quarta-feira, 29 de Agosto de 2012 09:01h Gazeta do Oeste

Encontrado fóssil de dinossauro no Triângulo Mineiro

Os primeiros ossos do titanossauro retirados da rocha estão no laboratório da universidade, informa Riff, que lembrou se tratar de partes de um dinossauro saurópode

Descobertas em Campina Verde, na Região do Triângulo, valorizam ainda mais o patrimônio paleontológico de Minas e surpreendem os cientistas. Em escavações no município, a 676 quilômetros de Belo Horizonte, equipe da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) encontrou fósseis com cerca de 70 milhões de anos pertencentes, conforme as primeiras avaliações, a um tipo de dinossauro que poderia ter até 15 metros de comprimento. O achado divulgado pelo coordenador da equipe, o professor e paleontólogo Douglas Riff, do Instituto de Biologia da universidade, inclui um íleo (osso da bacia) e um conjunto de vértebras. Há mais de mês, foi encontrado um osso com mais de um metro de comprimento no mesmo local. “Vamos continuar o trabalho para retirar o restante do material. Tudo indica que estamos diante de uma nova espécie de dinossauro que existiu em Minas”, disse Riff, que participa, em Recife (PE), do 8º Simpósio Brasileiro de Paleontologia de Vertebrados.

 

 

Na sexta-feira, os primeiros resultados obtidos em Campina Verde serão apresentados no simpósio pela estudante de graduação em biologia da UFU Ana Clara Santos Costa, integrante da equipe encarregada da pesquisa. Entusiasmado, Riff afirma que a descoberta é importante por três motivos. O primeiro, que o surpreendeu, é pelo aspecto técnico, já que os ossos estão num tipo de rocha não comum para esse achado – um arenito muito cimentado. O segundo está em se encontrar uma nova espécie, que, tão logo seja toda resgatada, “terá nome e sobrenome”; e, finalmente, os estudos mostram a relevância paleontológica do Triângulo Mineiro, onde há pesquisas desde a década de 1930 de repercussão internacional, com destaque para Uberaba.

 

Os primeiros ossos do titanossauro retirados da rocha estão no laboratório da universidade, informa Riff, que lembrou se tratar de partes de um dinossauro saurópode, um tipo herbívoro, de pescoço longo, quadrúpede do qual há algumas espécies conhecidas no Brasil. A diferença está nas dimensões do animal pré-histórico.

 

 

Na estrada

 


Os ossos foram encontrados às margens da rodovia federal da BR-364, ligando São Paulo (SP) a Cuiabá (MT). Durante a construção, as máquinas fizeram um corte na estrada e os fósseis apareceram, diz o professor. “Essa situação tem dois lados. Ao abrir rodovia, as empresas põem em risco os fósseis, da mesma forma que, com as obras os ossos aparecem. É importante, portanto, que tais empreendimentos sejam acompanhados por especialistas para evitar danos ao patrimônio”, afirma. No local do achado, foram removidas mais de cinco toneladas de rochas.

 

A equipe da UFU trabalha em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), unidade de Ribeirão Preto. Os envolvidos no projeto alertaram os fazendeiros e a comunidade da região, informando que eles podem contribuir indicando onde há fósseis, que, em Minas, estão geralmente perto de cortes de estradas. Em outras cidades, como Campina Verde, Prata e Gurinhatã, os ossos estão em propriedades. Mais de 300 quilos de material, entre fósseis e minerais, já foram retirados do local.

 

 

No lugar do achado, segundo os paleontólogos, há camadas sucessivas, horizontais, que podem ser observadas por meio das cores. A camada mais antiga foi anteriormente depositada com uma coloração diferenciada e mais amarelada. Douglas diz que o fator sorte também foi importante, pois o novo osso estava cravado entre as rochas a poucos metros do local onde foram encontrados restos do primeiro animal pré-histórico.

 

Réplica

 


Uberaba, no Triângulo, é famosa pelas exposições agropecuárias, mas também é conhecida como “terra dos dinossauros”. O Bairro de Peirópolis abriga um dos principais sítios arqueológicos do país e, em 2008, foi encontrado no local um fóssil resultado da maior escavação já realizada no Brasil, que durou quatro anos. Uma réplica do maior dinossauro brasileiro, que viveu há 65 milhões de ano, foi reconstituído usando como referência uma réplica do indivíduo da espécie de porte médio. Ele está exposto no Museu dos Dinossauros, na cidade.

 

 

Memória preservada

 


Uma fotografia datada de 1882 vai ajudar a preservar a memória da Fazenda da Vargem, em Nova Era, a 130 quilômetros de Belo Horizonte. Depois de ler a reportagem sobre a propriedade rural publicada pelo Estado de Minas no domingo, o morador de Aracaju (SE) Ronaldo Gomes Alvim fez uma pesquisa no acervo da família e descobriu a imagem do local feita no dia do nascimento de sua avó. Satisfeito pela recuperação da sede da Fazenda da Vargem, cujo projeto de restauro é da arquiteta e urbanista Isabela Grossi Gomes, Alvim chama a atenção para o número de escravos trabalhando no terreno. A foto foi encaminhada ao diretor municipal de Cultura e Turismo de Nova Era, Albany Júnior Dias, que destacou a importância do material para a recuperação do imóvel construído em 1840 e tombado pela prefeitura. “Não tínhamos nenhum registro fotográfico desta época”, disse Albany. Até o fim do ano, a segunda etapa da obra, que contempla a área externa da fazenda, estará concluída. 

 

 

 

 

 

 

 

 

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