sexta-feira, 17 de Julho de 2015 13:33h

BDMG sedia encontro de instituições de fomento do Mercosul

O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) sediou nessa terça-feira (14) o encontro de agências de fomento e bancos de desenvolvimento, como parte do V Fórum Empresarial Mercosul

Na abertura, o presidente do BDMG, Marco Aurélio Crocco, destacou a importância da troca de experiências entre instituições de fomento e da nova missão do Banco. “O BDMG tem assumido um papel cada vez mais protagonista em Minas Gerais. Este governo acredita que o Estado tem um papel relevante na economia”, afirmou.

O diretor financeiro e de crédito do BDMG, Rogério Sobreira, mediou o workshop sobre as experiências de dois bancos de desenvolvimento nacionais, o Banco de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e o Banco do Nordeste (BNB). “Queremos manter essa discussão permanentemente aqui no Banco, e este encontro é uma reflexão sobre o que é financiar desenvolvimento e o que é o banco de desenvolvimento”, disse.

O diretor-presidente do BRDE, Odacir Klein, explicou que a instituição tem uma estrutura diferente da de outros agentes de fomento, com presença nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, e regulamentado pelo Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul). Segundo Klein, o funding do BRDE é proveniente de repasses de recursos de programas federais aplicados principalmente no agronegócio, mas busca uma atuação mais consistente no setor de inovação. “Em 2014, a instituição financiou R$ 2,8 bilhões, que alavancaram R$ 5 bilhões em investimentos nas empresas financiadas e geraram R$ 400 milhões em arrecadação de ICMS nos três Estados”, disse. Ainda de acordo com Klein, o BRDE é fundamental em momentos de crise nacional e quando as finanças públicas estaduais estão debilitadas, mas não financia exportações para o Mercosul.

O superintendente do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste do BNB, Francisco Araújo Bezerra, explicou que o banco federal atende cerca de dois mil municípios brasileiros e possui funding de diferentes fontes, principalmente de três fundos: Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO) e Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO). Bezerra ressaltou que o BNB conta ainda com o maior programa de microcrédito produtivo orientado da América do Sul, o Crediamigo, mas que o financiamento à inovação ainda é um desafio para a instituição, em especial na garantia, já que a atividade inovadora oferece um risco elevado. Um estudo realizado no BNB apontou as diretrizes estratégicas da instituição até 2022: diversificação e ampliação da base produtiva, elevação da competitividade, ampliação de avanços sociais e promoção da sustentabilidade ambiental.

No segundo workshop, o chefe do escritório de representação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a América Latina e o Caribe, Márcio Cameron, mediou a discussão sobre agências internacionais. O executivo sênior da representação do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) no Brasil, José Rafael Neto, apresentou os trabalhos da entidade presente em 18 países, seja por meio de financiamentos, seja via cooperações técnicas ou fornecimento de garantias. Segundo ele, a CAF aprovou, entre 2007 e 2014, cerca de US$ 3,4 bilhões para o setor público no Brasil, especificamente para Estados e municípios. Neto explicou que a instituição tem a preocupação de promover a melhoria da produtividade, reduzir a desigualdade e ser um instrumento catalisador nas regiões onde atua. “Queremos trabalhar onde fazemos a diferença”, disse.

Já o economista da representação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no Brasil, José Luiz Rossi Jr., informou que a instituição tem desembolsos médios de US$ 2 bilhões por ano no Brasil. O BID foca em projetos de médio e longo prazos em cidades e áreas metropolitanas que tenham a preocupação com o desenvolvimento sustentável e com a qualidade de vida. Rossi Jr. afirmou que, a partir do próximo ano, o BID terá uma Tesouraria Nacional, o que permitirá à instituição captar em reais no mercado doméstico e emprestar também na moeda brasileira para o setor privado – o BID ainda aguarda autorização para atuar junto ao setor público.

Para Rogério Sobreira, do BDMG, o evento permitiu a reflexão sobre as distintas formas de atuação dos bancos de desenvolvimento. Em um cenário de escassez de recursos, é essencial que os seus efeitos sejam potencializados, bem como a atuação conjunta das instituições de fomento. “Esse tipo de evento aproxima, ensina e fortalece as conexões para a atuação conjunta entre as instituições”, finalizou.

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