quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2015 12:20h

Com apoio da Codevasf, famílias do semiárido mineiro produzem 800 toneladas de mel ao ano

A produtora rural e apicultora Luzia Alves da Costa, da comunidade de Buritizal, no município de Guaraciama (MG), viu na criação de abelhas mais uma fonte de renda para a família

Hoje, com a ajuda dos três filhos, divide o tempo entre os afazeres domésticos e a atividade de apicultura. A família de Luiza é uma das que estão sendo beneficiadas com a implantação de 500 kits apícolas familiares em Minas Gerais pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

“O apoio da Codevasf foi a minha salvação e de muitas outras famílias, que sempre viam as suas esperanças de dias melhores morrerem com as plantações agrícolas”, afirma a apicultora. Ela explica que, diferente das demais atividades agropecuárias, a apicultura sofre menos os efeitos impostos pelas longas estiagens que assolam a região onde mora.

Além dos kits familiares implantados – até o momento, foram 411, dos 500 adquiridos –, a Codevasf promoveu capacitações aos beneficiários, entregou materiais e equipamentos como centrífugas, tanques decantadores e embaladoras para unidades de extração, beneficiamento, armazenamento e comercialização de produtos apícolas. Também foi construída uma unidade de extração e beneficiamento de mel no município de Porteirinha.

O investimento na ação em Minas desde 2012 é de R$ 3,4 milhões e integra o eixo de inclusão produtiva do Plano Brasil sem Miséria, conduzido pela Codevasf em sua área de atuação, em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Regional do Ministério da Integração Nacional (SDR/MI).

“Essas ações estão sendo ampliadas a cada ano”, diz o engenheiro agrônomo da Codevasf Alex Demier. “Só nos últimos dois anos, os investimentos nesse segmento produtivo mais que dobrou, atendendo famílias em 19 municípios mineiros”, completa.

Desde 2006, mais de R$ 5 milhões foram investidos pela Companhia para incentivar o desenvolvimento de polos apícolas, beneficiando mais de 700 famílias e contribuindo para a produção de aproximadamente 800 toneladas de mel por ano em 26 municípios, a maioria no semiárido mineiro.

Aumento da produção

A apicultora Tânia Mendes Batista, da comunidade de Calindé, no município de São Francisco (MG), que iniciou na atividade com três colmeias, hoje tem 74 em franca produção e ainda neste ano deve chegar ao total de 114 colmeias. “Só no primeiro trimestre deste ano tenho a expectativa de colher mais de três toneladas de mel, e espero a colheita de 10 toneladas até o final do ano”, afirma.

Tânia Mendes, esposa do também apicultor e presidente da Associação dos Apicultores de São Francisco (Apiasf), Juarez Batista, convenceu o marido de que precisavam aumentar a produção e, para isso, resolveram vender todo o gado e investir na aquisição de mais colmeias e os outros equipamentos usados nas atividades apícolas.

“Em nenhum momento tive dúvidas de que estava fazendo a coisa certa. Tanto foi que hoje a troca do mugido do gado pelo zumbido das abelhas está dando não só um maior lucro financeiro, mas também a tranquilidade de saber que não irei ver a criação morrendo de fome e sede na roça. Hoje, gado, só para tirar o leite do consumo da casa”, afirma.

Para o superintendente regional da Codevasf em Minas Gerais, Dimas Rodrigues, casos como o da apicultora Tânia Mendes estão se tornando comum. “Com resultados dessa natureza, o desenvolvimento da apicultura na região do vale do rio São Francisco, em Minas Gerais, amplia não só as possibilidades de incremento da produção comercial, mas também a geração de emprego e renda, favorecendo a inclusão social em regiões carentes de oportunidades de trabalho, porém dotadas de condições naturais favoráveis a essa atividade produtiva”, destaca o superintendente regional da Codevasf em Minas Gerais, Dimas Rodrigues.

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