terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012 09:32h Atualizado em 7 de Fevereiro de 2012 às 10:53h. Vinícius Soares

Ensino Médio terá revisão das grades curriculares

2.157 escolas estaduais sofrerão alterações ao longo do ano, sistema deverá ser totalmente efetivado em 2013

A partir de ontem, os alunos mineiros começaram a se adaptar aos novos moldes elaborados pela Secretária de Educação (SEE).
Os novos modelos de grades curriculares, foram revisados para maior aproveitamento e desenvoltura do aluno. Nem todos os estudantes se adaptaram a tentativa da secretaria, projetada em 2009, na qual os matriculados no 2º grau eram separados nas classes pelas disciplinas que tinham maior ou menor dificuldade.
A volta às aulas hoje, nas escolas estaduais de Minas Gerais, marca o fim do currículo do ensino médio desfalcado (com menos disciplinas) e aposenta um modelo de educação criticado por especialistas, professores, pais e alunos. Três anos depois da implantação do formato que dava ênfase a áreas do conhecimento nas salas de aula e eliminava a obrigatoriedade do ensino de todas as matérias no 2º e 3º anos do nível médio, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) recua, reconhecendo a ineficiência da iniciativa e adota um novo sistema de aprendizagem. Neste ano, os 747 mil alunos do ensino médio de Minas terão direito à oferta de 12 disciplinas no 1º ano e de 10 nos dois anos finais.
A mudança foi definida depois de pesquisa da SEE com as Superintendências Regionais de Ensino, (SRE), sobre os principais entraves e dificuldades para o ensino médio no estado. No levantamento, feito em agosto, 88% das 47 secretárias, apontou a ênfase curricular por área do conhecimento como o maior problema do nível médio. De acordo com o modelo, que vigorou de 2009 até o ano passado, as turmas de 2º e 3º anos foram divididas em três áreas: ciências humanas, exatas e biológicas. Em todas elas, eram obrigatórias apenas as disciplinas de língua portuguesa, matemática, filosofia, sociologia e educação física.
As demais matérias eram opcionais de acordo com a área de ênfase, sendo que a escola deveria oferecer um mínimo de nove disciplinas. Na prática, isso significava que, nas salas de ciências humanas, os alunos poderiam ficar sem aulas de física, química ou biologia. Nas turmas de ciências exatas, as unidades de ensino tinham liberdade para não ofertar química, biologia, geografia, história ou língua estrangeira. E, nas classes de ciências biológicas, os estudantes poderiam não estudar física, geografia, história ou língua estrangeira. A opção pela área do conhecimento para os estudos deveria ser feita pelo aluno, de acordo com os seus interesses pessoais, como foco no vestibular ou no mercado de trabalho. O Brasil também está de olhos voltados para a reformulação do ensino médio. Na última semana, o Ministério da Educação (MEC) publicou portaria com diretrizes curriculares para esta etapa de formação, substituindo regras que vigoravam desde 1998. O documento, aprovado pelo Conselho Nacional de Educação em maio, tem como novidades a divisão das matérias por áreas do conhecimento, nos moldes da cobrança do Exame Nacional do Ensino Médio e maior flexibilidade para cursos noturnos. As disciplinas do ensino médio serão divididas em quatro áreas: linguagens (português, língua estrangeira, arte e educação física); ciências da natureza (biologia, física e química); ciências humanas (história, geografia, filosofia e sociologia); e matemática. Conteúdos como sustentabilidade, direitos humanos e valorização dos idosos devem ser transmitidos de forma transversal.
Outra limitação, segundo a SEE, é que muitas cidades do interior de Minas com menos de 50 mil habitantes tinham apenas uma ou duas turmas de ensino médio e, nesse caso, alguma área do conhecimento poderia não ser contemplada. Para esclarecer sobre as medidas tomadas pela secretaria, Vânia Noronha, explicou o motivo das alterações e citou o lado positivo das novas grades curriculares. “A mudança veio em boa hora. Agora os jovens que tinham dificuldades em humanas terão reforço e em exatas também. Ninguém saíra lesado.” Esclareceu Vânia.

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