quinta-feira, 5 de Junho de 2014 07:18h

Emater-MG mostra projetos de proteção ambiental no Dia Mundial do Meio Ambiente

Mesmo sendo prioritariamente destinados ao atendimento da agricultura familiar, projetos da empresa também buscam preservar o meio ambiente

Comemorado nesta quinta-feira (05/06), o Dia Mundial do Meio Ambiente estimula a ação e conscientização global a favor da natureza.  Ao longo dos anos, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) vem aliando técnicas de extensão rural com a educação ambiental nos projetos e ações implantadas nas diversas regiões do território de Minas. Assim, mesmo sendo prioritariamente destinados ao atendimento das necessidades e demandas sociais da agricultura familiar, vários desses projetos extrapolam o cunho social e cumprem também um papel de preservação e conservação do meio ambiente, no meio rural.

Um bom exemplo desse tipo de trabalho vem do Projeto Jaíba, no município do mesmo nome, no Norte de Minas. A Emater-MG atua junto aos mais de dois mil agricultores familiares, atendidos pelas miniestações de tratamento de água, as chamadas Etas. Embora as Etas sejam projetos da Codevasf e Ruralminas, a empresa de extensão rural participa da gestão. Os extensionistas da Emater-MG mobilizam e orientam esses produtores familiares, chamando a atenção para os cuidados no uso da água potável, obtida por meio dessas estações. Também ensinam a utilização correta da água dos canais de irrigação, que regam as lavouras locais.

“Antes das Etas, os agricultores pegavam a água dos canais para uso pessoal e não sabiam dos cuidados necessários para a conservação dela, contaminando os mananciais com sabão, agrotóxicos e outros poluentes”, relata a técnica Bem-estar Social da Emater-MG local, Maria Adelci de Souza. Ela, que participou da equipe técnica de atendimento a esses usuários das estações, e ainda atua nas ações rotineiras de educação ambiental da empresa, explica que, com a implantação dessas unidades de tratamento, a Emater-MG passou a realizar um trabalho intenso de educação ambiental. “Foi feito um trabalho de conscientização dos cuidados para a preservação de toda a água utilizada nas glebas destinadas à agricultura familiar, seja a dos canais ou das Etas”, explica.

Ainda segundo a extensionista, a Emater-MG passou a orientar sobre o uso dos produtos destinados ao tratamento da água das estações; o armazenamento correto desses produtos; o recolhimento do lixo; o aproveitamento de garrafas pets em artesanato e muitas outras ações afins. Atualmente estão em operação 254 unidades de tratamento de água para garantir o abastecimento de água potável aos agricultores familiares do Jaíba. Cada Eta é utilizada por oito famílias em média, de acordo cálculo divulgado pelo gerente de divisão da Emater-MG do Projeto Jaíba, Geraldo Ricardo Neri Pinto.

Revitalizando mananciais do São Francisco

Outro trabalho da Emater-MG que merece ser comemorado no Dia Mundial do Meio Ambiente, é o do Projeto de Revitalização de Sub-Bacias Hidrográficas Formadoras dos Afluentes Mineiros do Rio São Francisco. O projeto está sendo responsável por várias obras de conservação e preservação de mananciais do velho Chico, beneficiando muitos agricultores familiares. A Emater-MG tem o papel de mobilizar esses grupos e divulgar o trabalho. Também faz o cadastramentos dos interessados em incluir suas propriedades na rota das intervenções e efetua a marcação das obras, além de acompanhar a execução delas.

Em 2013, o projeto atuou em 12 sub-bacias de 12 municípios. O resultado final mostra que foram 17 nascentes protegidas, 30 quilômetros de matas ciliares cercadas, 1.836 bacias de captação e 225 quilômetros de terraços construídos. Trinta e seis quilômetros de estradas também foram recuperadas no ano passado.

Para este ano de 2014, a meta é de revitalizar outras 24 sub-bacias do Velho Chico em 23 municípios. Segundo o coordenador técnico regional de Janaúba e gestor do programa na Emater-MG, Osmar Antunes Neto, serão 18 municípios da região Norte e outros cinco de outras regiões. Nesses últimos, conforme Antunes, as intervenções deverão estar concluídas nos próximos trinta dias. Já na região Norte, as obras tiveram inicio recentemente, no município de Monte Azul, com a construção das primeiras bacias de captação de enxurrada. No total estão previstas 300 bacias e 50 quilômetros de terraços, só em Monte Azul, segundo o coordenador.

No geral o projeto de revitalização de sub-bacias do São Franscisco prevê a recuperação total de 178 sub-bacias em 158 municípios. As obras são para cercamento de 1.123 nascentes, 1.028 quilômetros de matas ciliares e de topos de morros, além da construção de 53.784 bacias de captação de água de enxurradas e de 3.451 quilômetros de terraços, e da adequação de 471 quilômetros de estradas.

Adequando propriedades rurais ao meio ambiente

Entre os diversos trabalhos de impacto favorável no meio ambiente realizados ou em curso pela Emater-MG, existe o Projeto de Adequação Socioeconômica e Ambiental das Propriedades Rurais. Esse projeto orienta e incentiva os produtores a terem uma visão ampla da propriedade nos aspectos social, econômico e ambiental. O objetivo é que os produtores possam gerir suas atividades produtivas, tendo em vista a sustentabilidade.

“Este projeto permite aos produtores enxergarem a propriedade de forma mais ampla, podendo dessa forma planejar e executar intervenções nos gargalos, sejam eles de ordem econômica, social ou ambiental”, explica o coordenador do projeto, o zootecnista da Emater-MG, Marcelo Rodrigues Martins.

Segundo Martins, o projeto já está implantado em 800 propriedades, localizadas em cerca de 200 municípios do Estado. E a previsão até o final deste ano é de atingir o número de 1.500 propriedades adequadas, em 500 municípios. “É a partir de um trabalho como esse, que o agricultor pode lançar mão de um plano de ação com metas, para priorizar atitudes que revertam ou minimizem fragilidades identificadas na propriedade rural. Pode, por exemplo, implantar um serviço de tratamento de efluentes e resíduos gerados no estabelecimento, prevenir a erosão do solo, e ainda recuperar áreas degradadas”, explica.

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