quarta-feira, 20 de Abril de 2016 10:29h Atualizado em 20 de Abril de 2016 às 10:34h. Agência Minas

Ações do Instituto Mineiro de Agropecuária garantem maior segurança aos produtores e consumidores mineiros

Desde 1992, o IMA executa políticas que contribuem para a preservação da saúde pública e do meio ambiente e para o desenvolvimento do agronegócio no estado

Há pouco mais de 24 anos, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), como braço da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), contribui para a execução de atividades de defesa agropecuária em Minas Gerais. Dessa forma, desde 7 de janeiro de 1992, o órgão difunde e realiza ações relacionadas à defesa sanitária animal e vegetal, com inspeção, certificação de produtos e as consequentes preservação ambiental e proteção à saúde pública.

Entre os principais serviços prestados pelo IMA estão, justamente, a vigilância e defesa sanitária animal e a inspeção de produtos de origem animal. Incluem-se, nestas iniciativas, ações como a fiscalização: em propriedades rurais com bovinos, bubalinos, equídeos, aves, suínos e peixes; do trânsito de animais: bovinos, bubalinos, aves e suínos; dos eventos agropecuários; do comércio de produtos de uso veterinário; e da gestão de etapas de vacinação dos rebanhos (como a febre aftosa, por exemplo).

Já entre as vistorias de produtos, com o objetivo de contribuir para a disponibilização de produtos de origem animal adequados e seguros ao consumo humano, o instituto executa a inspeção nos estabelecimentos registrados, como frigoríficos e aqueles que trabalham com pescados, ovos, mel, leite e derivados. Nestes casos, além de medidas preventivas, o IMA também recorre, se necessário, a medidas coercitivas e punitivas.

 

 



Lavouras
Garantir a defesa sanitária vegetal é outra missão do Instituto. Com a fiscalização dos vazios sanitários do algodão, feijão e soja, por exemplo, o corpo técnico auxilia na manutenção dessas lavouras, mantendo baixo o ataque de pragas na safra seguinte. O vazio sanitário ocorre anualmente e varia de um a três meses, de acordo com cada cultura, período no qual fica proibido o cultivo desses produtos.

O engenheiro agrônomo e agropecuarista, Décio Bruxel, é produtor de soja e participa do vazio sanitário do grão desde que foi instituído pelo IMA, em 2007, para o controle e diminuição, na entressafra, da quantidade de esporos do fungo causador da ferrugem asiática da soja – o Phakospora Pachyrhizi. "Sem dúvida alguma, as ações tomadas pelo IMA foram - e são - de extrema importância para o controle das principais doenças e pragas nas culturas", destaca o produtor. Como consequência, acrescenta Bruxel, ocorrem a melhoria na produtividade e queda nos custos de produção.

 

 

 

Outro destaque é a certificação fitossanitária de origem e de consolidação, que confirma a sanidade dos vegetais e se lavouras (bananas, citros, uva, pinus e mudas de café) estão livres de pragas que podem causar dano com impacto econômico. Além disso, o órgão também fiscaliza o comércio e uso de agrotóxicos, o comércio de sementes e mudas e conduz levantamentos fitossanitários para o controle e monitoramento de pragas.

As análises laboratoriais também entram como diferencial do IMA, que possui uma rede de laboratórios qualificada para exames e diagnósticos de apoio a diversos segmentos da atividade agropecuária. Em Belo Horizonte, por exemplo, está instalado o Laboratório de Saúde Animal (LSA) - para testes e diagnósticos de doenças que podem acometer os rebanhos. Já no entreposto da CeasaMinas, em Contagem, está o Laboratório de Química Agrícola (LQA) - para diagnósticos de pragas e análises relacionadas a insumos,  produtos vegetais e animais. Em 2015, a rede analisou cerca de 39 mil amostras com aproximadamente 145 mil parâmetros laboratoriais.

 

 

 

Certificação

Somam-se às ações com foco permanente na qualidade e segurança os programas de certificação do IMA. Como benefícios, a certificação permite, aos produtores, agregar valor e expandir mercados para seus produtos. Já aos consumidores, viabiliza o acesso a produtos de qualidade e condizentes com as normas socioambientais. Com os programas de certificação, o IMA trabalha, ainda, aspectos como a inserção da mulher nas atividades da agricultura familiar, bem como a melhoria na gestão, eficiência e competitividade das propriedades, com auditorias periódicas.

São exemplos de produtos certificados a cachaça, café, produtos orgânicos, produtos com o selo SAT (Sem Agrotóxicos) e do Sistema de Identificação e Certificação de Bovinos e Bubalinos (Sisbov). No caso da cachaça e dos produtos orgânicos, inclusive, a certificação do IMA tem o reconhecimento do Inmetro.

