quinta-feira, 25 de Agosto de 2016 13:05h Segov-MG

Empresas mineiras ganham fôlego com crédito para inovação tecnológica

Linhas de financiamento são oferecidas pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, que pretende captar 70 novos projetos inovadores até o final do ano

O Governo do Estado, por meio do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), está estimulando projetos de inovação que trazem impacto para a produtividade e a economia no estado. Nos últimos cinco anos o banco financiou 150 propostas de empresas de diversos setores, totalizando cerca de R$ 137,9 milhões.

A meta para este ano, segundo a gerente de Negócios de Inovação do BDMG, Glaucia Anete Ferreira da Silva, é captar 70 novos projetos com foco em modernização e tecnologia.

Ela lembra que o banco mantém linhas de crédito específicas para propostas inovadoras, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

As linhas de financiamento estão abertas para empresas de todas as áreas e de qualquer porte, sejam micro, pequenos, médios e grandes empreendimentos. “O BDMG acredita que o investimento em inovação moderniza as empresas e traz maior competitividade para a economia mineira”, observa a gerente de Negócios de Inovação.

Tecnologia para a agricultura

Uma máquina que produz fertilizantes de alto padrão, criada dentro de uma incubadora da Universidade de Viçosa, na Zona da Mata, é um dos exemplos de projetos inovadores que receberam, este ano, aporte de R$ 790 mil, financiados pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais.

A máquina produz o fertilizante a partir de resíduo orgânico, que passa por um processo rápido de decomposição em alta temperatura. O sistema evita a liberação de gás metano na atmosfera e também a poluição do solo e dos mananciais com o chorume.

O equipamento tem capacidade para produzir 300 quilos de fertilizantes a cada 40 minutos e até 2,7 toneladas por dia. Os recursos financiados pelo BDMG vão permitir a fabricação de novos tamanhos de reatores, em um Parque Tecnológico, com uma produção que pode chegar a 3 mil quilos de adubo a cada 40 minutos. 

Segundo o pesquisador Fábio Val, autor do projeto, a nova tecnologia soluciona dois problemas atuais da agricultura e do meio ambiente: o alto valor investido pelos agricultores na importação de fertilizantes e a contaminação dos solos, lençóis freáticos e da atmosfera pelo gás metano.

O adubo gerado pela máquina será destinado, principalmente, para as lavouras de soja e milho do país, um setor que hoje consome mais de 20 milhões de toneladas de fertilizantes importados.

A implantação do empreendimento financiado pelo BDMG tem previsão de ser concluída no fim deste ano e vai atender empresas de tratamento de resíduos.

Produto inovador

Em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, uma empresa de pesquisa, desenvolvimento e fabricação de Dispositivos de Proteção contra Surtos Elétricos (DPS) criou tecnologia inédita que aumenta a vida útil das lâmpadas de LED. O dispositivo protege o LED de descargas elétricas provocadas por raios e apagões.

Para desenvolver o produto, a empresa recorreu às linhas de crédito que o BDMG disponibiliza para projetos de inovação. O investimento foi de R$ 798 mil, financiado pelo banco, para a adequação do processo de produção, compra de equipamento e de matéria prima.

“Quando financiamos projetos como esses estamos cumprindo nosso compromisso de apoiar o desenvolvimento sustentável, estimulando a inovação nas pequenas e médias empresas“, afirma o diretor de Negócios do BDMG, Carlos Fernando Vianna.

Injeção de fôlego

A implantação do projeto permitiu a fabricação, em um primeiro momento, de um lote piloto do novo produto, com cerca de 10 mil peças e a abertura de dez postos de trabalho. O diretor técnico e indústrial da fabricante, Wagner Barbosa, informou que em um ano de instalação da nova tecnologia a produção mensal da empresa aumentou para 30 mil protetores de descargas elétricas.

A fábrica já fornecia peças para concessionárias de energia, de telecomunicações, montadoras de painéis e lojas de materiais elétricos. Depois que incluiu o novo produto no portfólio, expandiu mercado e o faturamento cresceu 10%. O número de funcionários chegou a 175 e a fabricação total de dispositivos a 200 mil unidades por mês.

Para o diretor da empresa, o desenvolvimento de produtos novos é uma questão de sobrevivência no mercado. Segundo Barbosa, iniciativas do Governo, como linhas de crédito do BDMG com juros acessíveis, dão fôlego às empresas que querem investir em tecnologia.

Expansão de mercado

A substituição da iluminação tradicional pelo LED é uma forte tendência nos setores privado e público devido às vantagens ambientais e econômicas. No México e na Itália, por exemplo, o LED vem sendo utilizado na iluminação pública desde 2010. No Brasil, prefeituras deverão substituir quase 100% da iluminação pública nos próximos anos, seguindo as diretrizes de sustentabilidade e economia de energia.

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