sexta-feira, 20 de Novembro de 2015 12:44h Atualizado em 20 de Novembro de 2015 às 12:47h.

Coletoras de resíduos de BH são homenageadas pela ALMG

Comissão premia trabalhadoras da coleta que fazem suas tarefas dançando e cantando e recebem reconhecimento da população

Pioneiras na coleta de resíduos com caminhão na Capital, atuando na empresa KTM, contratada pela Prefeitura de Belo Horizonte, quatro coletoras e sua equipe foram homenageadas pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na manhã desta quinta-feira (18/11/15). A homenagem foi solicitada pela deputada Ione Pinheiro (DEM), e realizada em reunião da Comissão de Cultura. A parlamentar, juntamente com o deputado Wander Borges (PSB), entregaram diplomas com manifestação de aplauso a cada uma das coletoras, que durante seu árduo trabalho, cantam e dançam. Também foram homenageados a motorista do caminhão, Sara Lages Gregório; o gerente de Limpeza Urbana da KTM Administração e Engenharia, Marcelo Frederico Maximiano Senna; e a supervisora da equipe feminina de limpeza urbana da KTM, Ivanete Souza Coradi.

Ione Pinheiro parabenizou as trabalhadoras: “Vocês deram visibilidade a um trabalho que é considerado invisível. Com essa atuação, engrandecem a mulher, a sua profissão, e ainda, fazem um trabalho de muita qualidade. São verdadeiros exemplos para todos nós!”, elogiou Ione. “Vocês já fazem parte da história de Belo Horizonte e de Minas Gerais. Vendo esse projeto, as pessoas passam a valorizar mais a vida e a levarem de uma forma mais leve”, defendeu.

Vídeo - Foi apresentado um vídeo com trechos de uma reportagem feita pelo apresentador Rodrigo Faro em seu programa na TV Record. Sob o título, “Coletoras de lixo: Popozudas do Cheiroso”, a matéria destaca que a ideia de colocar um caminhão só com mulheres partiu do gerente Marcelo Senna, há pouco mais de um ano. A partir daí, as “meninas da KTM” vem percorrendo ruas da região Centro-Sul de Belo Horizonte, fazendo seu trabalho, ao mesmo tempo em que cantam e dançam, ao som do funk, preferencialmente.

Esse jeito descontraído tem chamado a atenção de moradores e transeuntes das ruas por onde elas passam. Muitas pessoas pedem para tirar fotos com as coletoras; outras acenam e dão seu apoio. Com todo esse jogo de cintura – cuidando das tarefas e retribuindo às manifestações de carinho – trabalham juntas: as coletoras Grazielle Santiago de Oliveira, Karen Cristina dos Santos Ribeiro, Sinália Pedroso Ramos, conduzidas pela motorista Sara Lages Gregório.

Karen Ribeiro agradeceu a homenagem. Ela apresentou sua receita para ser feliz no trabalho: “É preciso brincar, se distrair, tornar o trabalho mais divertido e mexer com as pessoas”. A trabalhadora relatou que, no início, os transeuntes olhavam e pensavam que elas estavam sofrendo. “Então, resolvemos mostrar que não é assim. Porque trabalhamos com lixo não significa que somos lixo”, enfatizou.

Amor à profissão - Sara Gregório lembrou que muitos diziam que elas não dariam conta do trabalho por serem mulheres. “Estamos provando que não existe serviço só pra homem ou só para mulher”, reforçou. Disse ainda que algumas pessoas já a aconselharam a estudar e buscar outra profissão. Mas ela discordou dessa opinião. “Se eu atuo como motorista é porque eu gosto! Eu amo dirigir mesmo. Adoro fazer o que eu faço”, rebateu, destacando que esse sentimento é compartilhado pelas outras.

Também Grazielle de Oliveira repisou que, como as pessoas tendem a desvalorizar o trabalho feminino, ela e suas colegas tiveram que passar por um período de afirmação até serem reconhecidas. “Nossa rotina não é fácil: Sair para trabalhar duro e transmitir alegria às pessoas”, analisou. Complementando, Sinália Ramos registrou que o trabalho diário com a equipe tornou-os uma família. “Quero continuar fazendo meu trabalho e muito feliz”, concluiu.

O gerente Marcelo Senna agradeceu a homenagem da ALMG ao trabalho realizado. “Meu papel, como gestor, foi idealizar o projeto. No mais, foram elas, com sua espontaneidade e alegria”, afirmou. Na opinião dele, o projeto e o o reconhecimento obtido estão dando visibilidade aos profissionais da limpeza urbana. “A maior parte da população acha que é só colocar o lixo no saquinho e pronto. Mas é aí que nosso trabalho começa”, lembrou ele, esperançoso de que o projeto das coletoras possa servir de exemplo para outras iniciativas similares. Complementando, Ivanete Coradi, supervisora da equipe, afirmou estar orgulhosa pela repercussão que o trabalho de sua equipe obteve.

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