terça-feira, 2 de Agosto de 2016 13:30h ALMG

Deputado Fabiano Tolentino realiza debate sobre segurança pública

As Comissões de Segurança Pública e de Agropecuária e Agroindústria da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) debateram, no último dia 1º, o crescimento da violência, bem como alternativas para enfrentá-lo.

Participaram do debate trabalhadores rurais ligados à Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e produtores vinculados à Associação dos Sindicatos dos Produtores Rurais do Centro de Minas (Asprocem), que, juntos, lotaram o Plenário.

O número de crimes violentos em Minas Gerais mais que dobrou nos últimos quatro anos e o ritmo de crescimento desse problema na zona rural tem acompanhado o das cidades. A constatação é do coordenador do Centro de Pesquisa em Segurança Pública da PUC Minas, Luís Flávio Sapori, que participou do debate. Segundo ele, em 2012 a média mensal de crimes violentos era de aproximadamente 5 mil, mas em 2015 essa média chegou a 11 mil, de acordo com dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp).

O presidente da Comissão de Agropecuária, deputado Fabiano Tolentino (PPS), anunciou que protocolou um projeto de lei para a criação do Plano Estadual de Segurança em Defesa do Campo. A proposta inclui a criação de uma delegacia especializada em roubos e furtos rurais. “Nós, do campo, não estamos mais vendo alternativas. A segurança pública está um caos”, salientou. O parlamentar ainda defendeu o uso de armamentos pelo produtor rural. “Nós não temos armas, mas os bandidos têm”, pontuou. Ele afirmou ainda que faltam investimentos e servidores nas Polícias Militar e Civil. “Queremos prioridade do governo no trabalho das polícias para que possamos ter segurança no campo e na cidade também”, destacou. Por fim, o parlamentar pediu a nomeação de 1.341 investigadores aprovados em concurso da Polícia Civil.

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Roberto Simões, questionou a falta de recursos para a segurança rural: “42% do PIB mineiro em 2015 foi gerado na agropecuária. Será que não há dinheiro para proteger um setor que gera tanta renda e emprego? Ninguém pode nos acudir?”, questionou.

Já o coordenador do Departamento Técnico de Desenvolvimento Econômico da Associação Mineira de Municípios (AMM), Leandro Rico, disse que os prefeitos reclamam que não têm mais condições de custear despesas das polícias em cada cidade. Segundo ele, a parceria se exauriu porque as prefeituras já fazem mais do que podem na área de segurança e é necessária uma participação maior do Governo do Estado.

O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg), Vilson Luiz da Silva, criticou o argumento utilizado pela Polícia Militar para não atender as ocorrências na área rural: “Quando acontece um crime no campo, o produtor liga para a PM e ela alega que não tem gasolina. Mas quando é para multar, a Polícia Ambiental vai com caminhonete nova ao local e penaliza o produtor”. Diversos participantes criticaram a atuação da Polícia Militar Ambiental, cujo rigor em aplicar multas contrastaria com as falhas na repressão de outros crimes.

O subchefe do Estado-Maior da PM, coronel Robson José Queiroz, disse que a ampliação das redes de vizinhos protegidos e o reforço da patrulha rural nos municípios são, de fato, medidas para uma melhor articulação entre as forças policiais e a população do campo. Já o delegado de Polícia Civil, Felipe Costa Marques de Freitas, ponderou que o aumento no consumo de drogas como o crack vem mudando o perfil dos crimes e dos criminosos no campo. O diretor de Gestão Integrada para Resultados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), coronel Antônio de Salles Fiúza Gomes, sugeriu a criação de uma comissão de monitoramento e enfrentamento ao crime rural, reunindo todas as forças de segurança pública.

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