve concurso de marcha e de muar mais bonito. E não foi só. As associações do Campolina e do Jumento Pêga assinaram convênio para fomentar a produção de muares “Peca”, como serão chamados os produtos gerados pelo cruzamento entre jumentos Pêga em éguas Campolina. "É um mercado formidável, que beneficiará as duas raças", aposta o presidente da associação que assiste os criadores do asinino, Marco Antônio Andrade Barbosa. Os resultados das provas estarão disponíveis no site da Associação Brasileira dos Criadores do Jumento Pêga (www.abcjpega.com.br), na próxima sexta-feira (13 de setembro).

Cursos e palestra - Pela primeira vez no Brasil, Karen Scholl, criadora do renomado "Horsemanship for Woman", promoveu cursos durante a 33ª Semana Nacional do Cavalo Campolina. Ficou encantada com a beleza, porte e a cabeça do Cavalo Campolina, especialmente suas orelhas lançadas. O público pôde conferir técnicas de doma racional capazes de conquistar a confiança dos animais pelas pessoas. "O cavalo é uma presa natural e qualquer movimentação que não lhe seja familiar irá agitá-lo. Para que confiem em nós, precisamos nos aproximar com tranquilidade, assim como uma mãe que brinca com o filho, mas sabendo ser firme quando necessário", disse.

Outra visitante ilustre foi Ann Staiger, da Cordell University, de New York (USA), que esteve na exposição divulgando estudos recentes sobre marcha. Em uma pesquisa com camundongo, mutações induzidas em determinados genes faziam camundongos saltitarem ao invés de caminhar. Desse resultado, nasceu a teoria de que o mesmo pode valer para animais de outras espécies.

A partir de marcadores moleculares, tecnologia descoberta em 2009, foi possível localizar regiões específicas no genoma do cavalo onde estão os genes responsáveis pelo andamento. "O problema é que é uma região com muitos genes, algo que estamos tentando olhar mais a fundo", explica. Mesmo em meio a dificuldade, já sabe-se que marcha é um controle neuromotor transmitido pela genética.

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