terça-feira, 2 de Junho de 2015 11:15h

Coletor de Impressão Palmar irá facilitar o estudo de doenças congênitas e genéticas

Criado por pesquisadores mineiros, novo equipamento simples e de baixo custo poderá ajudar a identificar casais com propensão a ter filhos com lábio leporino

Pesquisadores mineiros desenvolveram um Coletor Palmar que identifica pais que possam ter predisposição a ter filhos com fissura labiopalatina, mais conhecida como “lábio leporino” ou “goela de lobo” - anomalia congênita, que provoca a abertura no lábio e no céu da boca em recém-nascidos. O equipamento simples e com custo reduzido será utilizado para capturar com precisão as ranhuras da mão, usadas em estudos dermatoglíficos, método que permite obter informações sobre a genética do indivíduo por meio da análise de impressões digitais.

 

A pesquisa para a criação do Coletor Palmar é um dos 13 projetos apoiados pelo Programa de Incentivo à Inovação (PII), realizado pelo Sebrae Minas e pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais, em quatro universidades e centros de pesquisa do Norte de Minas.

 

As fissuras labiopalatinas são congênitas, isto é, adquiridas antes do nascimento e podem ser causadas por fatores ambientais e genéti­cos. De acordo com estudos, a anomalia ocorre entre um de cada 600 nascimentos, causando problemas funcionais e estéticos, incluindo danos na mastigação, deglutição, amamentação e fala. “Com os dados dermatoglíficos podemos prever o percentual de chances de um casal ter filhos com essa anomalia e assim oferecer o apoio necessário caso isso aconteça”, explica o pesquisador da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), Hercílio Martelli Júnior.

 

Diversos estu­dos têm sido realizados no intuito de conhecer melhor as possíveis causas da deformação. Na Unimontes, um grupo de pesquisadores, em parceria com o Centro Pró-Sorriso (Alfenas), estudam os fatores de risco genéticos e ambientais que podem estar impli­cados. Porém, sem equipamentos no mercado que pudessem atender as necessidades dessa pes­quisa, os pesquisadores desenvolveram um novo Coletor de Impressão Palmar. “Devido a folha de papel ser plana e as mãos possuírem diversas concavidades, não conseguimos uma impressão precisa dos desenhos das mãos para fazer a leitura e coleta dos indicadores dermatoglíficos”, conta o pesquisador.

 

O Coletor Palmar é baseado na metodologia usada pela Polícia Civil para coletar as digitais. O equipamento é constituído por uma base de madeira, com um cilindro de 180 graus, que pode ser feito em plástico, metal e madeira. O objetivo é criar uma superfície convexa, onde se acondiciona o papel que irá coletar os dados dermatoglíficos do paciente. “A tinta gráfica é aplicada na mão da pessoa, que ao apoiá-la no papel que acompanha o formato do cilindro, captura com precisão as ranhuras da mão”, afirma Martelli.

 

Existem diversas opções de coletores palmares digitais no mercado, no entanto possuem um custo elevado. A diferença em relação ao método com tinta e papel pode chegar a 1000%, o que torna sua aquisição inviável por gru­pos de pesquisadores. Além disso, eles não oferecem precisão na coleta das ranhuras de outras partes, bastante importantes no caso das pesquisas relacionadas a doenças genéticas.

De acordo com o pesquisador, a metodologia pode ter seu uso extrapolado para as áreas da saúde como, por exemplo, para identificar possíveis casos de câncer de próstata e mama, desempenho atlético e doenças degenerativas. Com o Coletor Palmar será possível estudar com mais precisão a probabilidade dos pacientes terem outras doenças, por meio da análise dermatoglífica.

O produto já está patenteado e deve custar aproximadamente R$ 100. O coletor poderá ser utilizado nas universidades e centros de pesquisa envolvi­dos em estudos sobre doenças genéticas.

PII


O Programa de Incentivo à Inovação estimula a criação de novas tecnologias, produtos e processos inovadores para o mercado, a partir do conhecimento gerado nas instituições de ensino.  O programa, criado em 2006, já foi realizado em universidades, faculdades e centros tecnológicos de Lavras, Itajubá, Juiz de Fora, Viçosa, Uberlândia e Belo Horizonte.

Em Montes Claros, o edital de seleção do PII foi publicado em 2011, para pesquisadores da Unimontes, Faculdade de Ciência e Tecnologia (Facit), Instituto de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Minas Gerais (ICA/UFMG) e Faculdades Integradas do Norte de Minas – Instituto de Ciências da Saúde (Funorte).

“O objetivo do programa é proporcionar uma mudança cultural nas universidades e nos pesquisadores, com a disseminação da cultura empreendedora, a obtenção de novos recursos para pesquisa e a possibilidade de geração de empregos para estudantes graduados e pós-graduados”, diz a analista da Unidade de Inovação e Sustentabilidade do Sebrae Minas, Andrea Furtado.

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