quinta-feira, 30 de Agosto de 2012 15:17h Gazeta do Oeste

BH tem 88,6% mais casos de erro hospitalar

Uma simples visita de rotina ao pediatra é motivo suficiente para o menino Alan Breno Castro Novais, de 2 anos, se contorcer, gritar, usar as unhas e até os dentes para tentar escapar da consulta. O desespero se deve ao trauma que desenvolveu depois de ter a boca, a traqueia e o esôfago corroídos quando uma técnica em enfermagem lhe ministrou, por via oral, ácido tricloroacético em vez de sedativo. Foram 22 dias internado, desde 7 de abril, sendo cinco deles na unidade de terapia intensiva (UTI). “Ele fica até vermelho quando chega ao médico. Criou pânico. Fica repetindo: ‘Embora, mamãe, embora mamãe’”, conta a mãe do garoto, a manicure Érica Aparecida de Castro Novais, de 31. O sofrimento do menino e de sua família ilustra uma situação que se agrava em Belo Horizonte. De acordo com dados do Ministério da Saúde, o número de acidentes durante a prestação de cuidados médicos e cirúrgicos e de incidentes em diagnósticos e terapias aumentou 88,6% entre o primeiro semestre do ano passado e deste ano.

Segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS), internações por esses motivos dispararam no período, passando de 79 casos nos seis primeiros meses de 2011 para 149 internações em 2012. Ao longo de todo o ano passado houve apenas 30 internados a mais do que o total registrado durante este semestre em BH. É a pior parcial semestral dos últimos cinco anos, menos grave apenas que o quadro registrado em 2009, quando houve 187 casos durante os primeiros seis meses. 

Neste ano, duas pessoas já morreram pela imperícia e más condições hospitalares, de acordo com registros nos hospitais que atendem ao SUS, média que se manteve ao longo desses anos. Nem todos os pacientes são provenientes de hospitais públicos e postos de saúde, uma vez que, de acordo com médicos e enfermeiros, há quem seja atendido na rede particular e até receba alta antes de sentir os efeitos do cuidado inapropriado, sendo levado para atendimentos de urgência da rede SUS quando o quadro piora em casa. 

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