sexta-feira, 11 de Abril de 2014 09:45h

Anunciados mais cinco sismógrafos para estudos dos tremores de terra em Montes Claros

Em coletiva realizada na universidade estadual, autoridades acompanharam esclarecimentos e a divulgação sobre os novos equipamentos na área do município.

Os estudos desenvolvidos a partir do convênio entre a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) e a Universidade de Brasília (UnB) sobre os abalos sísmicos registrados em Montes Claros serão ampliados com a instalação de mais cinco sismógrafos na área do município. A informação foi divulgada, na tarde desta quinta-feira (10/04), pelo professor Lucas Vieira Barros, chefe do Observatório Sismológico (Obsis) da UnB, durante coletiva com a imprensa no Salão de Conselhos da Unimontes.

Os trabalhos já começaram e até o final de semana todos estarão em funcionamento. Por causa do excesso de ruídos e outras interferências, os aparelhos só podem ser colocados em áreas remotas. Atualmente, já há em funcionamento três sismógrafos.

Outra medida confirmada pelo pesquisador, que esteve acompanhado pelo professor Expedito José Ferreira, responsável pelos estudos sísmicos no âmbito da Unimontes, está na viabilidade da transmissão de dados em tempo real, com o envio imediato para o Obsis, no Distrito Federal, o que permitirá detalhes mais precisos sobre os epicentros dos abalos, suas posições, magnitude, velocidade de propagação, tempo de duração da “onda” sísmica e a profundidade, dentre os pontos mais importantes.

Também participaram dos trabalhos o coronel Franklin Silveira e Mattson Malveira, secretário municipal de Defesa Social e chefe da Defesa Civil Municipal, respectivamente, o Major Waldeci Gouveia Rodrigues, comandante do 7º Batalhão do Corpo de Bombeiros, e a primeira-dama do município, Raquel Muniz.

Falha geológica

O professor Lucas Vieira voltou a destacar que a incidência dos abalos está associada à existência de uma falha geológica (ou fratura) sob a área do município de Montes Claros, que segue o sentido Norte/Noroeste-Sul/Sudeste com extensão de cerca de dois quilômetros e profundidade variável entre 500 a 2.000 metros. Ele foi enfático ao destacar que a Universidade de São Paulo (USP) tem participação direta em todas estas ações.

“Não há um padrão de comportamento dos tremores, mas se acontecem numa mesma região constata-se que a falha não é tão extensa e, por isso, não gerará abalos de maiores proporções”, disse. E completou: “a magnitude de cada tremor depende diretamente da área que se rompe e da extensão desta falha”. Diante deste cenário, explicou que “não existe a possibilidade dos chamados tremores catastróficos em Montes Claros (acima de 7.0 na Escala Richter – que vai até 9).

No entanto, ele voltou a esclarecer que os abalos “não são previsíveis, mas que os estudos com as oito estações em funcionamento ao mesmo tempo serão determinantes para identificar as incidências desses tremores; se eles estão migrando e se a falha pode ser mais extensa do que foi identificada até aqui”.

Mais recentes

Nos dias 1º, 6 e 7 deste mês, foram registrados sete abalos de maior intensidade em Montes Claros. O maior deles com magnitude de 3.9 na escala Richter no domingo (6). “Estamos aqui para instalar os novos aparelhos, apurar os dados dos abalos mais recentes e, assim, investigá-los com maior precisão, assim como reiterar a cooperação que existe entre as universidades”.

“O convênio (UnB/Unimontes) está em pleno funcionamento e a cada etapa cumprimos uma das metas de transferência de conhecimento e tecnologia à Unimontes para o melhor andamento dos trabalhos. A leitura dos dados em tempo real pelo sistema on-line será um grande avanço neste sentido”, completou Lucas.

O estudo da sismicidade em Montes Claros data de 1978, mas somente em 2012 foram instalados os sismógrafos no município para a identificação das fontes dos tremores de terra no município. Nove deles chegaram a funcionar ao mesmo tempo, o que revelou, por exemplo, a existência da falha geológica.

“Trabalhamos com a ciência e no caso dos abalos sísmicos não há exatidão. Já avançamos muito de dois anos pra cá com a identificação das falhas. Os estudos continuam para que possamos ter dados com maior precisão”, acrescentou o professor Expedito Ferreira.

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