quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2015 12:43h

Escolas estaduais dão bons exemplos de economia de água

Iniciativas de coleta de água da chuva são desenvolvidas em escolas de Ouro Branco, Belo Horizonte e Piraúba

Os mais de dois milhões de estudantes da rede estadual mineira voltaram às aulas esta semana com uma missão: economizar água. O tema, que já era discutido nas 3.654 escolas estaduais, ganhou força neste início de ano e virou um incentivo para que as instituições de ensino intensifiquem suas ações de combate ao desperdício. Muitas escolas desenvolvem trabalhos sobre economia de água ao longo do ano, como parte das atividades pedagógicas, mas em algumas instituições a preocupação em aproveitar bem a água é constante.

É o caso da Escola Estadual Cônego Luís Vieira da Silva, em Ouro Branco, na região central do Estado. A escola conta com um sistema de calhas e cisternas, que são utilizados para armazenar as águas das chuvas. A água captada por duas caixas d’água é utilizada para irrigar a horta da escola. “Temos uma caixa d’água de 15 mil litros e uma de cinco mil litros. Com as recentes chuvas, as duas estão cheias e estamos utilizando a água captada na irrigação da horta da escola. Utilizamos em média mil litros de água por dia na irrigação. Com as caixas conseguimos fazer uma boa economia”, conta o diretor da escola, José Luiz Campos Valli.

Carlos Henrique Souza Amorim Pereira é estudante do 3º ano do Ensino Médio e estuda na escola há três anos. Ele ressalta que leva a experiência de economizar água para dentro de casa. “Sempre discutimos sobre economia de água nas aulas. Ontem mesmo a professora de Química levou a turma à horta para mostrar o sistema de coleta. Além disso, o exemplo aqui é diário. Para lavar o chão, eles utilizam baldes e não a mangueira. É um hábito que levamos para a nossa casa”, conclui.

Para conseguir desenvolver o projeto de captação de água na escola, os professores conseguiram a parceria da Gerdau Açominas, empresa fornecedora de aço que atua na região. Em novembro de 2011, o projeto foi um dos vencedores do 1º Prêmio Germinar de Educação Ambiental, promovido pela Gerdau e rendeu à escola uma verba de R$ 8 mil para implantação das calhas. Atualmente, na horta da escola são cultivados pés de alface, couve, cebolinha e salsinha. Todos os produtos são consumidos na merenda escolar, que oferece mais de 1.000 refeições diárias aos alunos dos anos finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º anos), Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos.

Outros bons exemplos

Outra escola que utiliza a captação da água da chuva para fazer a economia desse recurso é a Escola Estadual Professora Francisca Pereira Rodrigues, na cidade de Piraúba, na Zona da Mata mineira. Desde o início de 2014, a escola recolhe a água da chuva e a utiliza para lavar o pátio e aguar o gramado. “A nossa região está enfrentando uma escassez de água muito grande, mas quando chove e conseguimos captar a água dá pra perceber que fazemos uma boa economia”, destaca o diretor, Marzolini dos Santos Borges.

A escola também conta com um projeto que incentiva os alunos a levarem garrafinhas de água. “Temos um projeto de economia de água desde 2013. Depois de uma pesquisa feita na escola, nós percebemos que a maior fonte de desperdício de água era o bebedouro. Então, incentivamos os alunos a trazerem garrafinhas”, conclui o diretor.

Na Escola Estadual Mário Casassanta, em Belo Horizonte, a instalação de temporizadores nas torneiras e o início de um projeto de captação da água da chuva marcaram a volta às aulas. “O projeto será desenvolvido pelo professor de Educação Física e já vai começar a ser realizado nesta semana. O primeiro passo é fazer uma maquete com os alunos e depois um sistema com canos para coletar a água e armazenar em um reservatório. Essa água será usada para regar o jardim e a horta que temos na escola”, ressalta a diretora da escola, Joyce Júlia Gonçalves.

No primeiro dia de aula, na terça-feira, os alunos já tiveram uma palestra sobre a importância da economia de água. “Estamos trabalhando com eles o verbo ‘racionar’. Como são alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental temos que ensinar de uma forma mais lúdica. Por isso, racionamos o uso do papel e até o tempo de brincar. Esse ano, por exemplo, não vamos ter o banho de mangueira que fazemos para comemorar o Carnaval. Também falamos para os alunos trazerem garrafinhas de casa para colocar água”, afirma Joyce.

Sistema de controle

Com relação ao consumo de água no conjunto das escolas estaduais, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) conta com um sistema de controle, o Sisconsumo, composto por dois módulos: Siságua e Sisluz. Por meio desse sistema, cada escola pode monitorar seu próprio consumo mensal de água e energia. Também é por esse sistema que a SEE faz o acompanhamento do consumo de todas as escolas e, quando é detectado um aumento anormal, é emitido um alerta para a unidade, com uma solicitação de justificativa para o aumento.

Além das atividades de conscientização e do rigoroso controle de consumo já existentes, a rede estadual de ensino estuda novas medidas de redução do uso da água em consonância com as novas políticas definidas pelo Governo de Minas — para que seja atingida a meta de redução de pelo menos 30% no consumo.

© 2009-2017. Todos direitos reservados a Gazeta do Oeste. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.