sexta-feira, 28 de Janeiro de 2011 00:00h

Crescem as exportações nas regiões mais pobres


“Um dos desafios estruturais do comércio exterior de Minas Gerais é aumentar as exportações em todas as regiões do Estado, com atenção especial para os Vales do Mucuri/Jequitinhonha, Rio Doce e para o Norte de Minas”. A afirmação é da secretária de Desenvolvimento Econômico, Dorothea Werneck, ao confirmar o crescimento expressivo que essas regiões, consideradas as mais pobres de Minas, apresentaram em 2010.

Segundo dados da Central Exportaminas, unidade vinculada à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (SEDE), que realiza mensalmente o Mapeamento das Exportações de Minas Gerais, com base nos dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), merecem destaque em 2010 os números do Norte e dos Vales do Mucuri/Jequitinhonha. O crescimento registrado foi superior a 57%, muito próximo à elevada média do Estado de 60%, que reflete em grande medida o desempenho das commodities minerais e agrícolas.

“O que estamos percebendo é que todas as regiões estão descobrindo no comércio exterior uma alternativa de crescimento e de desenvolvimento. Só para citar um exemplo, no Norte podemos destacar as exportações de insulina e outros medicamentos, de frutas e carnes”, enfatizou a secretária.

No ano passado, 35 novos municípios mineiros entraram na relação de municípios exportadores brasileiros ou voltaram a exportar, segundo levantamento da Central Exportaminas. Entre eles está Comercinho, no Vale do Mucuri/Jequitinhonha, que está vendendo granito. Merecem ser citados também os municípios de São Lourenço, que está comercializando água mineral com o mercado internacional, enquanto Monte Sião, também no Sul de Minas, está negociando produtos têxteis.

Apenas no Norte de Minas, três municípios estrearam no comércio exterior no ano passado: Divisa Alegre, Vargem Grande do Rio Pardo e Manga. Já nos Vales do Jequitinhonha/Mucuri, além de Comercinho, Ataléia, Ponto dos Volantes, Capelinha e Virgem da Lapa passaram a participar do comércio internacional. Foram exportados por esses municípios granitos, café, mangas, sementes de girassol, semente de frutas oleaginosas não especificadas e pedras preciosas. Os principais destinos foram Estados Unidos, Canadá (América do Norte), Holanda, Suíça, Itália e Espanha (Europa). Outros destinos menos comuns como Turquia, Moçambique e Peru também foram contemplados com produtos do Norte de Minas ou dos Vales Jequitinhonha/Mucuri.

Também estão na lista de novos exportadores mineiros, Mendes Pimentel, São Gonçalo do Rio Abaixo, Rio Piracicaba, Morada Nova de Minas, Nazareno, Campina Verde, Tiros, Bonfinópolis de Minas, Carmópolis de Minas, São Joaquim de Bicas, Sacramento, Conceição do Rio Verde, Caparaó, Espera Feliz, Carandaí, Andrelândia, Alterosa, São Bento Abade, Santa Rita de Caldas, Piranguinho, Luminárias, São Sebastião da Bela Vista, Carmopólis de Minas, Cascalho Rico, Bonfinópolis de Minas, Abaeté e Presidente Olegário.

Juntos os municípios estreantes somaram um valor de US$ 271,16 milhões, o que equivale a 0,93% do total exportado por Minas Gerais, segundo contabilização por domicílio fiscal da empresa exportadora.

Enquanto em 2009, 250 municípios exportavam, em 2010, este número atingiu 258 municípios. Apesar do crescimento e das exportações já atingirem todo o Estado, a região Central continua concentrando o maior número de exportadores, um total de 60 municípios, que representam também o maior percentual, atingindo 84,7% do total das vendas externas de Minas, refletindo o peso do setor mineral e a diversidade produtiva da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Liderança - Entre os dez maiores exportadores do Estado, Itabira continua liderando a lista com um total de US$ 6 bilhões. Ocupa o quarto lugar no ranking brasileiro, pelas suas vendas para o exterior de minério de ferro e pedras preciosas, com destaque para rubis, safiras e esmeraldas. Os principais países destinos dos produtos de Itabira são China, Alemanha, Japão, Coréia do Sul e Países Baixos (Holanda).

Ouro Preto está em segundo lugar, com exportações de US$ 3,9 bilhões, em seguida vem Varginha, tradicional exportador de café com US$ 1,7 bilhão. Nova Lima aparece em quarto lugar com um volume de US$ 1,65 bilhão, enquanto Araxá, exportador de ferronióbio, aparece em quinto lugar com vendas totalizando US$ 1,5 bilhão. Completam a lista dos maiores exportadores mineiros, Betim, Ouro Branco, Belo Oriente, Paracatu e Juiz de Fora. Ficaram de fora da lista dos dez maiores, Belo Horizonte e Contagem.

A secretária observou que o fluxo de comércio externo de Minas tem se mostrado bastante dinâmico. “Temos observado uma movimentação de empresas localizadas no interior em busca do mercado externo e é exatamente nesse sentido que estamos trabalhando, procurando dar apoio a todos aqueles em busca das melhores oportunidades para a colocação de seus produtos”, observou.

Dorothea Werneck explicou que o Governo de Minas continuará trabalhando para diversificar a pauta, tradicionalmente concentrada nos produtos da cadeia minerometalúrgica, ao mesmo tempo em que quer agregar valor à principal cadeia de produtos de Minas. “Independente da conjuntura internacional ou de flutuações cambiais, o Governo do Estado mantém o compromisso de longo prazo de desenvolver ações para a maior inserção internacional, não só de municípios, mas também de empresas de menor porte.”, esclareceu.

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