segunda-feira, 22 de Junho de 2015 10:50h

Álcool é primeiro passo para as drogas, alerta especialista

Opinião é do psiquiatra Sérgio de Paula, palestrante de ciclo de debates sobre drogas e juventude que será aberto na quinta (25), na ALMG

Metade dos adolescentes que experimentam álcool podem se tornar alcoólatras no futuro, na opinião do psiquiatra Sérgio de Paulo Ramos. Membro do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Estudos sobre o Álcool e Outras Drogas (Abead), Ramos é o expositor convidado da palestra de abertura do Ciclo de Debates sobre Drogas e Juventude: Prevenção o “X” da questão, que será realizado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta quinta e sexta-feiras (25 e 26/6/15).

Para o médico, o Brasil tem cuidado mal de seus jovens, pois tem uma cultura permissiva em relação ao consumo de bebidas alcoólicas por menores de 21 anos – idade que marca o amadurecimento completo do cérebro humano. "O consumo de álcool é o principal problema relacionado às drogas na juventude. Esse uso prematuro causa alterações na química cerebral, tornando a pessoa mais propícia a experimentar outras substâncias", explica o médico. Segundo ele, todas as pessoas que consomem crack ou cocaína passaram pelo álcool em algum momento. "Cuidar bem dos adolescentes começa por não facultar o acesso a bebidas alcoólicas”, defende.

Por que a sociedade é tão liberal em relação ao consumo de bebidas alcoólicas? Para o psiquiatra, a resposta passa por interesses econômicos. “A indústria de bebidas pode fazer o que bem entende e está ganhando com isso. Quem sai perdendo é a população jovem. E essa visão mercadológica está se expandido para outras drogas, como a maconha. O negócio proveniente da liberação da maconha vai gerar 300 bilhões de dólares por ano. Grupos econômicos estão despejando dinheiro para fazer a cabeça da sociedade em prol da legalização”, denuncia.

O ciclo de debates contará ainda com exposições sobre políticas de tratamento de dependentes químicos e experiências de sucesso de prevenção do uso de drogas. Entre os expositores, está Guilherme Corrêa, autor do projeto Tô Ligado!, que trabalha com foco na autoestima do jovem, de modo a evitar o envolvimento com drogas.

Apesar de reconhecer o papel do álcool como principal porta de entrada para o uso de outras drogas, Corrêa também chama a atenção para outras substâncias que podem servir de chamariz, como o cigarro e o loló (entorpecente caseiro feito com clorofórmio e éter). “Muitas vezes, o adolescente experimenta cigarro e loló e já busca outras drogas. Mas o consumo de álcool ainda é maior que o que todas as outras drogas”, aponta.

De acordo com Corrêa, o quadro é crítico porque cada vez mais crianças estão se envolvendo com entorpecentes. “No início, trabalhávamos com adolescentes a partir dos 12 anos, mas percebemos que os meninos estão consumindo cada vez mais cedo. A droga já chegou até as crianças de nove anos”, afirma.

Família tem papel fundamental no diagnóstico e no tratamento

Apesar do papel fundamental de pais e mães no diagnóstico precoce e no tratamento de dependentes químicos, Ramos e Corrêa concordam que as famílias tendem a negar o problema. “A grande maioria dos pais não identifica se o filho está mais depressivo ou eufórico. Quando chega ao ponto de roubar em casa ou ser agressivo, já é um caso avançado de dependência”, lamenta Corrêa.

Já o psiquiatra destaca que os primeiros sinais de abuso de drogas por adolescentes são queda do rendimento escolar, troca de amigos e pouca atenção às tarefas escolares. "A partir daí, é preciso procurar um profissional que vai tratar, além do dependente químico, a própria família", diz.

Inscrições - Para participar do ciclo de debates, é preciso fazer a inscrição no Portal da ALMG até as 12 horas de quinta-feira (25).

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