segunda-feira, 22 de Outubro de 2012 16:25h Gazeta do Oeste

Aumenta número de mães com apenas um filho em Uberlândia

O número de mulheres com apenas um filho em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, aumentou. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), passou de 20,5% em 2000 para 24,55% em 2010. Já o número de mulheres com seis filhos caiu. Era 9,8% em 2000 e passou para 5,59% em 2010. Entre os motivos estão as inúmeras tarefas que a mulher têm e as escolhas que ela precisa fazer.
Priscilla Camargo é professora e pesquisadora, militante social, poeta, dona de casa, esposa e mãe de Stella Camargo Rocha, de oito anos. Para ela, exercer todas essas funções não é fácil. Segundo Priscilla, diante de tantas tarefas, a mulher tem que fazer escolhas e a maternidade acaba ficando em último plano, mas ela teve a sorte de contar com a família. “Mesmo com tanta correria, eu sei que eu sou uma pessoa de muita sorte, porque tanto a minha família quanto a família do pai da Stella a acolheram de forma maravilhosa. É que na época que ela nasceu eu viajava muito a trabalho para Belo Horizonte, Brasília. Com isso, a minha filha ficava com a minha mãe e com a outra avó. Eu então criava a Stella neste meio tempo, nesta correria toda”, contou.
Administrar o tempo é fundamental para a mulher moderna. Por isso, sempre que pode a professora e a filha Stella se dedicam a um dos prazeres em comum: cozinhar. Mas a menina, que quase sempre não tem companhia para brincar, disse que sente falta de uma irmã. “A maioria dos meus colegas na escola tem irmão e eu fico meio triste porque eu sou uma das únicas que não tem”, disse a menina.

Priscilla se encaixa no perfil da mulher brasileira atual, que decidiu ter poucos filhos. Segundo Cláudia Guerra, do Núcleo de Estudos do Gênero da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), existem vários fatores para esta situação. “Existe uma relação direta de escolaridade e taxa de fecundidade. Se as mulheres têm até a 4ª série, elas têm uma média de 3,9 filhos. Já aquelas que têm nível superior completo têm 1,15 filhos. A questão é que muitas mulheres acumulam o cuidado da casa, os filhos e ainda a jornada de trabalho, que é um desestímulo a se ter filhos”, explicou.
Ainda segundo ela, a pirâmide antigamente tinha muitos jovens no topo e agora vem se invertendo. “Estamos com uma longevidade maior, ficando mais velhos. Portanto, é preciso avaliar que filhos não são só da mãe, mas do pai, da família e o Estado precisa se prover de políticas públicas para que as pessoas tenha mais filhos com as condições que nós temos hoje”, acrescentou.
Outro fator que influencia na taxa de fecundidade, para as famílias, é o econômico. Os custos para criação de um filho podem representar, em média, 30%. Para Priscilla, ter apenas um filho facilita na hora de investir em educação, lazer e conforto, mas por causa da vontade de Stella e do marido, ela não descarta a possibilidade de uma nova gravidez. “Eu pretendo ter mais um filho, mas daqui um ano ou dois, porque os meus objetivos e do meu marido agora estão focados em outras coisas. E eu priorizo agora, também, cuidar da formação da Stella”, concluiu.

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