sexta-feira, 22 de Junho de 2012 10:08h Gazeta do Oeste

Empresa desenvolve vacina contra esquistossomose

O potencial da vacina é multivalente, sendo também eficaz contra o fasciolose (verminose que afeta o gado bovino), e pode se tornar uma possível base para imunizantes de outras doenças

O Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) anunciou, no último dia 12 de junho, o sucesso dos testes clínicos de fase 1 da primeira vacina contra a esquistossomose, doença que afeta 200 milhões de pessoas no mundo. Baseada no antígeno Sm14, desenvolvido e patenteado pelo IOC, a vacina coloca o nome do Brasil na fronteira da ciência mundial como a primeira contra helmintos (parasitas intestinais).

 

O potencial da vacina é multivalente, sendo também eficaz contra o fasciolose (verminose que afeta o gado bovino), e pode se tornar uma possível base para imunizantes de outras doenças causadas por helmintos. A pesquisa foi apoiada financeiramente pelo IOC/Fiocruz, CNPq e Finep. O projeto teve também a chancela do Sebrae-MG (que apoia a incubadora Habitat, da Biominas, onde está a empresa Alvos, que desenvolve a vacina) e o Programa de Desenvolvimento Tecnológico em Insumos para Saúde (PDTIS/Fiocruz).

 

A Alvos Biotecnologia é uma empresa graduada da Biominas que, em 2005, licenciou da Fiocruz a tecnologia para o desenvolvimento das vacinas humana e veterinária, e conduziu as etapas seguintes de desenvolvimento tecnológico, com a participação dos pesquisadores da Fiocruz. Além de recursos próprios, a Alvos captou verba adicional junto à Finep. Em 2010, a empresa foi adquirida pela Ourofino Agronegócios, que assumiu as etapas clínicas finais e o desenvolvimento industrial do processo.

 

A Alvos Biotecnologia foi idealizada pela Biominas Brasil e a FIR Capital. Em 2004, seu projeto foi aprovado pelo Comitê de Investimento do Programa de Transferência de Tecnologia, uma parceria entre a Biominas e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) que possibilita o financiamento e investimento em empresas nascentes de biociências.

 

Sebrae-MG na vanguarda tecnológica

 

Há 15 anos, o Sebrae-MG é um dos apoiadores de incubadoras de empresas em Minas Gerais. De acordo com a analista técnica da Unidade de Inovação e Sustentabilidade do Sebrae-MG, Andrea Furtado de Almeida, incubadoras de empresas “são ambientes dotados de capacidade técnica, gerencial, administrativa e infra-estrutura para amparar o pequeno empreendedor. Elas disponibilizam espaço apropriado e condições efetivas para abrigar ideias inovadoras e transformá-las em empreendimentos de sucesso”.

Numa incubadora, as empresas são classificadas conforme seu grau de maturidade. Assim, há a empresa pré-incubada, onde o trabalho ocorre em um período de tempo determinado, no qual o empreendedor poderá finalizar sua ideia, utilizando todos os serviços da incubadora/hotel de Projetos. Ele pode se dedicar à definição do empreendimento, ao estudo da viabilidade técnica, econômica e financeira ou à elaboração do protótipo/processo necessário para o efetivo início do negócio. “Não precisa ser empresa formalizada ainda, pois ela fica na pré-incubação por um período médio de seis meses”, explica Andrea.


Uma empresa incubada é um empreendimento que participa do processo de incubação. A analista do Sebrae-MG informa que o tempo médio de incubação de uma empresa é de três anos. No setor de biotecnologia, este prazo sobre para oito anos.

 

A empresa graduada é aquela que alcançou desenvolvimento suficiente, habilitou-se na incubadora e entrou no mercado, como a Alvos. “É aquela empresa que não mais necessita do apoio da incubadora”, diz Andrea.

 

A Alvos Biotecnologia, de Belo Horizonte, é fruto deste trabalho de inquestionável importância tecnológica. Ela nasceu e cresceu em um universo que, com o apoio do Sebrae-MG, hoje ostenta números significativos: são 25 incubadoras, 200 empresas incubadas, 220 graduadas. Juntas, elas geram cerca de 13 mil empregos diretos e indiretos.

 

 

 

 

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