sábado, 17 de Maio de 2014 07:33h

Comunidade grega de Minas se prepara para receber compatriotas durante a Copa do Mundo

A seleção grega faz a primeira partida do Mineirão no Mundial, contra os colombianos, e um grande número de gregos assistirá ao jogo.

Durante o período da Copa do Mundo, a comunidade grega em Minas Gerais aguarda inúmeros compatriotas que vivem em outros estados brasileiros para o primeiro jogo no Mineirão. Marta Bueno Derzekos, membro na Comunidade Helênica, explica que está sendo preparada uma recepção para o grupo e um roteiro de visitas a principais pontos turísticos da capital. “Igrejinha da Pampulha e Mercado Central já estão na programação”.

Dos que vêm do exterior, a Embaixada da Grécia prevê um número aproximado de mil turistas. Segundo o embaixador da Grécia no Brasil, Dimitri Alexandrakis, haverá em Belo Horizonte um consulado temporário para oferecer assistência aos gregos no mesmo espaço onde será realizada a Fan Fest, no Expominas. “Sabemos que Belo Horizonte está muito bem preparada para receber os jogos da Copa do Mundo. O Mineirão é um estádio excelente e temos certeza que vai trazer muita sorte à Grécia”, desejou o embaixador.

A equipe da Grécia, juntamente com os colombianos, abrirá no dia 14 de junho a série de quatro partidas da fase de grupos no Mineirão durante a Copa do Mundo. Essa será a terceira participação da seleção helênica, comandada pelo português Fernando Santos, no Mundial. A participação do grupo continua no dia 19, num duelo com os japoneses, em Natal (RN). No dia 24, fecham a participação na primeira fase contra a Costa do Marfim. O destaque da equipe grega é o atacante Giórgios Samaras, que atua pelo Celtic, da Escócia.

Legado histórico

Quando pensamos nos gregos e no seu legado, voltamos 2.500 anos no tempo com temas como filosofia, política, religião, mitologia, teatro e, apropriadamente, os Jogos Olímpicos. Parte dessa história foi trazida ao Brasil com as primeiras imigrações registradas durante o Império. Mas o maior fluxo aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial, no período de 1951 a 1960, com a chegada de mais de 10 mil gregos em navios.

Philippos Xenos, de 89 anos, foi um deles. Depois de atuar como soldado na resistência grega contra a ocupação dos alemães na guerra, ele embarcou para o Brasil. Naquela época, o jovem, artista plástico e restaurador, trabalhou no Rio de Janeiro e em São Paulo, mas foi em terras mineiras que resolveu ficar. Um dos atrativos para sua permanência foi o clima agradável encontrado em Belo Horizonte, conhecida naquela época como Cidade Jardim. “Parecia uma fazendinha. Temperatura muito boa e tudo muito tranquilo. Lembro-me de deixar o carro aberto em pleno centro da cidade”, relembra Xenos. Por aqui, casou-se e teve filhos, motivo pelo qual fixou morada no país, mesmo sendo latente a saudade por sua terra natal. “Minha pátria é a Grécia. Meus ascendentes estão por lá e parte importante da minha história também. Mas aqui constitui família e por isso sacrifiquei meu desejo de retornar”, justifica.

Como restaurador, Xenos fez reformas no Palácio da Liberdade, no Museu Abílio Barreto, na Secretaria Estadual de Educação, dentre outros locais. Naquela época, conta o grego, não existia mão de obra qualificada para a função e, por isso, ele era referência no estado. “Não havia escolas de artes como as que encontramos nos dias atuais e, por isso, ensinei o ofício a muitas pessoas”, orgulha-se. Ele trabalha até hoje num atelier localizado na área central da capital e destaca a educação e a família como os principais legados de seu povo. “Educação é tudo, o resto é sonho e filosofia”.

Xenos faz parte da Comunidade Helênica de Minas Gerais, composta atualmente por 60 famílias. O grupo é presidido por Kyriacos Aristides Mavroudis, de 83 anos, que há mais de 60 vive no Brasil. “Gosto demais da conta desse país. Povo hospitaleiro, com uma língua privilegiada. Quero morrer aqui”, explica o grego, que, mesmo gostando de morar aqui, faz questão de manter vivo alguns costumes de seu povo. Um deles é o de preparar o cordeiro no espeto e pintar ovos. “Neste ano, me dediquei a colorir mais 100”, diz o grego. O ovo para essa cultura significa a renovação da vida e a cor vermelha o sangue de Cristo.

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