terça-feira, 11 de Janeiro de 2011 00:00h

Consumidor de batata tem acesso a variedades segmentadas

Batatas vêm com indicação de uso culinário

Minas Gerais, maior produtor de batata do Brasil, registrou em 2010 uma colheita da ordem de 1,1 milhão de toneladas, equivalente a 32% da safra nacional do tubérculo, informa a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Além de se destacar com grandes safras, o Estado procura fortalecer o mercado com o Projeto de Segmentação da Batata, desenvolvido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) em parceria com a CeasaMinas/Contagem.

O Projeto de Segmentação da Batata, lançado em 2010, consiste na venda do produto no varejo com indicação das variedades específicas para “fritar e cozinhar” e “assar e cozinhar”. De acordo com o superintendente de Segurança Alimentar e Apoio à Agricultura Familiar da Secretaria da Agricultura, Lucas Scarascia, trata-se de uma iniciativa pioneira do Estado. “A segmentação é feita de acordo com as condições atuais do setor da batata, sendo uma delas a venda a granel, e as variedades ofertadas são aquelas que já existem nos sacolões e supermercados. Além disso, o consumidor não gasta mais para adquirir a batata segmentada, porque o produto tem o preço de mercado.”

Assim como Scarascia, o chefe de Agroqualidade da CeasaMinas, Joaquim Alvarenga, considera que “o projeto de segmentação corresponde à importância da batata no contexto da agricultura e pode ajudar no desenvolvimento sustentável de toda a cadeia estadual do produto”.

Experiência bem-sucedida
Desde o lançamento do projeto, as lojas Sacolão Center, do bairro Floresta, e Império das Batatas, no Mercado Central de Belo Horizonte, têm duas gôndolas destinadas à segmentação, uma com batatas para “fritar e cozinhar” e outra para “assar e cozinhar”. Os sacolões trabalham, nesta etapa, sempre com duas variedades dentre as seguintes: asterix, markies, caesar, ágata, cupido e mondial. Banners e cartazes afixados nos locais de venda orientam os consumidores sobre a segmentação e informam sobre os produtos com indicação de uso culinário. Além disso, os sacolões também distribuem folhetos com explicações sobre o projeto.

Para Luciana Rapini, assessora técnica da Superintendência de Segurança Alimentar e Apoio à Agricultura Familiar, o material de orientação e propaganda é um importante suporte para a formação de opinião a respeito da segmentação. “As pessoas que frequentam os sacolões integrados ao projeto agora têm informação suficiente para avaliar a batata além da aparência”, observa. “O quesito beleza sempre garantiu à ágata a preferência dos consumidores, mas o produto não atende a todas as demandas culinárias, devendo ser utilizado apenas para assar e cozinhar.” A assessora enfatiza que o mercado mineiro de batatas já possui cultivares específicas e necessita apenas de oferecer aos consumidores essas opções.

Segundo Geraldo Maia, proprietário dos sacolões Center, de Belo Horizonte, uma pesquisa realizada nas lojas da rede mostrou que 80% dos consumidores mineiros compram batatas para cozinhar e, quando precisam do produto para fritura, adquirem a mesma variedade. “Os consumidores agem dessa maneira por desinformação. Por isso, o Projeto de Segmentação da Batata tem importância fundamental. A informação apresentada na gôndola, neste caso para orientar o comprador sobre a finalidade específica da batata, ajuda a aumentar as vendas e beneficia toda a cadeia do produto”, ele acrescenta.

De acordo com Josemar Soares, gerente administrativo do Sacolão Center do bairro Floresta, os resultados obtidos pelo estabelecimento depois de aderir ao projeto superam as expectativas. “Destacamos o sucesso de vendas da Asterix, que tinha vendas médias de 150 quilos por dia e, depois de ser incluída na segmentação como produto indicado para fritura, tem a demanda de 800 quilos/dia. Portanto, o aumento foi superior a 400% como consequência da apresentação dessa batata ao consumidor com a indicação do uso que garante melhores resultados ao produto.”

O gerente confirma as observações do proprietário dos Sacolões Center: “O interesse dos consumidores pela asterix aumentou porque antes de ter informação sobre o projeto de segmentação eles tentavam fritar qualquer batata e o resultado era sempre ruim. Muitas pessoas achavam que o problema era da batata.” Soares ressalta que “agora o consumidor compra em nosso sacolão uma variedade de batata para uso imediato e leva também um certo volume do produto com outra indicação, estimulado pela possibilidade de preparar pratos diferentes”. Ele diz que a segmentação poderá ser introduzida em outras lojas da rede Sacolão Center (são 42 estabelecimentos) na próxima etapa do projeto.

O Império das Batatas, localizado no Mercado Central de Belo Horizonte, também informa que a segmentação da batata tem apresentado excelentes resultados. “Antes mesmo do projeto já fazíamos a indicação do uso culinário da batata para os consumidores, mas agora os resultados são melhores porque contamos com o suporte do material de divulgação com a marca da Secretaria da Agricultura e da CeasaMinas”, informa Adriano Reis de Souza, da equipe de vendas da loja. “Estamos trabalhando com batatas segmentadas das variedades ágata, para cozinhar e assar, e markies e asterix, para fritar e cozinhar”, diz Adriano. “Os consumidores têm elogiado o projeto e as vendas estão aumentando”, finaliza.

Reforço na comunicação
Luciana Rapini informa que uma das metas da segmentação da batata, já em 2011, é reforçar a comunicação sobre a possibilidade de compra do produto com a indicação de uso culinário. Atualmente, além do material de divulgação disponível nas lojas, os parceiros do projeto contam com a disposição do Movimento das Donas-de-Casa de Minas Gerais em mostrar aos seus associados os benefícios da iniciativa.

Para participar do Projeto de Segmentação da Batata, as empresas devem se dirigir ao Setor de Agroqualidade da CeasaMinas e comprovar que estão localizadas em Belo Horizonte, entre outros requisitos.

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