segunda-feira, 4 de Julho de 2016 16:44h Agência Minas

Estado investe R$ 5 milhões na recuperação da Fazenda Boa Esperança

Protegida por tombamento, local é considerado um dos mais representativos exemplares da arquitetura rural mineira

Governo de Minas Gerais, por meio do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), está requalificando a Fazenda Boa Esperança, situada no município de Belo Vale e que faz parte do patrimônio estadual. O custo total dos investimentos é da ordem de R$ 5 milhões.

Na última quinta-feira (30/6), foi publicado edital de licitação para a recuperação integral da Fazenda Boa Esperança, com custo estimado de R$ 2.339.909,55. Serão executadas obras de restauração arquitetônica e de instalações complementares da sede da Fazenda com o objetivo de garantir a preservação e integridade física do bem cultural, de inquestionável valor histórico, artístico, arquitetônico e paisagístico, além de criar infraestrutura para ampliar as possibilidades de uso.

 

 

 

A restauração terá como premissa básica a consideração aos valores estéticos e históricos da edificação, assegurando adequação e compatibilidade aos seus elementos construtivos originais, de acordo com os critérios de intervenção em bens culturais.

Desde a nova gestão do Governo do Estado, o Iepha-MG está investindo na requalificação da Fazenda Boa Esperança. Uma primeira ação foi realizada em 2015 com a restauração da capela e obras emergências da edificação. Foram gastos nas duas intervenções R$1,6 milhões.

 

 

Outra importante iniciativa já em andamento é o Refazenda - projeto de revitalização da Fazenda Boa Esperança -, ação conjunta do Iepha-MG com o Instituto Inhotim, que contempla ações integradas para a ocupação do local, por meio de plano de gestão, residência artística, educação patrimonial e relacionamento com as comunidades tradicionais de Belo Vale, potencializando seus desdobramentos em geração de renda para a região.

 

 

 

A expectativa é de que, após esses investimentos e conclusão das obras, a Fazenda Boa Esperança esteja com infraestrutura adequada para receber visitantes do estado e do país, sendo referência de turismo em Minas Gerais. Além disso, o espaço também contará, pela primeira vez, com programa educativo para receber escolas da região.

 

 

 

Patrimônio cultural

A edificação da casa sede da Fazenda Boa Esperança possui proteção por tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 1959, e pelo Iepha-MG, em 1975.

Situada em ponto estratégico da antiga província, a Fazenda Boa Esperança é um dos mais conhecidos exemplares da arquitetura rural mineira. No seu auge também era bastante conhecida, não só por sua riqueza econômica, mas também pela hospitalidade, servindo de pousada para Dom Pedro I quando em viagem pelo interior das Minas ou como doadora da madeira para a construção das igrejas de São Francisco de Assis em Ouro Preto e de Bom Jesus em Congonhas. A propriedade teve grande importância econômica na região, chegando a abrigar mais de 800 escravos.

 

 

A casa da fazenda foi construída em estrutura autônoma de madeira sobre fundações de pedra, com vedações em pau-a-pique e forros em esteiras de taquara. Sua varanda abriga uma capela, cujo padroeiro é o Senhor dos Passos, com retábulo que preserva trabalhos ornamentais apurados em talha e pinturas com características do estilo rococó. Teto e paredes da capela são revestidos por painéis cuja pintura é atribuída a João Nepomuceno, discípulo de mestre Ataíde, e que representam cenas do Evangelho, como a Anunciação de Nossa Senhora, a Adoração dos Pastores, o Sacrifício de Isaac e a Santa Ceia.

 

 

 

Histórico das obras

A Fazenda foi restaurada do período de 1976 a 1979, porém sem uma definição de ocupação e uso. Houve após essa época a instalação elétrica, captando energia do arraial de Boa Morte.

Na década de 1980 foi feita parceria entre Governo e a Escola de veterinária da UFMG com o objetivo de implantar e desenvolver um centro de pesquisas de projetos do universo agrário mineiro, bem como promover a preservação do monumento. O projeto foi cancelado depois de um ano por estar degradando o entorno da sede, com instalação inadequada de pocilga junto ao córrego, apreensão ilegal de aves silvestres, entre outros.

 

 

Ainda na mesma década tentou-se dar novo uso à propriedade, com arrendamento de pequenas áreas, mas que novamente deteriorava o terreno, deixando espaços de possíveis vestígios arqueológicos destruídos.

Em 1997 firmou-se um convênio entre Iepha-MG e Instituto Metodista Izabela Hendrix, para realização do Curso de Arqueologia Histórica, objetivando realizar prospecções arqueológicas, no entorno da sede. Durante o período de 1995 a 1997, aconteceram três cursos.

 

 

 

Em 1998 foi feita intervenção na Fazenda, com recomposição dos muros de pedra, recuperação dos beirais da cobertura da capela, imunização preventiva, com realização de barreira química do entorno da sede, reconstituição da cobertura da sede, substituição do forro em esteira e sua pintura, substituição de parte do piso em madeira e instalação de piso de concreto em parte de cômodos que eram em terra batida.

Desde então, vêm sendo realizadas ações pontuais de recuperação de partes deterioradas, sem intervenções mais abrangentes, sem uso específico do espaço.

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