segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2014 06:43h

Desde sua criação, 181 Disque Denúncia já realizou mais de 420 mil atendimentos

Somente em 2013, canal de investigação permitiu a prisão de mais de 24 mil pessoas e garantiu a apreensão de mais de uma tonelada de drogas.

O 181 Disque Denúncia fechou o ano de 2013 levando à prisão mais de 24 mil pessoas e garantindo a apreensão de mais de uma tonelada de drogas. O serviço permitiu que a comunidade, sensibilizada por acontecimentos como o incêndio da boate Kiss, em Santa Maria (RS) e as manifestações durante a Copa das Confederações, exercesse seu papel de cidadã e auxiliasse as polícias em sua atuação.

Ao longo dos doze meses do ano, o canal de investigação, gerido pela Secretaria de Estado de Defesa Social em parceria com o Minas Pela Paz, seguiu sua linha ascendente e registrou 94 mil denúncias. O trabalho conjunto das polícias Civil, Militar e do Corpo de Bombeiros no combate à criminalidade e prevenção de sinistros, aliado à capacitação dos atendentes, fez com que o serviço ganhasse eficiência, aumentando em 30% o número de denúncias em relação às chamadas recebidas. Desde sua criação, em 2007, o 181 Disque Denúncia registrou mais de 420 mil ligações de cidadãos dispostos a ajudar no trabalho na área de segurança.

Na avaliação do superintendente de Integração do Sistema de Defesa Social, Aaron Duarte Dalla, o Disque Denúncia vem se consolidando como um sistema que tem gerado bons resultados e uma nova forma de trabalho dentro das instituições policiais. “Com o know-how adquirido durante os anos os atendentes conseguem filtrar melhor as denúncias, conseguir mais informações, garantindo uma apuração de sucesso. É um processo de maturação que faz com que a eficiência do serviço aumente”, afirmou.

Desde a criação do 181 Disque Denúncia, o tráfico de drogas é o principal crime relatado pelos denunciantes. No ano passado, as denúncias desta natureza representaram mais de 60% das recebidas. O crime, que movimenta milhões de reais, interfere diretamente no cotidiano de várias pessoas e desencadeia uma série de outros delitos, como afirma o coordenador da Polícia Militar no 181 Disque Denúncia, major Giuliano Teixeira Prates. “O nosso esforço maior está no combate ao tráfico de drogas, pois, combatendo-o, atingimos diretamente outras modalidades delituosas como o porte de armas, homicídios, roubos, entre outros”, explicou.

A hegemonia do tráfico de drogas no ranking de denúncias do canal de investigação foi interrompida durante cerca de uma semana, em janeiro de 2013, após a tragédia da boate Kiss. A comoção popular alavancou as denúncias de necessidade de vistoria e fiscalização em casas noturnas e boates, que no balanço de 2013 ocuparam o terceiro lugar, cerca de 15%, das denúncias direcionadas ao Corpo de Bombeiros. “Depois do ocorrido em Santa Maria, registramos um crescimento de 182% das denúncias, em comparação com 2012”, enaltece o coordenador pelo Corpo de Bombeiros no 181, tenente coronel Edmar Simião.

Outro assunto que mobilizou os mineiros no ano passado foram os atos de vandalismo durante as manifestações que aconteceram no mês de junho. Na ocasião, a Polícia Civil disponibilizou uma lista com os infratores que eram procurados, pedindo o apoio da população, que atendeu prontamente. “Menos de 24 horas após a apresentação dos rostos, já havíamos identificado cinco dos 28 procurados”, afirma o coordenador da Polícia Civil no 181, delegado Valter Nunes de Freitas.

 

Participação popular

O 181 Disque Denúncia de Minas Gerais é visto como referência em todo o país graças ao engajamento dos mineiros, que o legitimam como uma solução no combate à criminalidade. “Os crimes e os sinistros não escolhem classe social ou região, estão em todos os lugares vitimando direta ou indiretamente a sociedade”, afirma Maurílio Leite Pedrosa, gestor de Defesa Social do Minas Pela Paz. Como cogestor do canal de investigação, ele acredita que a efetividade do serviço só é alcançada com a atuação proativa da população. “As pessoas estão na linha de frente e, mesmo sem querer, têm acesso a detalhes de atos que precisam ser investigados. Por isso, a opção de contribuir para a construção de uma sociedade mais justa está nas mãos de cada um de nós”, ressalta.

O serviço, presente em todo o Estado de Minas, tem grande adesão nas cidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte, responsáveis por cerca de 50% das denúncias. Percebe-se, porém, um importante crescimento também no interior. “O número de denúncias nas cidades de Juiz de Fora e Uberlândia tem evoluído nos últimos anos. As cidades já ocupam, respectivamente, o terceiro e quarto lugar do ranking estadual, ficando atrás apenas de Belo Horizonte e Contagem”, analisa Pedrosa.

 

Como funciona

O cidadão faz a denúncia através do número 181 e recebe um número de protocolo para acompanhar o resultado das investigações. As informações são registradas no sistema e encaminhadas a uma mesa composta por analistas das polícias Civil e Militar e do Corpo de Bombeiros Militar. Esses profissionais analisam, classificam e incorporam à denúncia outras informações que possam auxiliar na solução do caso e enviam para a ação da unidade responsável. As investigações são iniciadas e as informações sobre resultados e providências adotadas retornam à mesa de análise, para que estejam disponíveis para o denunciante. Assim, em até 90 dias, o cidadão que retorna a ligação com o número de protocolo em mãos pode receber, sem se identificar, as informações sobre o processo iniciado através da sua denúncia.

“Vale ressaltar que o importante é o que você diz, não quem você é. Por isso, o anonimato é garantido e o sigilo, absoluto”, destaca Maurílio Pedrosa. A central de denúncias do 181 Disque Denúncia funciona diariamente, em regime de 24 horas e a ligação é gratuita.

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