sexta-feira, 4 de Março de 2011 00:00h

Em 2010 a CEMIG constatou cerca de três mil ligações irregulares em Divinópolis

Sarah Rodrigues

Na tarde de ontem a Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG), promoveu um encontro para discussão das melhores práticas no combate à fraude no consumo de energia elétrica. O evento foi realizado em Divinópolis, no auditório da Usina Hidrelétrica Gafanhoto e contou com a presença de representantes das Polícias Civil e Militar e do Ministério Público.

O objetivo do encontro foi debater os aspectos criminais envolvidos nas irregularidades no consumo de energia e buscar, em conjunto com as autoridades, formas integradas de atuação para aumentar o êxito das ações criminais propostas pelo Ministério Público e a condenação de fraudadores na esfera criminal, reprimindo o volume de irregularidades praticadas.

Segundo o gerente de Tecnologia da CEMIG, Luiz Renato Fraga Rios, a reunião tem o objetivo de unir as forças para combater as fraudes na energia elétrica. “Um dos motivos da reunião é que normalmente a irregularidade na medição é vista como uma simples irregularidade administrativa. Mas, na verdade isso é um crime e queremos mudar esse enfoque. Percebemos até formação de quadrilhas, especializadas em intervenção, na medida em que esse mercado está crescendo temos que barrar, acionando a polícia”.

O gerente especificou os tipos de fraude existentes, principalmente o conhecido ‘gato’. “Irregularidades são as fraudes ou intervenção na medição, com o objetivo de ter um faturamento menor ou então a ligação clandestina que é quando o usuário vai direto ao poste da rede e busca dali sem ter nenhum tipo de vinculo com a fornecedora, esse é que geralmente recebe o nome de gato”.

Segundo dados da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), os prejuízos anuais para o País ocasionados por fraude no sistema elétrico são da ordem de R$ 7,8 bilhões, totalizando 23.352 GWh, o que corresponde a quase 6% de toda a energia injetada no sistema elétrico brasileiro. Tal montante de energia é suficiente para abastecer, por um ano, cerca de 13 milhões de residências, ou seja, cerca de 33 milhões de pessoas.

IRREGULARIDADES

Em 2010, a Cemig regularizou, em todo o Estado, 42,5 mil unidades consumidoras. Na região em Divinópolis, também no ano passado, aproximadamente 3 mil unidades consumidoras foram regularizadas pela empresa.

Na maioria dessas instalações com irregularidades é feita a cobrança da energia que vinha sendo faturada a menor e também um incremento da energia faturada com a eliminação da irregularidade.
Rios revelou que a estimativa é de existam mais de meio milhão de irregularidades em todo o estado de Minas Gerais. “A gente estima que tenha cerca de 600 mil unidades consumidores em Minas Gerais como um todo.

O número de cliente nossos é aproximadamente de sete milhões, então 8 % dos nossos clientes a gente acredita que tenha irregularidades. O número de ligações clandestinas é perto de 80 mil e os 520 mil são as irregularidades na medição”, relatou.

MEDIDAS

A Companhia inspeciona regularmente as unidades onde seus equipamentos estão instalados e, caso seja constatada alguma irregularidade na medição, adota procedimentos tais como o registro documental da irregularidade, a avaliação técnica dos equipamentos de medição e, sempre que necessário ou possível, o registro fotográfico dessas irregularidades e a emissão de Boletim de Ocorrência Policial.

Com a reunião a empresa pretende ser mais rigorosa em relação às fraudes. De acordo com o gerente a primeira medida será acionar a polícia. “Nós teremos uma atuação mais firme e será acionando a polícia e criminalizar. Nós já temos caso de prisão no estado de Minas e o que a gente quer é aumentar isso. Cinco casos foram registrados, entre Janeiro e Fevereiro deste ano”.

DANOS AO CONSUMIDOR

Rios ainda enfatiza que os sete milhões de clientes da CEMIG são afetados pelas fraudes de energia. “A tarifa de energia acaba ficando mais alta em função das perdas e da inadimplência.

A qualidade da energia cai principalmente em casos de ligação clandestina. Tem ainda a questão de segurança, pois muitos incêndios e choques na rede se têm casos de intervenções, influencia na sociedade como um todo. O prejuízo não é somente da distribuidora. A sociedade paga um pouco também”, esclarece.

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