terça-feira, 25 de Janeiro de 2011 00:00h

Diagnóstico precoce garante sucesso no tratamento da hanseníase

Entre 24 e 30 de janeiro é celebrada a Semana Mundial de Erradicação da Hanseníase, doença que vem se destacando como uma das prioridades de ação na área de saúde do Governo de Minas e que apresenta medidas de combate aparentemente simples, como diagnóstico precoce e tratamento adequado de todos os casos positivos.

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), seguindo diretrizes do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS), desenvolve um Programa de Controle de Hanseníase focado no diagnóstico precoce, tratamento adequado e vigilância de contatos (pessoas que convivem com pacientes que tiveram diagnóstico positivo para a doença).

“Quanto mais cedo for realizado o diagnóstico, menores as chances de a doença provocar deformidades. É importante ressaltar que o paciente deixa de transmitir a hanseníase assim que o tratamento é iniciado, mas os contatos desses pacientes têm chances de desenvolver a doença e também devem ser examinados e orientados”, explica a coordenadora de Dermatologia Sanitária da SES-MG, Ana Regina Coelho de Andrade.

De acordo com dados da Coordenadoria de Dermatologia Sanitária da SES-MG, em Minas Gerais vem sendo diagnosticado, nos últimos dez anos, cerca de dois mil novos casos de Hanseníase por ano. Em 2010, foram notificados 1.432 novos casos, sendo que 11,9% (171) foram diagnosticados já em fase avançada e apresentando deformidades, o que indica um percentual ainda elevado de diagnóstico tardio.

Segundo ela, os dados reforçam a importância de se conhecer os sinais e sintomas da hanseníase para que o diagnóstico e o tratamento sejam, sempre, iniciados o mais rápido possível. Manchas na pele, claras ou avermelhadas, com elevação e sem sensibilidade são os sinais mais frequentes da doença. “O paciente pode apresentar, também, dormência nos pés e nas mãos. Ao perceber esses sintomas a pessoa deve procurar uma Unidade Básica de Saúde para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento gratuitamente”, informa a coordenadora.

A hanseníase não é transmitida com aperto de mão, com abraços ou compartilhamento de utensílios, como copos, talheres ou pratos. Ela é transmitida somente por pessoas infectadas que não estejam tomando a medicação. Os pacientes podem trabalhar, estudar e passear normalmente.

O tratamento é feito à base de antibióticos, gratuitamente, em qualquer Unidade Básica de Saúde (UBS). Com duração de nove a dezoito meses, não é necessário internar ou isolar o paciente, sendo fundamental que o esquema de tratamento seja realizado por completo para que a transmissão seja extinta e o paciente se cure.

Parceria no tratamento de casos graves

Os pacientes com deformidades instaladas têm necessidades de atendimento de reabilitação de média e alta complexidade. Nesses casos, a SES-MG tem utilizado a rede de reabilitação física existente no Estado, numa ação conjunta da Coordenadoria de Dermatologia Sanitária, da Coordenadoria de Atenção à Pessoa Portadora de Deficiência e da Coordenadoria do Diabetes.

De acordo com Ana Regina, os casos de neuropatia por hanseníase ou diabete têm necessidades semelhantes e ações semelhantes e por isso, devem ser realizadas no mesmo espaço, pelo mesmo profissional, que foi treinado com essa visão.

“Nossa intenção é construir um fluxo de informações entre as áreas, o que vai agregar melhorias ao atendimento. O portador de Hanseníase que tem o diagnóstico tardio pode precisar de aparelhos de órtese e prótese, como pernas mecânicas, botas e sapatos ortopédicos. Por isso, deve haver um trabalho de reabilitação”, explica.
 

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.