sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2013 08:34h Agência Minas

Banco de Medula Óssea recebe primeira doação

Unidade disponibiliza células progenitoras hematopoiéticas para o tratamento de doenças em um sistema autólogo, em que o doador é o próprio paciente

 O Banco de Medula Óssea (BMO) é primeiro dos seis Bancos que compõem o Centro de Tecidos Biológicos de Minas Gerais (Cetebio), autorizado pela Visa (Vigilância Sanitária Estadual) a começar a receber doadores-pacientes que necessitam de transplante de medula óssea. O procedimento é chamado de doação autóloga, realizada pelo paciente para seu próprio uso. A primeira medula doada de forma autóloga no BMO foi de um paciente de Uberaba.

O Cetebio, em implantação pelo Governo do Estado, será o primeiro centro público de multitecidos do Brasil e o maior da América Latina. Sob a administração da Fundação Hemominas, o complexo atua na captação, seleção, coleta, processamento, armazenamento e distribuição de tecidos e materiais biológicos seguros e de alta qualidade técnica, para transplantes em hospitais credenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A princípio, o BMO funciona no Centro de Especialidades (Cem) do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg). Após a conclusão das obras do Cetebio em Lagoa Santa, prevista para o primeiro trimestre de 2014, todos os bancos do complexo Cetebio passarão a funcionar no local. O espaço contempla laboratório, armazenamento e área administrativa. A equipe é formada por dois biólogos, um bioquímico, uma enfermeira e por uma médica hematologista, responsável técnica pelo Banco.

O Banco de Medula Óssea tem o objetivo de disponibilizar unidades de células progenitoras hematopoiéticas para o tratamento de pacientes portadores de doenças hematológicas, onco-hematológicas, imunodeficiências, doenças genéticas hereditárias, tumores sólidos e doenças autoimunes. A coleta da medula é realizada em hospitais ou hemocentros parceiros, sob determinação do médico responsável pelo paciente.

Procedimento

Para fazer a criopreservação (processo no qual células ou tecidos biológicos são preservados através do congelamento a temperaturas muito baixas) primeiramente é preciso preparar o paciente. É preciso que ele tome medicamentos para induzir as células produzidas na medula óssea a migrarem para o sangue periférico. A partir daí, o sangue é coletado em bolsas e separadas amostras para a realização de exames.

Ao mesmo tempo, o sangue passa pelo procedimento de aférese, no qual as células-tronco são isoladas. Então são adicionadas substâncias químicas nas células-tronco para que se tornem aptas a serem congeladas por até dois anos numa temperatura de 80° negativos. Para conseguir o número ideal de células-tronco para posterior transplante, poderão ser feitas até três procedimentos de coleta como esse.

Segundo a coordenadora do Cetebio, Márcia Salomão Libânio, este primeiro procedimento foi realizado para um paciente da cidade de Uberaba. Ainda segundo a médica, a implantação do Banco vai auxiliar os pacientes que necessitam do transplante. “A implantação do Banco poderá contribuir para um aumento nos transplantes de medula óssea no Estado, com diminuição de tempo de espera para a realização do procedimento”. De acordo com a coordenadora,’ hoje o tempo de espera é de cerca de um ano.

Cetebio

O Cetebio vai abrigar seis importantes bancos armazenadores de tecidos e materiais biológicos: Banco de Pele, Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Placentário, Banco de Medula Óssea, Banco de Sangues Raros, Banco de Tecidos Musculoesqueléticos e Banco de Valvas Cardíacas.

Envolvendo procedimentos de alta complexidade, o Cetebio irá disponibilizar à comunidade médica e à população usuária do SUS hemácias fenotipadas raras, células progenitoras  hematopoéticas, pele alógena, peças ósseas, tecidos musculares e valvas cardíacas, coletados e processados segundo critérios de qualidade internacionais e de acordo com normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde. 

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