terça-feira, 24 de Fevereiro de 2015 10:51h Atualizado em 24 de Fevereiro de 2015 às 11:00h. Mariana Gonçalves

Caminhoneiros aderem a paralisação em Divinópolis

Com os caminhões parados no acostamento da MG-050, na altura do Km-132, próximo à entrada do bairro Quintino, em Divinópolis

Com os caminhões parados no acostamento da MG-050, na altura do Km-132, próximo à entrada do bairro Quintino, em Divinópolis, os motoristas sinalizaram que também estão participando das mobilizações nacionais em prol de melhores condições de trabalho para a categoria. O movimento começou por volta das 17h e até as 18h40 o congestionamento na pista era de quatro quilômetros.
O carreteiro autônomo e coordenador do movimento de paralisação em Divinópolis, Alexandre César de Sales, relatou que a classe está sem condições de trabalhar. A alta do combustível, os valores elevados dos pedágios e tributos sobre o transporte não têm compensado o valor do frete pago pelas empresas aos motoristas. Colocando os gastos no papel, a realidade é que os caminhoneiros estão pagando para trabalhar, por isso o movimento de paralisação nas estradas está a cada dia ganhando mais força.
“Óleo diesel muito alto. Há dez anos atrás nos vínhamos, por exemplo, de Belém [do Pará] para Minas Gerais, fazendo as contas do litro de óleo a R$ 0,70, hoje ele está aproximando dos R$ 3 e o valor do nosso frete continua a mesma coisa. Faz anos que ele não é reajustado. Temos os nossos compromissos de manter a família e pagar conta, e nós não estamos dando conta porque o dinheiro vai todo para o óleo diesel”, desabafa Alexandre.
Cabe destacar que a paralisação não se estende a veículos de passeio e a ambulâncias. Estes estão tendo acesso livre às pistas. “Pretendemos continuar com esse movimento até termos uma posição de melhoria. Estamos numa mobilização pacífica, a partir do momento que houver algum acordo a paralisação será encerrada”, completa o coordenador do movimento.
A ação contou com o apoio da Polícia Militar. De acordo com o subcomandante do 23º Batalhão de Polícia, major João Romeu Mendonça, o trabalho será resguardar a segurança e o direito de ir e vir do cidadão que queira transitar na via. Além disso, a PM conversou com os participantes do movimento para saber deles o período de duração da ação e também para que o efetivo analise as possíveis formas de intervenção. “A intenção é saber das lideranças do movimento as reivindicações que porventura possam ser levadas a debate junto ao escalão superior”, pontua o major.
Nenhum caminhoneiro está sendo obrigado a parar, o movimento ocorre com o consenso de todos estes trabalhadores. Também na MG-050 trecho do Km 85, em Itaúna, os caminhões foram estacionados no acostamento e pneus foram queimados em parte da pista. Os caminhoneiros que trafegaram pela BR-262 nas proximidades de Juatuba também cruzaram os braços. Em Pitangui, Oliveira, Itatiaiuçu e Pará de Minas os motoristas também aderiram ao movimento com a paralisação.

 

SEM CONDIÇÕES
Só nesses primeiros meses do ano o preço da gasolina já sofreu dois reajustes. Além de pagar caro para abastecer o tanque, os consumidores terão que desembolsar mais para o consumo de produtos e serviços. De maneira geral a alta no combustível obrigou diversos outros segmentos da sociedade a também se reajustarem, situação essa que tem revoltado muitos cidadãos.
O caminhoneiro Afonso José Pereira conta que em alguns locais o frete, que já está em valor defasado, está sendo reduzido ainda mais, um desestímulo para quem vive desse segmento. “O combustível aumentou duas vezes enquanto que [sobre] o frete nós não tivemos reajuste. Eu concordo com essa paralisação porque não está atrapalhando ônibus e carros pequenos, todos os caminhões estão parados no acostamento, sem nenhum problema. Precisamos disso, tem que ter essa união para conseguirmos alguma coisa, esse preço do combustível está muito abusivo”, encerra Afonso.

 

 

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Crédito:  Marcelo Praxedes
Crédito: Ana Laura Machado
Crédito: Policia  Militar

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