segunda-feira, 11 de Abril de 2016 10:08h Ministério da Saúde

Em Minas Gerais, mais de 153,3 mil meninas de nove anos devem ser vacinadas contra o HPV

A vacina irá reforçar as ações de prevenção do câncer do colo do útero e tem 98% de eficácia. Meninas de 10 a 13 anos, que não foram imunizadas ou não completaram as duas doses, também devem se vacinar

No estado de Minas Gerais, 153,3 mil meninas de nove anos devem ser vacinadas contra o vírus HPV, principal fator responsável pelo câncer do colo do útero. Para reforçar a importância da vacina e incentivar as meninas a procurarem os postos de vacinação, o Ministério da Saúde realiza desde o início do mês uma mobilização nacional com slogan “Proteja o futuro de quem você ama”. Além das meninas de nove anos, o Ministério também pretende vacinar as meninas de 10 a 13 anos que não tomaram a vacina ou não completaram as duas doses necessárias para ficarem imunes ao vírus.

A vacina HPV quadrivalente faz parte do calendário nacional e está disponível em cerca de 36 mil  salas de vacinação de todo o país. Além disso, as meninas poderão ser vacinadas nas escolas públicas e particulares. A Coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Carla Domingues, explicou a importância dessa estratégia. “Pesquisas, em todo o mundo, demonstram que envolver as escolas é a melhor forma de alcançar altos índices de cobertura. Isso irá permitir que o Brasil possa ter uma geração de mulheres livres do câncer de colo de útero nos próximos ano”, afirmou a coordenadora. A recomendação do Ministério é que as secretarias de saúde articulem junto às secretarias de educação a operacionalização das ações nas escolas. “Assim, cada município define sua estratégia de vacinação, de acordo com a logística e realidades locais”, completou Carla.

 

 

 

O secretário de Vigilâncias em Saúde do Ministério da Saúde, Antônio Nardi ressaltou a importância de aplicar duas doses da vacina, sendo que a segunda seis meses após a primeira. “Só assim, essas meninas poderão chegar à idade adulta livre da ameaça de uma doença como a câncer do colo de útero, hoje responsável pela quarta causa de morte na população feminina brasileira”, enfatizou o Secretário.

O HPV é um vírus transmitido pelo contato direto com pele ou mucosas infectadas por meio de relação sexual. Também pode ser transmitido da mãe para filho no momento do parto. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que 290 milhões de mulheres no mundo são portadoras da doença, sendo 70% infectadas pelos tipos 16 e 18, que são de alto risco para o desenvolvimento câncer do colo do útero. Estudos apontam que 265 mil mulheres, no mundo, morrem devido à doença. Neste ano, o Instituto Nacional do Câncer estima o surgimento de 16 mil novos casos e cerca de 5,4 mil óbitos em 2016.

 

 

 

CAMPANHA PUBLICITÁRIA - O filme protagonizado por Carolina Kasting e sua filha de 13 anos está sendo veiculado em todo o país, durante o período da mobilização. Além disso, também faz parte da campanha peças para rádio e mobiliário urbano, como adesivos para ônibus e cartazes nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Brasília, Fortaleza, Curitiba e Salvador.

Além das adolescentes de 9 a 13 anos, o que inclui também a população indígena na mesma faixa etária, também devem receber a vacina meninas e mulheres vivendo com HIV/Aids de 9 a 26 anos. Atualmente existem no Brasil, cerca de 59 mil mulheres de 15 a 26 anos vivendo com HIV e aids. Para meninas e mulheres vivendo com HIV e aids, o esquema vacinal consiste na administração de 3 (três) doses. A segunda dose deve ser administrada dois meses depois da primeira e, a terceira, seis meses após a primeira (0, 2 e 6 meses).

 

 

 

O Ministério da Saúde investiu R$ 1,1 bilhão para a compra de 32 milhões de doses nos últimos três anos. A vacina adotada pelo Ministério da Saúde é a quadrivalente que confere proteção contra quatro subtipos de HPV (6; 11; 16 e 18). Esta vacina é destinada exclusivamente à utilização preventiva e não tem efeito demonstrado nas infeções pré-existentes ou na doença clínica estabelecida.

A vacinação previne contra câncer do colo do útero, vulvar, vaginal e anal; lesões pré-cancerosas ou displásicas; verrugas genitais e infecções causadas pelo papilomavírus humano (HPV), contribuindo na redução da incidência e da mortalidade por esta enfermidade.]

 

 

 

BALANÇO - No acumulado de 2014 e 2015, 4,5 milhões de meninas foram imunizadas com a segunda dose da vacina contra o HPV, correspondendo a 92,3% do público alvo. Até 29 de março, 3,4 milhões de meninas de 9 a 11 anos foram vacinadas com a primeira dose contra HPV. Isso representa 69,5% das meninas nessa faixa-etária público-alvo (4,8 milhões). Quanto à segunda dose, até essa data, 2,1 milhões de meninas foram imunizadas, 0 que representa 43,73% do público-alvo.

 

 

 

CÂNCER - O Câncer do colo do útero é o terceiro tipo mais frequentes entre mulheres brasileiras e a quarta causa de morte na população feminina, atrás do câncer de mama e colorretal. Receber a vacina na adolescência é o primeiro de uma série de cuidados que a mulher deve adotar para a prevenção do HPV e do câncer do colo do útero. Portanto, a imunização não substitui a realização do exame preventivo e nem o uso do preservativo nas relações sexuais. O Ministério da Saúde orienta que mulheres na faixa etária dos 25 aos 64 anos façam o exame preventivo, o Papanicolau, a cada três anos, após dois exames anuais consecutivos negativos.

 

 

 

A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) reafirmam que, após dez anos de uso desta vacina nos programas de imunização de diversos países, há evidências significativas de sua segurança, eficácia e eficiência na prevenção do câncer do colo do útero. Nesse sentido, as mudanças no Calendário Nacional de Vacinação do Brasil, que passaram a valer no país a partir de janeiro de 2016, estão em conformidade com as recomendações da OPAS/OMS e são benéficas para a população.

 

 

 

Destaca-se que a introdução e ampliação dessa vacina foram possíveis mediante um acordo de transferência de tecnologia entre o Ministério da Saúde, por meio Instituto Butantan e do Laboratório produtor da vacina, MerckSharpDohme (MSD).  A transferência está sendo feita de forma gradual, sendo que, até o final de 2018, a produção da vacina HPV quadrivalente deverá ser 100% nacional.

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