segunda-feira, 29 de Fevereiro de 2016 11:39h Agência Minas

Educação sanitária tira agroindústria familiar da informalidade e fomenta negócios

Para este ano, o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) prevê 40 cursos para mais de 500 agricultores familiares

O apicultor João Bosco de Assis, dono de uma agroindústria de mel, em Bom Despacho, no Centro Oeste de Minas, está sempre antenado com as exigências da legislação sanitária e do mercado. Ele sabe que adotar boas práticas é essencial na qualidade do produto e abre portas para a comercialização.

João é também um dos frequentadores assíduos dos cursos gratuitos de boas práticas de fabricação e educação sanitária oferecidos pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Minas) e o Instituto Ernesto Antônio de Salvo (Inaes).

Foi justamente nesses cursos de capacitação que o apicultor ampliou os conhecimentos sobre os cuidados no uso de utensílios, manuseio e limpeza dos equipamentos, forma correta de fazer a coleta das caixas de mel, centrifugação e transporte do produto. “Com esses conhecimentos a gente passa a produzir com mais qualidade”, afirma o produtor.

 

 

 

 

Agregação de valor e abertura de mercado

A agroindústria familiar de João Bosco possui 700 colmeias, de onde são retiradas de 10 a 20 toneladas de mel por ano. As boas práticas garantiram à agroindústria uma permissão provisória para a comercialização de mel em todo o estado. Além disso, o apicultor está perto de conseguir do IMA o registro definitivo de habilitação sanitária. O processo está na fase final.

As adequações agregaram valor ao mel, que já possui selo de produto orgânico. Outro benefício foi a abertura de mercado comprador. A agroindústria familiar de João Bosco vende parte da produção de mel para o Programa Nacional de Alimentação escolar (PNAE) e para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do governo federal, e o restante vai para uma indústria brasileira de exportação.

 

 

 

 

Regularização

A trajetória do produtor João Bosco é um exemplo das vantagens e benefícios da educação sanitária direcionada à agroindústria familiar em Minas Gerais. Os cursos de boas práticas de fabricação são iniciativas direcionadas à adequação das estruturas físicas das agroindústrias.

Em 2015, o IMA e o Senar realizaram 34 cursos de capacitação, com a participação de mais de 400 produtores em todo estado. Para este ano, estão previstos outros 40 cursos com previsão de atender mais de 500 agricultores familiares.

Segundo o gerente de Educação Sanitária e Apoio a Agroindústria Familiar do IMA, Gilson de Assis Sales, as ações estão alinhadas com a legislação estadual nº 19.476/2011, que trata da regularização das agroindústrias familiares. “O foco é a mudança de comportamento dos produtores, a consequente melhoria da qualidade do que é produzido, garantia da segurança alimentar dos consumidores e a regularização formal da agroindústria”, ressalta Sales.

O IMA informou que, no ano passado, foram realizadas cerca de 550 vistorias em agroindústrias familiares do estado. Essas averiguações têm o objetivo de acompanhar o processo de regularização sanitária e de orientar os produtores, inclusive na confecção da rotulagem correta. “A regularização da agroindústria familiar tem papel fundamental no desenvolvimento regional, porque gera emprego, renda e fortalece a economia local”, conclui o técnico do Instituto.

 

 

 

Vacinação

A política de educação sanitária é ampla e também envolve ações para a saúde animal. O Programa de Apoio a Saúde Agropecuária (Pasa), uma parceria entre o IMA, Inaes e o Senar Minas, por exemplo, tem como uma das propostas treinar trabalhadores rurais para serem vacinadores autônomos em suas regiões, principalmente onde há carência de médicos veterinários.

Com isso, o programa ajuda a ampliar a vacinação no estado. No ano passado, foram capacitados 351 trabalhadores em diversas localidades do estado. “Esse programa tem um benefício extra que é seu aspecto social,  pois  gera trabalho para esses vacinadores autônomos”, desta Gilson de Assis Sales.

 

 

 

Cidadãos conscientes

Outra meta da educação sanitária é formar futuros cidadãos conscientes da importância da agropecuária para a produção sustentável. Nessa linha de proposta, está um dos programas mais antigos do IMA, o ‘Sanitaristas Mirins’, direcionado aos alunos de 8 a 11 anos das escolas públicas municipais e estaduais.

Na prática, os técnicos do IMA treinam os professores com palestras e material didático sobre assuntos como defesa sanitária, cuidado com animais, controle de pragas e preservação ambiental. Depois, esses conhecimentos são incluídos na didática pedagógica. Um livro, intitulado “A educação sanitária no dia a dia dos alunos – descobrindo a agropecuária na escola”, que trata dos temas de forma lúdica, é distribuído a professores e alunos.

O ‘Sanitaristas Mirins’ é realizado todos os anos e tem a parceria da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário (Seda). Em 2016, o projeto está previsto para começar em março, com a meta de atingir cerca de 3,5 mil alunos e professores em todo estado.

Desde a implantação, em 2003, o ‘Sanitarista Mirins’ já treinou mais de 100 mil alunos e professores. “O programa faz com que as crianças se tornem multiplicadores, levando as informações para a família e para a comunidade onde vivem. Elas influenciam na mudança de comportamento dos pais”, observa Sales.

 

 

 

Mais Ações

De acordo com o IMA, outras medidas reforçam a educação sanitária no estado, como o aperfeiçoamento e atualização da equipe técnica do instituto. Para os produtores rurais, existem reuniões, palestras e cursos de defesa sanitária animal, vegetal, de certificação e inspeção de alimentos.

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