terça-feira, 25 de Janeiro de 2011 00:00h

Epamig estuda benefícios do azeite para a saúde

Além de seu uso mais comum, tempero para salada, o azeite é uma alternativa saudável e saborosa na preparação e conservação dos alimentos. Há pesquisas que estudam desde suas propriedades medicinais, como no combate ao câncer de mama, até as melhores maneiras de armazená-lo.

O pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) Elifas Nunes, desenvolve projeto de pesquisa sobre plantas medicinais, aromáticas e condimentares. Ele aponta resultados que comprovam os benefícios do azeite para o organismo. Os estudos indicam que o óleo atua no bom funcionamento do sistema digestivo, no controle da pressão arterial e no auxílio na absorção de cálcio, podendo ser usado no combate à osteoporose.

"O azeite contém antioxidantes que retardam o envelhecimento. Elimina os radicais livres que promovem uma série de doenças e inibe a formação de trombos nos vasos sanguíneos pela oxidação do colesterol ruim LDL e VLDL, que quando oxidados ficam aderidos às paredes dos vasos sanguíneos, formando os bloqueios para a passagem do sangue”.

Duas colheres diárias de azeite extravirgem seria a dosagem ideal para alcançar todos os efeitos positivos, além de prevenir o aumento de gordura. “O consumo diário de duas colheres é recomendado pela literatura para evitar o efeito de acumulação de gorduras no abdômen”, aponta.

De acordo com a legislação brasileira (Resolução Anvisa/RDC nº482/99), o azeite de oliva é definido como sendo o óleo comestível obtido diretamente do fruto da Olea Europaea (oliveira) através de processos tecnológicos adequados. A resolução diz que a acidez do azeite extravirgem deve ser de até 1,0 g / 100 g. Segundo o pesquisador da Epamig, Adelson de Oliveira, o consumidor deve verificar no rótulo do produto o percentual de acidez e condições nutricionais, como quantidade de gorduras monoinsaturadas, que fazem bem à saúde, antes de comprar. “Quanto mais baixa a acidez, melhor a qualidade do azeite”, afirma.

O Brasil consome menor quantidade de azeite se comparado a países europeus, como Espanha e Itália, que têm o consumo per capita de 12 kg de azeite por ano, e Grécia, de 26 kg. Aqui, cada brasileiro consome, em média, 200 ml ao ano. E todos de fabricação no exterior.

Olivicultura em Minas Gerais
Em Maria da Fé, a Epamig implantou o Núcleo Tecnológico Azeitona e Azeite, onde são desenvolvidas pesquisas há mais de três décadas sobre o comportamento de uma coleção de clones de oliveira, com resultados promissores. Alguns deles têm se destacado com florescimento e produções regulares de frutos, indicando a necessidade de realização de estudos sobre o comportamento de diferentes variedades da espécie.

Além do estudo da oliveira no Sul de Minas, experimentos também estão sendo realizados na Zona da Mata, em Barbacena, e no Vale do Jequitinhonha, em Leme do Prado. Recentemente, também foi iniciado o cultivo de oliveiras no Alto Paranaíba, em Araxá. As pesquisas têm como objetivo avaliar o desempenho vegetativo e o comportamento frente às principais pragas e doenças que atacam as variedades de oliveira nas condições edafoclimáticas de cada região.

De acordo com o presidente da Epamig, Baldonedo Arthur Napoleão, a maior preocupação ao assumir a direção da empresa, em 2003, foi revitalizar e estruturar a Fazenda Experimental de Maria da Fé, de forma que ela pudesse exercer seu papel de indução e apoio ao desenvolvimento da cultura da oliveira em Minas Gerais. “O Brasil é um dos maiores consumidores de azeitona do mundo e importamos tudo o que consumimos. Temos consciência de que estamos abrindo uma nova e promissora oportunidade de negócio para os produtores rurais mineiros. Mais uma vez, a Epamig está fazendo história”, ressalta.

Em 2009, foi criada a Associação dos Olivicultores dos Contrafortes da Mantiqueira, que utiliza tecnologia desenvolvida pela Epamig para o cultivo de oliveiras e produção de azeite. São os pioneiros no país. Há planos para que o produto produzido na Fazenda Experimental de Maria da Fé esteja no mercado já no mês de abril, mas nas prateleiras dos supermercados só em 2012. Será o primeiro azeite extravirgem nacional a ser comercializado.

O azeite produzido pela Epamig foi testado na Europa e bem avaliado por consumidores na Espanha e na Itália, onde foram feitas análises em laboratórios especializados. Os números da produção nacional ainda são modestos. A produção estimada para 2015 é de 800 toneladas de azeite, o que equivale a 1,6% da importação brasileira em 2010 (50 mil toneladas de azeite).

Preparo de alimentos
A melhor forma de administrar o azeite é na forma natural, ou seja, sem aquecimento prévio, preservando todas as características originais e nutricionais do produto. É ideal para temperar saladas e vegetais, pois facilita a absorção da vitamina A contida nos legumes e verduras.
 

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.