sábado, 27 de Agosto de 2016 09:49h Imprensa Codevasf

Ação da Codevasf leva água a famílias afetadas pela seca no Norte de Minas

Mais de 150 comunidades rurais do semiárido de Minas Gerais, região Norte do estado, passam a ter acesso a água em meio a um quadro de estiagem prolongada. Numa ação da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), poços, caixas d’água para até cinco mil litros e outros equipamentos de infraestrutura hídrica levam alívio a famílias moradoras de localidades em 94 municípios mineiros com estado de emergência ou calamidade decretado pela Defesa Civil. O investimento é de R$ 2,1 milhões, recursos do Orçamento Geral da União destinados à Codevasf por emendas parlamentares e visando à universalização do acesso à água no meio rural. 
 
A fonte de captação são poços tubulares e pequenos barramentos em mananciais naturais. Os equipamentos disponibilizados às comunidades permitem a condução da água até um chafariz comunitário e, em alguns casos, até a casa da família beneficiada. 
 
O superintendente da Codevasf em Minas Gerais – cuja sede fica em Montes Claros -, Rodrigo Rodrigues, destaca que, além do abastecimento humano, a ação ajuda na sobrevivência de pequenos animais domésticos, que servem como fonte de renda para o produtor rural, e também na manutenção de pequenas hortas comunitárias, principalmente em escolas e creches municipais, ondem complementam a alimentação dos alunos.  
 
Rios secos
 
Para o produtor rural José Ramos Mendes Soares, presidente do Conselho Municipal de Entidades de Ação Comunitária no município de São João da Ponte, esta foi uma das melhores ações já realizadas pelo poder público federal na região - onde, na maior parte do ano, durantes as longas estiagens, não existia água nem mesmo para consumo humano. “Era uma tristeza só. Animais morriam de sede, e muitas vezes não havia água nem mesmo para uso doméstico”, afirmou. O conselho congrega seis pequenas associações comunitárias, com mais de 500 famílias filiadas.
 
Segundo José Ramos, os rios do Ouro e do Arapuim, que cortam o município, já estão quase secos. “Se não chover até a primeira quinzena do próximo mês de outubro, vai ser um desastre para a nossa região - mas a água para consumo humano está garantida”, frisa o presidente do Conselho Municipal.
 
“Agora já não precisamos buscar água em latas na cabeça ou em lombos de animais há vários quilômetros da comunidade, nem dependemos de carro-pipa”, celebra a dona de casa e produtora rural Júnia Márcia Maciel Pereira, presidente da Associação Comunitária Pedro Alves Pereira, que congrega produtores das comunidades de Pau d’óleo e Lages, no município de Engenheiro Navarro. 
 
O chefe de gabinete da Codevasf em Minas, Fernando Britto, disse acreditar que, “com ações dessa natureza, de baixo investimento financeiro e de alto alcance social e comunitário, a Codevasf ajuda a solucionar um dos mais sérios problemas da região do semiárido mineiro, que é a falta de água e, conseqüentemente, o êxodo rural - fato muito comum na região”. 
 
Estiagem em Minas
 
Levantamento feito no último mês de junho pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater) mostrou que a estiagem que atingiu o Norte de Minas Gerais naquele mês foi equivalente ao mês de setembro de 2015, significando que o período crítico de seca foi antecipado em três meses.  A análise da Emater se baseou em dados da situação dos recursos hídricos e das perdas agropecuárias.
 
Informações do relatório enviado para os Governos Estadual e Federal apontaram que 90% dos córregos e rios que abastecem o norte mineiro estão comprometidos, e 70% dos poços artesianos secaram ou tiveram a vazão comprometida, impactando diretamente o abastecimento da população. No campo, 150 mil famílias sofrem os impactos sociais da seca.
As perdas da região com as quatro últimas safras agrícolas chegaram a R$ 2 bilhões; o rebanho bovino, que chegava a 3,3 milhões de cabeças, foi reduzido a 1,5 milhão, e a produção de leite caiu 60%. As pastagens, que somavam 4 milhões de hectares, foram reduzidas em 70%, segundo as informações da Emater.
 
O boletim divulgado pela Defesa Civil Estadual apontou que 119 municípios mineiros decretaram situação de emergência pela seca. De acordo com a Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene, 75 deles estão situados no Norte do Estado.
 

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