segunda-feira, 5 de Maio de 2014 09:29h Atualizado em 5 de Maio de 2014 às 09:31h.

Atendimentos na Rede de Urgência e Emergência salvam vidas em Minas Gerais

Cerca de cinco milhões de pessoas, de 316 municípios, têm acesso aos atendimentos da Rede no Estado, no menor tempo possível e no lugar certo.

Layla Regina Gama, mãe aos 16 anos, moradora do município de Estrela Dalva, na Zona da Mata, teve complicações após ganhar seu primeiro filho. Dois dias após receber alta médica, a adolescente começou a sentir fortes dores abdominais. A família então voltou ao hospital, em Estrela Dalva e, por meio de alguns exames, a adolescente foi diagnosticada com forte anemia, sendo encaminhada para Além Paraíba e depois para Cataguases. No município solicitaram um ultrassom da jovem, onde diagnosticaram uma hemorragia interna devido ao parto.

Os médicos, ao pedirem exames mais detalhados, descobriram que a jovem mãe estava com anemia profunda, hemorragia e iniciando problemas renais. Internada e após cinco convulsões seguidas, os médicos acionaram a Central do Samu Macro Sudeste, que chegou em pouquíssimo tempo, levando a paciente grave, em um helicóptero, ao hospital de referência da Rede, em Juiz de Fora. Internada no Centro de Terapia Intensiva da Maternidade Therezinha de Jesus, Layla recebeu todos os cuidados necessários e, hoje, passa bem e não corre mais risco de morte.

“O estado de saúde em que minha filha se encontrava era muito grave, poderia morrer a qualquer momento. A velocidade em que tudo aconteceu, desde o momento em que o problema dela foi diagnosticado até a chegada do helicóptero do Samu para realizar a transferência  para a maternidade, em Juiz de Fora, foi decisivo para salvar a vida da minha filha. Agora ela está salva e meu neto logo irá ficar com a mãe”, relata emocionada a mãe da adolescente, dona Ercília Amélia Gama.

Layla e outras cinco milhões de pessoas, em 316 municípios, têm acesso ao atendimento de urgência e emergência no Estado em menor tempo possível e no lugar certo. “A definição da macrorregião como unidade para implantação das Redes de Urgência e Emergência em Minas Gerais se deve, principalmente, à necessidade de garantia de escala, acesso e qualidade na assistência à saude no que concerne aos atendimentos de urgência. Em saúde, muitas vezes, se não temos volume, não conseguimos garantir qualidade, eficiência e eficácia. Com as Redes de Urgência e Emergência divididas por macrorregiões, atenderemos um maior número de pessoas em menor tempo, possibilitando assim a redução de mortes e complicações que podem ser evitadas”, informou o Coordenador de Urgência e Emergência da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, Rasível dos Reis Júnior.

Linguagem única

Ainda segundo o Coordenador, antes da implantação das Redes “o SAMU só existia nas grandes cidades. Não havia definição de uma tipologia hospitalar, não havia envolvimento da atenção primária no atendimento dos casos agudos e não existia um comando único que integrasse em rede os cuidados de urgência e emergência, nem uma linguagem única para classificação de risco. Para interligar todas as áreas de atendimento, a forma encontrada foi a criação de consórcios intermunicipais de saúde, coincidindo com as macrorregiões, ocasionando assim a criação das 12 Redes de Urgência e Emergência em Minas”, explicou.

O atendimento é realizado pelo SAMU 192, por meio da Central Operativa de Regulação Macrorregional, onde médicos reguladores, telefonistas auxiliares de regulação médica e rádio operadores orientam, 24 horas por dia, o atendimento de urgências, utilizando a classificação de risco e priorizando a necessidade de assistência em urgência, além de ordenar o fluxo efetivo das unidades de referências dentro da Rede.

Rede de Urgência e Emergência de Minas Gerais

Atualmente existem no Estado quatro Redes de Urgência e Emergência em pleno funcionamento (Norte, Centro Sul, Nordeste/Jequitinhonha e Sudeste). Cada estrutura é composta pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) macrorregional, Atenção Primária em Saúde, Unidades de Pronto Atendimento, Pontos de Atenção Hospitalar, Complexo Regulador e Comitê Gestor Macrorregional das Urgências e Emergências. A primeira Rede Regional de Urgência e Emergência de Minas Gerais foi implantada na Macrorregião Norte, em 2009.

Segundo Rasível Reis a previsão é que até o 2º semestre de 2015 toda a população do Estado esteja coberta com as 12 Redes de Urgência e Emergência (SAMU e Componente hospitalar). “O próximo passo é a instalação do SAMU Regional nas três Redes (Centro, Sul e Leste) que já possuem o componente hospitalar, para que possam ser inauguradas até o primeiro quadrimestre de 2015. E em seguida a implantação das outras cinco Redes restantes (Triângulo do Sul, Leste do Sul, Oeste, Triângulo do Norte e Noroeste). Os desenhos das Redes já estão prontos e, ao todo, serão 360 Unidades de Suporte Básico (USB), 87 Unidades de Suporte Avançado (USA), 12 Centrais Operativas, 06 helicópteros, 02 aviões e cerca de 250 hospitais”, finalizou.

Até o momento já foram investidos (capital e custeio) mais de R$ 1 bilhão de reais (R$ 1.020.000.000,00) de recursos do tesouro Estadual. A previsão é que sejam investidos mais R$ 200 milhões na implantação. O custeio estadual estimado por ano será de R$ 700 milhões, o valor será utilizado na manutenção das Redes em todo Estado.

Modelo de atenção

A Rede Regional de Urgência e Emergência tem abrangência macrorregional e pode apresentar variações de acordo com as especificações de cada região. O modelo de atenção para as condições agudas é a classificação de risco. O Protocolo de Manchester informatizado, disponibilizado pela SES-MG em cada ponto de atenção da Rede Regional de Urgência e Emergência, é adotado como linguagem única na classificação de risco das demandas de cuidado para as condições agudas.

Hospitais

Os Hospitais participantes da Rede de Resposta Hospitalar às Urgências e Emergências são definidos de acordo com sua classificação e sua função na Rede, observadas as seguintes tipologias:

-Hospital Geral de Urgência Nível IV, Hospital Geral de Urgência Nível III, Hospital Geral de Urgência Nível II, Hospital de Referência ao Trauma Nível I, Hospital de Referência às Doenças Cardiovasculares Nível I, Hospital de Referência ao Acidente Vascular Cerebral Nível I e Hospital de Urgência Polivalente Nível I.

O plano regional para a definição do quantitativo e da localização dos hospitais que irão compor a Rede Regional de Urgência e Emergência é elaborado em oficinas de trabalho, considerando os seguintes critérios: população adscrita e tempo resposta de no máximo 60 (sessenta) minutos, através de um ponto fixo ou móvel, para 90% (noventa por cento) da população da macrorregião e da capacidade instalada da instituição.

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