sexta-feira, 27 de Maio de 2016 13:51h Agência Minas

Ações do IMA reforçam não ocorrência de febre aftosa em Minas Gerais

Trabalho preventivo contra a doença é realizado durante todo ano pelo Instituto Mineiro de Agropecuária; primeira etapa de vacinação em 2016 termina na próxima terça-feira (31/5)

Minas Gerais completou, este mês, 20 anos sem registro de focos de febre aftosa em seu rebanho. A primeira etapa de vacinação contra a doença, realizada anualmente, termina na próxima terça-feira (31/5) em todo o estado. A vacina é obrigatória e é a principal forma de prevenção contra o vírus. A estimativa é que cerca de 23,9 milhões de animais sejam imunizados em Minas Gerais este ano, e a próxima etapa de vacinação será em novembro.

Cerca de 3.500 pessoas em diferentes regiões do estado participaram, de 2015 até agora, de mais de 200 atividades educativas realizadas pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) relacionadas à prevenção e erradicação da febre aftosa e da brucelose, doenças que podem acometer o rebanho bovino e que trazem prejuízos para a pecuária estadual.

 

 

 

 

O trabalho preventivo, que é parte das ações de educação sanitária desenvolvidas pelo Instituto, é crucial para que Minas Gerais, que possui o segundo maior rebanho bovino no país, mantenha seu status de área livre de febre aftosa com vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), o que permite ao estado acesso aos mercados internacionais e ainda garante renda para o produtor rural.

Segundo o gerente de Educação Sanitária e Apoio à Agroindústria Familiar do IMA, Gilson Sales, o Instituto não se limita a ser o gestor das campanhas de vacinação contra a febre aftosa e a brucelose. “Trabalhamos durante todo o ano junto ao produtor rural, orientando, tirando dúvidas, realizando palestras, dias de campo e outros encontros em todo o estado”, afirma.

 

 

 

 

Para sensibilizar os produtores rurais e as lideranças locais sobre a importância do combate a estas doenças para a pecuária estadual e nacional, o IMA elaborou um plano de ações em conjunto com o Ministério da Agricultura, específico para a prevenção da febre aftosa e da brucelose. “O plano de ação foi pontual e começou em setembro do ano passado, com o objetivo de trabalhar melhor as duas campanhas de vacinação – em novembro de 2015 e a deste mês”, conta Sales.

Entre as ações empreendidas no plano estavam reuniões e palestras com sindicatos rurais, cooperativas e associações, com os Conselhos Municipais de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS) e também com vacinadores autônomos, revendedores de vacinas e médicos veterinários.

 

 

 

 

Prevenção é fundamental

O produtor rural Wery Marley Santos, 33 anos, trabalha há 15 anos com pecuária de corte na cidade de Bocaiúva, no Norte de Minas Gerais, e tem 15.700 cabeças de gado. “Sei o quanto é prejudicial não vacinar, pois o prejuízo em caso de doença não é só da propriedade, mas da região toda”, diz. “Trabalhamos certinho com o calendário sanitário e estamos muito atentos à saúde animal”, completa.

Wery sabe que, em caso de ocorrência de febre aftosa, são impostas restrições nas fazendas, proibindo movimentação de animais, pessoas e materiais enquanto são feitas as investigações. Em caso de sinais positivos de ocorrência da doença, o serviço veterinário oficial aplica um termo de interdição, que, entre outras medidas, proíbe as movimentações de animais das fazendas localizadas dentro de um raio pré-estabelecido.

 

 

 

 

Se a doença é confirmada, é estabelecida uma zona de proteção com um raio mínimo em volta das áreas com animais infectados, que são sacrificados, juntamente a todos os animais que estejam suscetíveis à doença neste raio. “O principal dano é comercial. Devido ao alto poder de difusão do vírus, os países estabelecem barreiras à entrada de produtos oriundos de locais onde ocorreram casos da doença. E isso tem um efeito devastador para a pecuária e a economia de todo o país, com consequências sociais”, ressalta o gerente de Educação Sanitária e Apoio à Agroindústria Familiar do IMA, Gilson Sales.

De acordo com Sales, a importância da educação sanitária como ferramenta de defesa agropecuária é tamanha que o IMA realiza, desde 2003, o projeto Sanitaristas Mirins, que leva informações sanitárias agropecuárias para as escolas do estado. “As crianças são os futuros produtores rurais, e, além disso, esperamos que elas possam influenciar seus pais e a comunidade em que vivem quando aprendem sobre sanidade animal, vegetal, ambiental e alimentar”, enfatiza.

 

 

 

 

Primeira etapa da vacinação

A campanha de vacinação contra a febre aftosa é realizada anualmente nos meses de maio e novembro. Em maio, todos os bovinos e bubalinos são imunizados, e, em novembro, os animais com até 24 meses recebem o reforço da vacina. No ano passado, o IMA registrou, nas duas etapas, índices de 97% de comprovação da vacinação contra a febre aftosa.

Para tanto, o produtor rural deve adquirir a vacina em estabelecimentos registrados para o comércio de produtos de uso veterinário, apresentando no ato da compra seu CPF. Após a compra, é fundamental a correta conservação da vacina, que deverá sempre estar numa temperatura entre dois e oito graus centígrados, de forma a garantir sua  eficácia na imunização do rebanho.

 

 

 

Os produtores devem adquirir  as vacinas até o dia 31 de maio e têm até 10 de junho para comprovar a vacinação dos animais perante o IMA. Esta comprovação pode ser feita de duas formas: o produtor realiza a declaração por meio do site do IMA (www.ima.mg.gov.br) ou pode levar a declaração de vacinação já preenchida, juntamente com a nota fiscal de compra das vacinas, a um dos escritórios do IMA.

O IMA realiza ações de fiscalização nas propriedades rurais durante todo o ano. O produtor que não vacinar os animais está sujeito à multa de 25 Unidades Fiscais do Estado de Minas Gerais (Ufemgs) por animal, o equivalente a R$ 75,27 por cabeça.

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