sexta-feira, 26 de Julho de 2013 08:52h

Comissão de café debate crise com estados

A união e fortalecimento do setor cafeeiro tem se intensificado com o acirramento da crise. A presença de representantes de todos os estados brasileiros foi destaque durante debate por soluções promovido na tarde de ontem (18/7), em Brasília, pela Comissã

A união e fortalecimento do setor cafeeiro tem se intensificado com o acirramento da crise. A presença de representantes de todos os estados brasileiros foi destaque durante debate por soluções promovido na tarde de ontem (18/7), em Brasília, pela Comissão Nacional de Café da CNA. Responsável por mais de 50% da produção nacional, Minas Gerais teve representação expressiva, com participação de dezenas de sindicatos. É do estado também a presidência do Conselho. O presidente da Comissão Estadual de Cafeicultura e diretor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG), Breno Mesquita, está à frente do colegiado nacional desde 2006.

A disponibilização dos recursos do Funcafé e as políticas de renda emergenciais para superar a crise foram assuntos centrais da reunião. “Dentre as alternativas levantadas, mais uma vez houve absoluto consenso na defesa de que um programa de opções públicas de venda é o único instrumento para a recuperação do setor neste momento crucial. É nesse sentido que estamos trabalhando junto ao Governo Federal. E precisamos de agilidade, já que a safra está sendo colhida e o que temos é o pior dos cenários para o produtor e, consequentemente, para a economia de milhares de municípios”, diz Breno Mesquita.

Além das opções públicas, outra medida emergencial discutida foi a liberação imediata dos recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira  (Funcafé). A verba de R$ 3,16 bilhões destinada a linhas de crédito para os cafeicultores foi anunciada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) há um mês e ainda não foi disponibilizada às instituições financeiras. “Temos cobrado continuamente mais agilidade do Ministério da Agricultura (MAPA) na liberação desses recursos que já deveriam estar disponíveis aos produtores há muito tempo”, explica. Segundo o diretor da FAEMG, a mesma agilidade é cobrada do MAPA na implementação do programa de opções públicas. “Se esses dois mecanismos não forem disponibilizados a tempo, enfrentaremos uma crise ainda pior e com graves consequências econômicas para o país, nesta e nas safras futuras, inclusive”, acredita.

Representante de Minas na Comissão Nacional do Café, o diretor da FAEMG João Roberto Puliti defendeu que, caso não sejam anunciadas as medidas necessárias até o final de julho, a Comissão volte a se reunir em caráter emergencial para definir uma estratégia de ação. “A proposta é que este novo encontro aconteça na FAEMG, possibilitando participação maior do estado líder na produção de café”, explica.

| Máquina para o café de montanha

Em um encontro marcado pela insatisfação dos cafeicultores frente à crise, houve também espaço para outros temas um pouco menos urgentes, mas igualmente importantes para o setor. Dentre eles, um sonho antigo, que pode estar mais perto de se tornar realidade: a colheitadeira para terrenos montanhosos. Representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas (ABIMAQ) participaram da reunião para conhecer melhor a demanda. A associação irá estudar o assunto e a viabilidade técnica e econômica do equipamento. Para isso, se reunirá ainda com o grupo de trabalho formado no MAPA para buscar informações relativas ao tamanho do parque cafeeiro e declividade das áreas, dentre outras. A máquina reduziria muito os custos de produção do café de montanha, que corresponde a cerca de 70% da cafeicultura mineira.

Também foi discutida a falta de uma regulamentação de qualidade para o setor, originada pela revogação da instrução normativa IN16, do MAPA, que tratava do controle de pureza do café colocado à disposição do consumidor. A Comissão Nacional de Café aproveitou o encontro para colher sugestões para uma proposta substitutiva que atenda a toda a cadeia.

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