sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2016 10:33h Jotha Lee

Deputados estaduais custaram R$ 47 milhões aos cofres públicos em 2015

Assembleia legislativo gastou mais de R$ 217 milhões para manutenção de cargos de confiança

A manutenção da máquina pública em Minas Gerais é uma das mais caras do país, só perdendo para São Paulo, o estado mais populoso da nação. Mesmo em tempos de recessão como o país atravessa, os gastos para manter o funcionamento do Executivo, Legislativo e Judiciário não diminuíram nos últimos anos. Segundo o governo, o déficit do Estado é de R$ 10 bilhões, o que obrigou a um contingenciamento de R$ 2 bilhões no orçamento. Essa situação, que vai praticamente paralisar o Estado, não foi suficiente para que a Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG) e o governo estadual fizessem um esforço comum para reduzir o custeio da máquina administrativa.

 

 


Na apresentação do relatório da gestão do ano passado, o presidente da Assembleia, Adalclever Lopes (PMDB), garante que o Legislativo do estado está trabalhando para contenção de despesas. “No âmbito da gestão institucional, temos implementado um plano de racionalização dos gastos, em sintonia com a difícil situação econômica do Estado e do País”, garante.
Porém, os números apontam para o contrário e chegam a ser alarmantes. Somente para bancar a folha de pagamento dos servidores, a ALMG desembolsou no ano passado R$ 901,9 milhões. Para manter os salários dos servidores em cargos de confiança, em sua maioria lotados nos gabinetes dos 77 deputados, a Assembleia gastou R$ 217 milhões no ano passado.

 

 

 


Para Adalclever Lopes, os resultados obtidos no ano passado justificam os elevados gastos da ALMG. “Em 2015, o Parlamento de Minas foi marcado por intensos trabalhos que mobilizaram, além do Plenário, as 21 comissões permanentes e as diversas comissões temporárias – entre as quais cinco comissões extraordinárias –, procurando, assim, cumprir a diretriz definida para o biênio 2015-2017, de ser a voz dos mineiros na defesa dos interesses coletivos, das instituições públicas e da democracia”, justifica.

 

 


DEPUTADOS
Os servidores da Assembleia que custaram mais de R$ 900 milhões aos cofres públicos no ano passado, trabalham para servir exclusivamente aos deputados, que também tiveram peso importante nos gastos do parlamento mineiro. De acordo com os dados oficiais, os 77 deputados custaram R$ 47,7 milhões aos cofres públicos no ano passado. Para pagamento dos salários dos parlamentares, foram consumidos R$ 24,5 milhões, mais R$ 2,1 milhões de ajuda de custo, R$ 2 milhões em verbas parlamentares, R$ 1,6 milhão em auxílio-moradia e mais R$ 17,3 milhões a título de ‘despesas inerentes ao exercício do mandato parlamentar’.

 

 


De acordo com a ALMG, cada deputado recebe salário mensal de R$ 25,3 mil, que corresponde a 75% do salário dos parlamentares federais. O total de descontos com impostos e outras obrigações é de R$ 8,1 mil, restando 17,2 mil líquidos. Além do 13º, outra regalia concedida aos deputados estaduais é o pagamento de um salário bruto (R$ 24,5 mil) no início e no final do mandato. O valor mensal do auxílio-moradia é de R$ 4,3 mil e é concedido à maioria dos deputados, inclusive aos que residem em Belo Horizonte. O deputado Fabiano Tolentino (PPS) abriu mão deste benefício desde 2013.

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