terça-feira, 28 de Outubro de 2014 11:36h

CAMPOLINA MARCHADOR: MAIS UMA NACIONAL DE TIRAR O CHAPÉU

Pela beleza e marcha cômoda, campolinistas transformam raça em referência de cavalo completo; exposição marca nova era

Cerca dez mil pessoas visitaram o Parque da Gameleira, em Belo Horizonte (MG), durante a 34º Semana Nacional do Cavalo Campolina, que ocorreu entre 8 a 18 de outubro. O evento contou com 130 expositores e quase 500 cavalos nos concursos de marcha e morfologia. Participaram criadores de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Distrito Federal e também de Alagoas, Espírito Santo e Ceará, onde a raça ainda é pouco conhecida. Mais importante do que cifras, os remates aproximaram novos criadores e usuários. Já as provas funcionais reuniram quase 90 criadores montados, dos mais experientes aos mais jovens. A participação desse último grupo, em especial, vem aumentando ao encontrar um ambiente mais competitivo. O mercado também presenciou uma das maiores premiações do mundo equestre, com a distribuição de 13 carros e 7 motos avaliadas em R$ 300 mil.

Os primeiros dias da mostra foram reservados para a admissão dos animais na Gameleira. O evento foi lançado oficialmente no dia 10 de outubro (sábado), mas na sexta-feira, os tratadores curtiram “Festa do Peão”, um reconhecimento da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Campolina (Campolina Marchador), aos quais também desempenham papel fundamental na perpetuação da raça. Estudos científicos sugerem que a genética representa apenas 30% de um campeão. O restante decorre de fatores externos, como a nutrição, a sanidade, a doma e os tratos que são submetidos.

Mesmo com tantos exemplares em pista, os dez jurados escolhidos para comandar o julgamento fizeram um trabalho considerado exemplar pela diretoria da associação. Divididos em dois grupos, um avaliando andamento e o outro a morfologia, atenderam clamores de associados que desejavam julgamentos mais criteriosos. Da mesma forma que nas Olimpíadas, maior e menor classificação eram desconsideraras. Também entrou em vigor o regulamento antidoping para a exposições nacionais da raça, adaptado em parceria com o professor Eustáquio Braga, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), nos moldes da Federação Equestre Internacional (FEI).

A programação social teve início no dia 16 de outubro, com a confraternização dos criadores e a promoção do II Leilão Nacional Explosão de Qualidade. Joel Bastos Garcia, da Fazenda Chaparral, em Cachoeiras do Macacu (RJ), recepcionou 500 convidados. A comercialização de 40 lotes resultou no faturamento de R$ 523.900,00 (média geral de R$ 13.097,50), com destaque para Oca do L.P.D., vendida pelo convidado Luiz Pacheco Drumond, do Haras L.P.D. É uma filha de Jacuí da Maravilha em Flecha de Santo Amaro e foi vendida por R$ 105.400,00 para Aylton Bernardino de Almeida.

No dia seguinte, 17 de outubro, Charles Marx, do Haras Chiribiribinha, de Duas Barras (RJ), promoveu o segundo leilão da Nacional. Para celebrar 27 anos de criação, ele apartou 36 lotes, a maioria filhas de Neruda do Chiribiribinha, pai de vários campeões nacionais, sétimo do livro de elite da raça. Criadores recém-chegados ao Campolina entraram na disputa, mas essa genética foi arrematada por selecionadores conhecidos. Dentre eles, estavam Haras Mandala (Petrópolis/RJ), Dona Flor, (Pará de Minas/MG), Atibainha (Atibaia/SP), Haras Anaiti (Bahia), entre outros. O mapa da leiloeira apontou faturamento de R$ 781.200,00 (média geral de R$ 21.700,00). A venda mais alta foi uma cota de 50% Babilônia do Chiribiribinha, arrematada por R$ 93.000,00.

Depois de tantas atrações, eis que chegava o momento mais esperado, quando todos conheceriam os campeões da exposição. Antes, uma pausa para outra oportunidade de bons negócios, o tradicional Leilão Raça Campolina Sun Shine, realizado pelos haras SantAnna, Top, Campanário, J.H.R, Campolina das Marias, Jaicurê, TK, Capibaribe, Anjos, R3M e Camparal. Juntos, leiloaram 49 lotes por R$ 1.259.840,00 (média geral de R$ 25.711,00). Este foi o leilão que atingiu o maior faturamento da Nacional, e nele também saiu uma venda por R$ 105.400,00, Haila da Hibipeba, comprada por um campolinista carioca. No início da noite, a tradicional “Choppada Campolina” acalmou um pouco os ânimos, mas os criadores não conseguiam disfarçar tanta ansiedade.

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