sexta-feira, 28 de Janeiro de 2011 00:00h

Bacia do rio São Francisco recebe investimentos e revitalização

O Programa de Revitalização das Sub-bacias Hidrográficas Formadoras dos Afluentes Mineiros do rio São Francisco vem sendo executado pela Fundação Rural Mineira (Ruralminas) desde 2006. As práticas de conservação de solo e água vêm se consolidando como ações eficazes para aumentar a oferta e a qualidade da água nos municípios que compõem a parte mineira da bacia do Velho Chico.

A construção de bacias para captar água das chuvas, a implantação de terraços, também conhecidos como curvas em nível, a colocação de cercas em nascentes e matas ciliares, e a readequação das estradas vicinais que cortam o meio rural diminuem a erosão do solo e o assoreamento dos cursos d’água. Combinadas, as técnicas retêm as enxurradas, evitam o carreamento de solo superficial para o leito dos rios e contribuem para a infiltração da água no terreno, alimentando minas e nascentes pelos lençóis subterrâneos.

De acordo com o balanço da Ruralminas, no ano passado, foram construídas 9.941 bacias de captação; 4.576 hectares de terraceamento, além da conservação e recuperação de 317 km de estradas vicinais com enfoque ecológico. Também foi feito o cercamento em 127 nascentes, e em 176 km de matas ciliares.

As intervenções permitem não só conservar e manter as estradas dentro de padrões trafegáveis por períodos mais longos, como preservar o meio ambiente e os recursos naturais, especialmente a água e o solo, prevenindo e controlando a erosão e, simultaneamente, estimulando a adoção de práticas conservacionistas pela comunidade.

O presidente da Ruralminas, Luiz Afonso Vaz de Oliveira, informa que a Fundação tem know-how e equipe técnica especializada na execução de projetos de recuperação/conservação de estradas vicinais. “Quando este trabalho não é realizado por pessoas especializadas, as ações são inadequadas, provocando voçorocas, deslizamentos de aterros, enchentes, erosões, assoreamento de várzeas e outros danos, com prejuízos incalculáveis e, muitas vezes, irreversíveis”, afirma.

Os recursos são de R$ 56,5 milhões, repassados por convênios firmados entre o Ministério do Meio Ambiente, por meio da Agência Nacional de Águas (ANA) e a Ruralminas; entre a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) - neste convênio, os órgãos executores são Ruralminas e a Emater -, e outro firmado diretamente entre a Ruralminas e a Codevasf.

O trabalho de revitalização na Bacia do São Francisco, executado pela Ruralminas, junto com a Emater, se classificou em primeiro lugar no 9º Prêmio Furnas Ouro Azul - Categoria Empresa Pública. O Prêmio é uma iniciativa dos Diários Associados, por meio do jornal Estado de Minas, e tem o objetivo de destacar os projetos que sejam bons exemplos de empresas e cidadãos quanto ao uso inteligente da água em Minas Gerais.

Mais ações pelo Estado
Em parceria com as prefeituras, por meio de locação de máquinas e equipamentos próprios, a Ruralminas executou obras de saneamento, dragagem de cursos d’água, aração e terraplanagem, beneficiando 10.614 produtores de 92 municípios de todas as regiões do Estado. Também foi desenvolvido trabalho de conservação e readequação de 18.499 km de estradas vicinais.

Também foi concluída a implantação do Projeto de Irrigação do Vale do rio Bananal, que vai beneficiar 160 famílias de pequenos agricultores, no município de Salinas, no Norte de Minas, com a incorporação ao processo produtivo de 811 hectares de terras que serão irrigadas.

No Projeto Jaíba, considerado um dos maiores polos de irrigação do país, foram feitas obras de recuperação e conservação de 260 km de estradas vicinais. O trabalho da Ruralminas ficou concentrado na Etapa 1 do projeto, e vai beneficiar quase dois mil pequenos produtores que ocupam sete mil hectares com o plantio de banana, manga, limão e sementes de hortaliças. “O investimento em infraestrutura, na área do projeto, vai facilitar o escoamento da produção agropecuária, além de garantir o transporte seguro da população”, afirma Luiz Afonso.

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