 

 



Produtores de café há mais de 45 anos, Aziz e Conrado Zenun, proprietários da Fazenda Santana, contam com a certificação do IMA há cinco anos, desde que tomaram conhecimento do protocolo Certifica Minas Café, por meio do escritório da Emater-MG em Campestre, no Sul do Estado. Com isso, o trabalho produtivo entrou em novo patamar.
"O processo de certificação exige planejamento e controle de todas as atividades, bem como treinamento contínuo da equipe de colaboradores, assistência técnica continua, conhecimento das técnicas de manejo sustentáveis, cuidados especiais na escolha de agroquímicos e cuidados excepcionais durante a colheita e pós colheita", observa Conrado.

Hoje, a produção média anual de café da Fazenda Santana é de 3.000 sacas, nas variedades Catuaí Amarelo, Mundo Novo e Bourbom. O produto é comercializado com a marca Ouro de Kaffa, com presença nas maiores redes de supermercado do país. Todos os selos de certificação estão destacados na parte da frente da embalagem. “Com a missão de destacar o café certificado, também inauguramos, nesta semana, uma cafeteria com a marca, em Varginha”, conclui.

 

 



Em Sacramento, no Triângulo Sul, a certificação do IMA também é uma realidade na fábrica atual da Cachaça Batista, que produz, anualmente, 100 mil litros da bebida. "Conhecemos a certificação de qualidade da cachaça quando a primeira cachaça de MG conseguiu o selo, o que foi bastante divulgado na mídia. Em 2009, fizemos a solicitação", lembra o proprietário Marco Antônio da Mota. Desde 2012, a agroindústria também conta com o certificado de qualidade do Inmetro. "Para nossa satisfação, o organismo certificador continua a ser o IMA", completa o produtor.
Para Mota, a certificação voluntária proporciona melhor controle da produção e permite, assim, maior segurança para quem consome. "As principais mudanças desde a certificação foram quanto aos métodos de controle de produção e de qualidade, proporcionando uma visão mais ampla do processo em geral", aponta. "Além disso, é possível oferecer ao cliente rastreabilidade total dos nossos produtos, o que acreditamos ser uma vantagem em relação aos concorrentes", acrescenta Marco Antônio.

Fora a produção de soja, o engenheiro agrônomo e agropecuarista, Décio Bruxel, também é criador de suínos e conta com a certificação do instituto. Para ele, as medidas oferecidas pelos técnicos do IMA não só contribuem para orientação, como ainda para estabelecer medidas de controle em todos os setores da produção agropecuária no estado.

 

 

 

“Todas as nossas granjas possuem um registro junto ao IMA e são visitadas periodicamente para certificação da biossegurança e o trânsito dos animais, controlado via emissão de guia de trânsito animal (GTA)”, relata. “A certificação é uma garantia ao produtor de que está adquirindo animais livres de doenças. É bom lembrar, ainda, que somente com essa certificação é permitida a comercialização de animais para reprodução”, completa.

Além do registro junto ao órgão, as unidades responsáveis pelo fornecimento de material genético aos clientes, como informa Bruxel, “são semestralmente auditadas, a fim de renovarmos a certificação para comercialização de reprodutores (GRSC – Granjas de Reprodutores Suídeos Certificadas), de acordo com a normativa do Mapa IN 19, que possuímos desde 15 de fevereiro de 2002”, finaliza.

 

 



Educação e regularização sanitária

Cursos gratuitos de boas práticas de fabricação e educação sanitária estão entre as ações do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Minas) e o Instituto Ernesto Antônio de Salvo (Inaes). No último ano, IMA e Senar realizaram 34 cursos de capacitação, com a participação de mais de 400 produtores em todo estado. Em 2016, a previsão é a de 40 cursos e atendimento a mais de 500 agricultores familiares.

Tendo por referência a legislação estadual nº 19.476/2011, que objetiva a regularização das agroindústrias familiares, o IMA também promove vistorias, para acompanhar o processo e orientar os produtores. Desse modo, são trabalhados temas como o comportamento e a formalização dos produtores, segurança alimentar dos consumidores, além da consequente melhoria da qualidade do que é produzido. Em 2015, conforme registro do instituto, foram realizadas aproximadamente 550 vistorias em agroindústrias familiares do estado.

 

 

 

Entre as medidas que reforçam, ainda, a educação sanitária no estado, estão o aperfeiçoamento e a atualização da equipe técnica do Instituto. Para os produtores rurais, existem reuniões, palestras e cursos de defesa sanitária animal, vegetal, de certificação e inspeção de alimentos.

"O IMA tem trabalhado para cumprir com a sua finalidade de executar as políticas públicas de defesa agropecuária, visando à preservação da saúde pública e do meio ambiente e ao desenvolvimento do agronegócio, em consonância com as diretrizes fixadas pelos governos estadual e federal", enfatiza o diretor-geral do instituto, Márcio Botelho. No caso da certificação, argumenta, “a iniciativa proporciona para os produtores, oportunidades como a de melhorar a remuneração do produto, enquanto, para os consumidores, a oportunidade de acesso a alimentos seguros", complementa.

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