sábado, 15 de Janeiro de 2011 00:00h

Chuva continua no Sudeste

Frente fria no litoral da região, associada a ondas de calor, resulta em altos índices pluviométricos

As chuvas registradas no Rio de Janeiro e em São Paulo são provocadas por uma frente fria estacionada no litoral da região Sudeste, associada à Zona de Convergência do Atlântico Sul, canal de umidade e calor originário da área tropical da Amazônia. A informação é do chefe do Centro de Análise e Previsão do Tempo do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Luiz Cavalcanti, que prevê a continuidade das precipitações nas próximas semanas, porém com menor intensidade e de forma contínua.

Os volumes de chuva nessas regiões ficaram acima de 80 mm na última semana, mais do que o previsto para um mês. O índice pluviométrico acima do normal resultou em enchentes e transbordamentos de rios, alagamentos em cidades, deslizamentos de terras e de estradas, quedas e destruição de pontes na Região Serrana do Rio de Janeiro, no Vale do Paraíba e em São Paulo.

O índice pluviométrico é calculado em milímetros, a partir da quantidade de chuva por metro quadrado em determinado local e período. Com base em aparelhos instalados na cidade, é possível chegar à média da precipitação observada na área total. “O índice é determinado pela altura média alcançada pela água a partir do chão e é medido por pluviômetros das centenas de estações meteorológicas do Inmet espalhadas pelo país”, afirma Luiz Cavalcanti

Para se ter ideia de como esses volumes podem ser significativos, as estações de coleta de dados do Inmet registraram, nos três últimos dias, 139,6 mm de chuva na região serrana do Rio de Janeiro. Em São Paulo (capital), choveu 126,9 mm, em dois dias. Na cidade paulista de São Carlos, os aparelhos registraram cerca de 100 mm, em dois dias. Em períodos de normalidade, chega a chover 10 ou 20 mm em um mês.

De acordo com o chefe do Centro de Análise e Previsão do Tempo do Inmet, o clima também é influenciado pela circulação atmosférica da terra, por meio dos movimentos de rotação e translação. Em certos anos, esses movimentos trazem problemas pelo excesso ou pela escassez de chuvas. Muitas vezes, esses efeitos são atribuídos a dois fenômenos naturais: o El Niño, aquecimento anormal das águas superficiais no centro e leste do Oceano Pacífico, nas proximidades da América do Sul; e La Niña, com particularidades opostas, como o esfriamento anormal nas águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical.

Tempo e clima

Na meteorologia existe uma diferença entre o tempo e o clima. O tempo é o estado físico das condições atmosféricas em um determinado momento e local. É a influência do estado físico da atmosfera sobre a vida e as atividades do homem. O clima é o estudo médio do tempo para determinado período ou mês em uma certa localidade. O clima abrange maior número de dados e eventos possíveis das condições de tempo para uma determinada localidade ou região. Inclui considerações sobre os desvios em relação às médias, variabilidade climática, condições extremas e frequências de eventos que ocorrem em determinada condição do tempo. (Sophia Gebrim)

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