quarta-feira, 23 de Outubro de 2013 12:07h

Em encontro com Dilma Rousseff, Antonio Anastasia solicita medidas de apoio à cafeicultura

Governador falou sobre a crise enfrentada pelo setor e se comprometeu a enviar, nesta semana, documento com informações detalhadas e com solicitações dos produtores

O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia, recepcionou, na manhã desta quarta-feira (23), na Base Aérea do Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica (Ciaar), na região da Pampulha, em Belo Horizonte, a presidente da República, Dilma Rousseff, que cumpriu agenda oficial na capital mineira.

Na oportunidade, Anastasia reiterou a preocupação do Governo de Minas com a grave crise que atinge o setor cafeeiro. O governador alertou à presidente que as medidas já anunciadas pelo governo federal ainda não surtiram efeito e que os produtores encontram-se em uma “situação dramática”.

Durante o encontro, o governador Antonio Anastasia combinou com a presidente Dilma Rousseff que, na próxima sexta-feira (25), encaminhará para ela um documento expondo o quadro atual da cafeicultura no Estado. Além disso, serão reiteradas as principais solicitações do setor, que abrangem, basicamente, a prorrogação das dívidas e a diminuição da disponibilidade do produto, por meio da aquisição de sacas. “A presidente nos pareceu muita sensibilizada com a situação dos cafeicultores e se comprometeu a avaliar as propostas para o setor”, afirma Anastasia.

Crise no setor cafeeiro

Em abril deste ano, o governador de Minas já havia enviado um ofício à presidente da República solicitando ao governo federal a elevação do preço mínimo do café. Na correspondência, Anastasia solicitou que o preço da saca de 60 quilos do café fosse aumentado de R$ 307 para um patamar não inferior a R$ 350 por saca de 60 quilos, a fim de que o cafeicultor mineiro possa cobrir o custo de produção, que hoje atinge esse patamar na maioria das regiões produtoras. Em maio, o preço mínimo foi reajustado para R$ 350, mas, de acordo com os produtores, o valor ainda não é suficiente para cobrir os custos de produção. A título de comparação, em 2011 o preço da saca de 60 quilos de café chegou a ser negociada por R$ 530.

Durante a Semana Internacional do Café, realizada no mês passado em Belo Horizonte, o governador Anastasia e outras autoridades voltaram a cobrar uma política para dar mais sustentabilidade à cafeicultura. “A queda acentuada dos preços atuais cria as condições de uma nova crise do café, semelhante à que o setor enfrentou na virada do século”, alertou na ocasião o diretor-executivo da Organização Mundial do Café (OIC), Robério Silva.

O café em Minas Gerais

Líder na produção de café no Brasil, responsável por 51,4% da safra nacional, Minas Gerais tem uma safra estimada para 2013 de 25 milhões de sacas, em área plantada de 1,1 milhão de hectares, distribuída por mais de 600 municípios. Essa produtividade e a qualidade do café no Estado estão ligadas ao investimento em pesquisa. São quatro regiões produtoras no Estado: Sul de Minas (47%), Matas de Minas (30,7%), Cerrado Mineiro (19%) e Chapada de Minas (3,3%).

Mais do que um segmento essencial para a economia mineira, o setor cafeeiro representa o principal produto do agronegócio do Estado e o segundo item mais importante da pauta de exportações de Minas. Somente em 2012, as vendas externas do café produzido em Minas Gerais somaram US$ 3,8 bilhões, equivalente a 48% das vendas internacionais de todo o agronegócio mineiro. Tão tradicional na mesa da população mineira, o café é cultivado em 104 mil propriedades, espalhadas por aproximadamente 600 municípios de todas as regiões do Estado.

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