sexta-feira, 30 de Maio de 2014 09:54h

ALMG vai homenagear o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns

Arcebispo emérito de São Paulo foi indicado para receber o título de cidadão honorário de Minas Gerais.

No ano em que o Brasil relembra os 50 anos do golpe de 1964, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) homenageia um dos principais nomes da oposição ao regime militar: o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns. Na próxima terça-feira (3/6/14), às 20 horas, será realizada uma Reunião Especial de Plenário para a entrega do título de cidadão honorário do Estado ao arcebispo emérito de São Paulo. A solenidade foi solicitada pelo presidente da ALMG, deputado Dinis Pinheiro (PP). O cardeal será representado pelo coordenador internacional da Pastoral da Criança, Nelson Arns.
Dom Paulo Evaristo Arns é um frade franciscano nascido em Forquilhinha (SC), em 1921. Ele construiu carreira religiosa e no magistério cristão e dedicou a vida a causas humanitárias. Em 1970, tornou-se arcebispo metropolitano de São Paulo, nomeado pelo Papa Paulo VI, permanecendo na função até 1998, quando renunciou por limite de idade, como preveem as normas da Igreja Católica.

Em 1973, tornou-se cardeal e, a partir daí, aprofundou sua atuação no enfrentamento das mazelas sociais e políticas do País. Dois exemplos ilustram bem sua trajetória: ao assumir, vendeu o Palácio Episcopal que servia de sede ao Bispado, indo morar em uma residência simples, e investiu todo o dinheiro na construção de milhares de moradias na periferia da capital paulista, sob o regime de mutirão.

O segundo exemplo marcante foi a celebração ecumênica que organizou e acolheu na Catedral da Sé, em 1975, poucos dias após a morte do jornalista Wladimir Herzog nas dependências do Doi/Codi paulista. A essas ações, seguiram-se outras iniciativas em defesa dos oprimidos e de contestação da ordem ditatorial, como a edição do dossiê “Tortura nunca mais”, que denunciou os mortos e desaparecidos durante o regime militar.

ALMG vai reparar erro histórico

A concessão do título de cidadão honorário de Minas Gerais já foi negada a Dom Paulo Evaristo Arns no passado. Em 1979, o Projeto de Lei 130/79, do ex-deputado Milton Lima (PMDB), que propunha tornar cidadão mineiro o então arcebispo de São Paulo, foi rejeitado pelo Plenário da ALMG.

Para o presidente Dinis Pinheiro, que apresentou requerimento para a homenagem posteriormente referendado pelo ex-governador Antonio Anastasia (por meio do Decreto 119/14), a Reunião Especial será a oportunidade para a ALMG vai corrigir um erro histórico. Ele lembra a atuação de Dom Paulo Evaristo Arns em defesa dos direitos humanos durante a ditadura militar. "O Parlamento mineiro faz justiça ao papel que ele desempenhou na resistência ao arbítrio, especialmente nos momentos mais duros, após o AI-5", destaca.

Por encontrar-se em regime de reclusão total em um convento em Taboão da Serra (SP), Dom Paulo Evaristo Arns indicou o sobrinho, Nelson Arns, filho da fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, e atual coordenador internacional da Pastoral da Criança, para representá-lo na solenidade. Segundo sua assessoria particular, o cardeal ficou feliz ao ter conhecimento da homenagem.

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