quinta-feira, 27 de Março de 2014 11:36h

Centro Mineiro de Toxicomania se afirma como renomado centro de ensino e pesquisa

O trabalho realizado no CMT se baseia no tripé tratamento – prevenção – pesquisas, e é por isso que a teoria ocupa uma posição tão importante.

O Centro Mineiro de Toxicomania, da Rede Fhemig, é conhecido nacionalmente pelo tratamento de excelência que oferece aos usuários de álcool e drogas, e por sua equipe multiprofissional. Com a experiência adquirida ao longo de 30 anos na prestação deste serviço, os profissionais da unidade acumularam um enorme conhecimento na área que possibilitou ao CMT se transformar também em um centro de referência em ensino e pesquisa.

Segundo o coordenador do Núcleo de Ensino e Pesquisa (NEP) do Centro, Gustavo Cetlin, o campo teórico formado, sobretudo na área da psicanálise, somente tem a contribuir às formações científicas e acadêmicas que hoje estão se aprimorando: “Firmamos parcerias com universidades, como a PUC Minas, e outros órgãos para conseguirmos cumprir a missão de não só prestar assistência, mas também construir um aparato conceitual que pode auxiliar inúmeros profissionais atuantes na área”, afirma.

O trabalho realizado no CMT se baseia no tripé tratamento – prevenção – pesquisas, e é por isso que a teoria ocupa uma posição tão importante nos projetos desenvolvidos. Para os profissionais do Centro, “a teoria se faz a partir da prática”: “Todas as nossas pesquisas visam um retorno positivo sobre a prática profissional, como a realização de um trabalho mais humanizado, a diminuição de rótulos e o favorecimento a atitudes mais tolerantes”, diz Gustavo.

Fortalecimento das práticas

As pesquisas desenvolvidas no CMT muitas vezes levam a resultados que mostram a importância das linhas já seguidas no tratamento, ou apontam a necessidade de reforçar as práticas estabelecidas. “Estes estudos ajudam a problematizar e fortalecer as ideologias já existentes e com as quais trabalhamos diariamente. Desse modo, sabemos também em quais projetos devemos investir mais”, explica a diretora do CMT, Raquel Martins.

Um exemplo que demonstra isso foi a realização da pesquisa “Redes Sociais: Reflexões sobre as Redes Informais dos Usuários de Álcool e Drogas” (2008), que expôs a importância dos familiares do paciente e outras pessoas de sua convivência, e a influência deles no tratamento: “o estudo mostrou que a participação da família é mais que fundamental durante o tratamento, é o ponto de ancoragem, principalmente no momento em que o usuário busca por ajuda”, avalia Raquel.

Instituição de ensino

Como centro de ensino, o CMT também se destaca com seus programas de estágio e residência, e cursos de capacitação e especialização. Na unidade, o estudante pode estagiar em áreas como psicologia, terapia ocupacional, serviço social, farmácia e administração hospitalar, e realizar visitas técnicas. O Centro também ofereceu dois cursos de pós-graduação com 360 h/a na área de assistência ao usuário de álcool e drogas: em 2005/2006 e 2011/2012.

Jornadas de Trabalho

Todos os anos, o CMT realiza a sua Jornada de Trabalhos, que, segundo Raquel Martins, é uma oportunidade de mostrar ao público o trabalho realizado dentro da unidade, por meio da apresentação de pesquisas desenvolvidas por funcionários. Outros renomados profissionais da área também são convidados para o evento, com o objetivo de participarem de discussões e exibirem seus próprios projetos: “A Jornada de Trabalhos do CMT já se transformou em um marco no nosso calendário acadêmico”, salienta Gustavo Cetlin. Em 2013, aconteceu a XXIV edição da Jornada, na Universidade Fumec, com o tema “Os excessos na contemporaneidade: a dose de cada um”. Na ocasião, também foram comemorados os 30 anos da instituição.

Pesquisas notórias

Algumas pesquisas desenvolvidas no CMT receberam destaque internacional: o trabalho “A Problemática do Crack na Região Metropolitana de Belo Horizonte”, que foi feito em parceria com o CNPQ e a PUC Minas, resultou em um livro, lançado em 2010, e recebeu dois prêmios na Feira de Livros de Frankfurt. Já a pesquisa “Violência e Drogas na Escola” também foi transformada em livro no ano de 2006, e foi desenvolvida pelos profissionais do CMT junto ao Ministério da Saúde e à ONG Terceira Margem.

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