sábado, 1 de Setembro de 2012 08:24h Gazeta do Oeste

Belo Horizonte é uma das capitais que menos crescem no país

Uma cidade que a cada dia cresce menos, cercada por uma região metropolitana que vive processo de expansão populacional. Essa é a realidade de Belo Horizonte, de acordo com os dados das estimativas populacionais dos municípios brasileiros, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto a capital registrou um aumento da população de 0,8% desde o Censo 2010, esse índice na Grande BH foi exatamente o dobro, de 1,6%.

 

 

As estatísticas, relativas a julho e divulgadas ontem pelo IBGE, revelam que a taxa de crescimento de 0,8% de BH é uma das menores entre as principais cidades do país, ficando à frente apenas de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, com índice de 0,5%. Em compensação, quando se avaliam os números das regiões metropolitanas, a RMBH registrou a segunda maior expansão do Brasil, sendo superada apenas pela Região Metropolitana de São Paulo, com aumento da população de 5%. Em números absolutos, a população de Belo Horizonte é de 2.395.785 habitantes, enquanto os moradores dos 34 municípios da RMBH somam 5.504.635 pessoas.

 

Segundo a coordenadora estadual do Setor de Disseminação da Informação do IBGE, a demógrafa Luciene Longo, os números confirmam a tendência de migração interna, com as pessoas trocando o espaço adensado e mais caro da capital pelas cidades próximas, que ainda estão em crescimento. Um desses municípios é Sarzedo, com um aumento populacional de 4,9% em dois anos. Nova Lima (3,3%) e Esmeraldas (3%) também registraram altos índices de expansão populacional entre o Censo 2010 e a estimativa populacional de julho.

 

 

“Já observamos há algum tempo que a região metropolitana vem recebendo moradores de BH, que não cresce tanto quanto outras grandes capitais. O espaço é pequeno, a questão econômica interfere e a tendência é essa, porque BH já está saturada”, afirma ela.

 

Para o pesquisador José Irineu Rangel Rogotti, do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional do Departamento de Demografia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a estimativa do IBGE aponta duas situações: a aceleração do envelhecimento dos moradores da capital e o desafio da Grande BH de acompanhar a expansão populacional. Ele lembra que, por causa da área reduzida e 100% urbana, a cidade tem uma alta densidade demográfica.

 

 

“É o que chamamos de pêndulo. A cidade não tem mais para onde crescer e os moradores preferem mudar para seu entorno, dependendo da capital somente para estudar e trabalhar. A população de alta renda segue, por exemplo, para condomínios de Nova Lima, enquanto os mais humildes  preferem Ribeirão das Neves e Esmeraldas”, afirma José Irineu. “Normalmente, quem opta por esse movimento de ir e vir todos os dias é uma população mais jovem, que vai começar a vida e constituir família”, explica o demógrafo. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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