segunda-feira, 17 de Agosto de 2015 10:44h

Dia D de Vacinação marca o início da Campanha contra a Pólio em Minas Gerais

Campanha vai até o dia 31 de agosto em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do SUS. São 5.500 postos de vacinação espalhados pelo estado

Para sensibilizar mães, pais e responsáveis sobre a importância da imunização contra a Poliomielite, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), em parceria com a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, instalaram na Praça JK, no bairro Sion, na região centro-sul da capital mineira, um Posto Volante de Vacinação, e promoveram uma intensa programação cultural com apresentações teatrais dos grupos Saúde em Cena,  MobilizaSUS, da contadora de história Bruna Del Rio e do Quintal da Guegué, além de oficinas recreativas ao ar livre para a criançada durante toda manhã de sábado (15/8).

Em todo o Brasil, a Campanha de Vacinação contra a Poliomielite vai até o dia 31 de agosto em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do SUS. O lançamento oficial da campanha em Minas Gerais tem como objetivo mobilizar a população para levar as crianças de seis meses de idade a até quatro anos 11 meses e 29 dias para receber as duas gotinhas.

Para vacinar, basta levar a carteira de vacinação da criança para que o profissional de saúde verifique se o calendário de imunização está em dia. Mesmo os pais ou responsáveis que não puderem levar a carteirinha, poderão vacinar a criança, com a condição de fazer outro cartão.

Durante a campanha, 5.500 postos de vacinação estarão espalhados pelo estado. Em Minas Gerais, a expectativa é que 1,1 milhão de crianças sejam vacinadas. O objetivo é imunizar 95% dos pequenos que estão dentro da faixa etária da campanha, mantendo o país livre da doença.

Por isso, uma das estratégias adotadas é o uso da Vacina Poliomielite Oral (VOP), também conhecida como gotinha. Além de ter uma maior adesão entre o público infantil, a vacina oral favorece a proteção coletiva por meio da disseminação do vírus vacinal no meio ambiente.

Em entrevista coletiva durante o Dia D de Vacinação na Praça JK, em BH, o secretário de Estado de Saúde de Minas Gerais, Fausto Pereira dos Santos, contou aos jornalistas que contraiu a pólio aos dez meses de idade, em uma época que não existia o SUS. Ele lembra que Brasil teve grandes surtos de poliomielite nas décadas de 1950 e 1960, com a diminuição nos anos 1970, 1980 até a eliminação do vírus na década de 1990 no país.

“Tive contato com o vírus em 1972, morava no interior de Goiás e a campanha não havia passado por lá. Era só uma vacina injetável e no período em que nasci até eu contrair a doença não havia tido campanha no estado de Goiás e no interior”, conta. O secretário acrescentou que a vacina só deve ser evitada se a criança apresentar febre de 38º C ou tiver alguma sensibilidade aos componentes da vacina.

Fausto Pereira dos Santos afirmou que, como a campanha vai até o dia 31 de agosto, cada família pode se adaptar para comparecer a alguma UBS durante as próximas duas semanas. “A vacina não tem dor, são gotinhas e as crianças terão vários estímulos para participar, com as unidades de saúde decoradas, permitindo assim que as crianças não tenham medo da vacina”.

Quem comprovou as palavras do secretário foi o pequeno Álvaro Usual Lopes, de 4 anos, que tomou as gotinhas na companhia do pai Arthur e da irmã Helena. Álvaro disse que as gotinhas amargam só um pouquinho, mas depois fica com gostinho bom de tutti-frutti. Depois das gotinhas, Álvaro correu para uma das tendas montadas na Praça JK para colorir um desenho do Zé Gotinha, enquanto a irmã corria para pintar o rosto e aguardar pelas outras apresentações teatrais.

Pólio

Desde 1989, o Brasil não registra nenhum caso de poliomielite. Porém, mesmo que o país não tenha mais casos, muitos países ainda convivem com a doença, principalmente na África e na Ásia. Portanto, a única maneira de se prevenir da poliomielite e impedir que o vírus volte a circular no Brasil é vacinando todas as crianças.

A Coordenadora de Imunização da SES-MG, Tânia Brant, informou que as campanhas de vacinação contra a poliomielite começaram em 1980 e em 1989 a doença foi erradicada do país. Desde então, as pessoas não veem mais a doença ou sequelas em crianças, consequentemente muitas pensam que não precisam se preocupar, o que é um erro.

Tânia enfatiza que a população deve perceber a campanha de vacinação contra a pólio como um cuidado coletivo para que a meta seja alcançada. “Só a continuidade das campanhas de vacinação, com altas coberturas vacinais, podem manter a poliomielite erradicada. Esse é um trabalho de saúde coletiva”, diz.

A vacina contra a poliomielite confere proteção contra os três sorotipos do poliovirus (1, 2 e 3) e sua eficácia é em torno de 90% a 95% com a administração de uma dose e a imunidade tem longa duração.

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