quarta-feira, 23 de Março de 2016 12:37h Agência Minas

Abaeté inaugura unidade e sistema prisional já soma 87 escolas no Estado

Estudo garante aos presos remição de pena, com redução de um dia a cumprir a cada 12 horas de frequência escolar

As aulas do ensino fundamental começaram neste mês de março para 32 presos do Presídio de Abaeté, no Território Central. O ensino regular só se tornou possível com a construção, pelos próprios detentos, de uma sala dentro do presídio, que se tornou uma extensão da Escola Estadual Frederico Zacarias.

Agora, são 87 escolas em unidades prisionais administradas pela Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi) da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), além 27 em Centros de Reintegração Social (CRS’s) de Apac’s, e 3 no Complexo Prisional de Parceria Público-Privada (PPP).

 

 

 

A obra no Presídio de Abaeté foi a parte prática do curso de qualificação em carpintaria e alvenaria feito por 14 detentos, com recursos do Pronatec. O agente penitenciário Juliano Geraldo dos Santos se inscreveu e foi selecionado para ser o instrutor do curso. Juliano tem oito anos de experiência como pedreiro e faz questão de elogiar a turma do presídio. “Esses podem trabalhar em qualquer empreitada quando conquistarem a liberdade”, atesta.

Levantamento recente da direção do Presídio de Abaeté mostrou que 83% dos detentos interrompeu os estudos ainda no ensino fundamental, enquanto 15% têm ensino médio completo ou incompleto. Três chegaram à unidade analfabetos e nem sequer frequentaram escola antes.

 

 

 

Novos horizontes

O diretor do Presídio de Abaeté, Ronaldo Gomides, diz que pretende ampliar o número de séries disponíveis no próximo ano, possibilitando a continuidade dos estudos para os presos que começaram agora e uma retomada para outros que já passaram pelos anos iniciais do ensino fundamental.

No caso de Wanderley da Silva, de 35 anos de idade, foi um começar da estaca zero. Ele nasceu na roça e diz que nunca teve oportunidade de frequentar a escola. Analfabeto, sentiu na pele as consequências da falta de estudo quando recebia recusas de emprego.

 

 

 

“Eu conhecia as letras, mas não sabia juntar as palavras. Estou aprendendo com a ajuda da professora e dos colegas de classe”, revela Wanderley.

O estudo garante aos presos remição de pena, com redução de um dia a cumprir a cada 12 horas de frequência escolar; mas para frequentar a sala de aula é preciso atender alguns critérios de seleção. “Além de trazer uma nova perspectiva ao detento, a escola irá ajudar no controle da segurança dentro da unidade, pois apenas os que apresentam bom comportamento podem estudar”, lembra o diretor.

O trabalho de ressocialização é respaldado pela juíza de Execuções da Comarca de Abaeté, Rachel Viégas. Ela diz acreditar que estudando e trabalhando os presos poderão trazer uma contribuição para a sociedade quando retornarem ao convívio social.

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