segunda-feira, 14 de Abril de 2014 13:59h

Aulas de artes marciais atuam como ferramentas pedagógicas em escolas da rede estadual

Mais do que a possibilidade de ganhar medalhas, as aulas proporcionam aos estudantes lições sobre disciplina, concentração e cooperação entre os colegas.

Aproximadamente 50 alunos da Escola Estadual São Judas Tadeu, do município de Araguari, no Triângulo Mineiro, têm uma grande novidade a partir desse mês: eles passam a ter aula de caratê. As aulas são no contraturno escolar e são oferecidas a partir do Projeto Educação em Tempo Integral.

As aulas de artes marciais não são novidade nas escolas que têm aulas em tempo integral – a Superintendência Regional de Ensino de Uberaba até mesmo realiza um festival de artes marciais. “O caratê traz maior disciplina, faz com que eles fiquem mais calmos. Queremos que eles aprendam que não devem brigar com os colegas”, explica a diretora da escola, Lucineide Aparecida de Oliveira.

Segundo a professora de Educação Física e carateca de faixa marrom, Janaína Vanessa de Oliveira, as aulas trazem mais que disciplina. “Vi que os alunos não tinham coragem de seguir em frente, se eles viam um obstáculo desistiam. Estou trabalhando esse espírito com o caratê, que não é uma habilidade fácil. E é um esporte que não é em equipe, mas exige muito a cooperação de quem está lá na hora. Acredito que vai direcionar a energia dos alunos para a cooperação, vai criar bem estar na sala de aula”. Ela destaca, ainda, o contato que os alunos têm com uma cultura diferente.

A professora já deu aulas introdutórias e ficou satisfeita com a resposta dos alunos, como Rander Eduardo Ferreira de Farias Mouvinho, que faz o 3º ano do ensino fundamental na escola. “Estou achando bom ter aulas de caratê. Já tive duas aulas e achei bom. Também ajudamos a montar o tatame”, contou. O tatame foi montado por alunos e pela professora essa semana.

“Eles até me surpreenderam. Achei que teria uma resistência, porque eles estão mais acostumados com coisas do dia a dia deles. Eles viram que era diferente e parece que entraram naquele mundo. Nas primeiras aulas eles concentraram, eles tentavam pronunciar os nomes de maneira correta, eles queriam aprender. Vi que vai ser bom, que vai superar minhas expectativas mesmo”, diz Janaína.

Resultados

A Escola Estadual São Judas Tadeu está apenas começando, mas outras escolas já colhem os frutos do trabalho das aulas de lutas realizadas dentro do Projeto Educação em Tempo Integral. Alunos da Escola Estadual José Bonifácio, de Poço Fundo, no Sul de Minas, por exemplo, já participaram do Campeonato Brasileiro de Judô.

A Escola Estadual Doutor José Maria Lobato, do município de Oliveira, no Centro-Oeste de Minas, já ofereceu aulas de judô por três anos. Até agora, cerca de 100 alunos já fizeram aulas do esporte na escola. “Uma aluna foi a Belém do Pará, outra a Fortaleza. Eles foram a lugares que nunca imaginaram por causa do judô. Eles vão pelos Jogos Escolares de Minas Gerais (Jemg) e também já participamos do Campeonato Panamericano”, conta a diretora da escola, Ana Maria Avelar Caldeira Brant.

Como espera a equipe da Escola Estadual São Judas Tadeu, os resultados não são apenas as medalhas, como prova o trabalho realizado pela Escola Estadual Doutor José Maria Lobato. “Acho o judô fantástico. O comportamento melhora muito. Trabalha muito a disciplina, ajuda bastante nisso. Ainda não começamos com as aulas esse ano, mas estamos pensando também em oferecer Taekwondo”, complementa Ana Maria.

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