terça-feira, 24 de Abril de 2012 11:37h Vinicius Soares

Desembargador é acusado de liberar indivíduos envolvidos com tráfico de drogas

A Procuradoria Geral da República indiciou Hélcio Valentim, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais por liberar presidiário que estava na Floramar, em Divinópolis

O desembargador Hélcio Valentim, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais foi indiciado no Superior Tribunal de Justiça (STJ), por caracterizar crime ao interceder na liberação de presidiários que estavam detidos na Floramar, em Divinópolis.
Segundo as investigações, ele recebeu propina para mandar soltar condenados por tráfico de drogas.
A procuradoria Geral da República já apresentou denúncia no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Hélcio foi acusado por: formação de quadrilha e corrupção passiva (quando um funcionário público se aproveita de seu posto para fins indevidos)
Também foram denunciados pelos mesmos crimes dois acusados. Em junho de 2011, o advogado que defendia os criminosos e um comerciante que afirmou ter recebido o dinheiro sujo, foram interrogados.
Em julho de 2010, em um sítio, em Marilândia, policiais encontraram cerca de 60kg de pasta-base de cocaína. Parte do material estava em uma caminhonete dirigida por Jesus Jerônimo da Silva, preso em flagrante.
A polícia descobriu que Braz Correa de Souza era um dos chefes da quadrilha. Braz e Jesus ficaram no presídio Floramar, em Divinópolis, à espera do julgamento.
O defensor, Walquir Avelar Júnior, afirmou que os presos queriam comprar uma decisão judicial.
Segundo ele, o próximo passo então foi procurar Tancredo Tolentino, comerciante conhecido como “Quedo”. O comerciante se dizia amigo do desembargador Hélcio Valentim.
Walquir revelou a conversa com Tancredo. “Nessa conversa com o Quedo, ele falou que eu precisaria dar uma cópia do processo. E ele me retornou dizendo que teria possibilidade, mas que tinha que aguardar o momento certo”,
No depoimento, acompanhando por um integrante da OAB, Walquir diz que Tancredo Tolentino cobrou 150 mil reais para tirar os traficantes da cadeia.
Segundo a Polícia Federal, o advogado, que é vereador na cidade de Oliveira chegou a usar um email se identificando como “Apóstolo Salvador”.
Para o parente de um preso, Walquir escreveu em código, mas dá para entender bem do que se trata “seu irmão pede a singela doação de R$ 130 mil para as obras de caridade de nossa igreja”. Continua o email: “Com este valor, ele ganhará a liberdade através de um habeas corpus no Tribunal de Minas, onde nossos irmãos, da nossa igreja, irão acolher nossas orações”.
De acordo com a Polícia Federal, a proposta que consta desse email não se concretizou. Mas outra, sim. Para a Procuradoria Geral da República, o desembargador decidiu novamente por interesse financeiro e não por convicção pessoal
O Tribunal de Justiça de Minas afastou o desembargador Hélcio Valentim e abriu um processo administrativo contra ele.

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.