segunda-feira, 19 de Maio de 2014 04:53h Atualizado em 19 de Maio de 2014 às 05:01h.

Estratégia de vacinação defende os mineiros contra o vírus causador da gripe

Falta de informação ainda é um fator decisivo na adesão à campanha. A Influenza pode levar a complicações de saúde e a vacina é a principal intervenção preventiva disponível.

A dona de casa Ludmila Malaquias Cury, 32, com oito meses de gestação, não pensou duas vezes quando viu o anúncio de que a campanha de vacinação contra a gripe tinha começado. Ela foi até uma unidade básica de saúde, tomou a vacina e, com isso, garantiu proteção para ela e o filho, Rafael, que deve nascer em junho. "Tomo a vacina há quatro anos e, desde então, não fiquei mais gripada", conta Ludmila. "Hoje, grávida, vejo o quanto é importante tomar a vacina, devido aos agravantes que a gripe pode causar, principalmente em um período em que a mulher está com seu sistema imunológico naturalmente mais baixo", completa.

Ludmila é parte do grupo prioritário, determinado por meio do Programa Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde, para receber a vacina em 2014, por conta do risco de ter complicações com a doença. Neste ano, além das gestantes, o foco da campanha está nos indivíduos com 60 anos ou mais, trabalhadores da área de Saúde, povos indígenas, puérperas (mulheres com até 45 dias após o parto), crianças com idade de seis meses a cinco anos, detentos e funcionários do sistema prisional e, ainda, pessoas que têm doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais.

A meta, para 2014, é que se atinja no mínimo 80% desta população, o que representa um total de 3.281.442 pessoas em Minas Gerais, segundo dados atualizados em 14 de maio de 2014, no Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações/DATASUS. Para buscar o objetivo traçado, as equipes de Saúde decidiram pela prorrogação do prazo de vacinação, até que a meta seja atingida. Isto porque, até o momento, no universo de pessoas que já foram imunizadas, como Ludmila, constam, em Minas Gerais, 2.445.557 pessoas ou 59,62% do grupo prioritário.

Gripe é coisa séria

A influenza, explica a coordenadora de Imunização da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Tânia Caldeira Brant, "é uma doença respiratória infecciosa, de origem viral, e é um problema de saúde pública”. Por essa razão, não deve ser menosprezada. "Esta patologia pode levar a complicações graves e ao óbito, especialmente nos grupos de alto risco para as complicações de infecção viral", observa Tânia. "A cada ano, esta gripe pode se apresentar de forma diferente, assim como a infecção pode afetar diferentemente as pessoas. A principal intervenção preventiva para este agravo é a vacinação", complementa.

A falta de informação da população, nesse contexto, continua a ser um fator bastante determinante para a não vacinação. Ideias equivocadas, como a de que, após ser imunizada, uma pessoa pode ter fortes gripes ou resfriados, circulam bastante pela população. "Isso é um mito", reforça Tânia. "A vacina contra a Influenza contém vírus mortos ou apenas pedaços dele que não conseguem causar gripe. Na época em que a vacina é aplicada, circulam diversos vírus respiratórios diferentes, que podem não ser o da gripe em questão, e as pessoas podem acabar infectadas por não estarem ainda imunizadas", afirma. "Não existe, portanto, o risco de se adquirir gripe por meio da vacina", conclui.

Vacina em ação

De acordo com a diretora de Vigilância Epidemiológica da SES, Márcia Regina Cortez, "a vacina age estimulando o organismo a desenvolver sua própria proteção contra o vírus Influenza, causador da gripe", esclarece. A proteção geralmente é obtida em duas a três semanas após a vacinação e defende contra os vírus A/H1N1, A/H3N2 e B.

"As vacinas são constituídas por vírus fracionados ou por subunidades, causando menor reação", observa. De qualquer maneira, podem ocorrer dores locais, de pequena intensidade, com duração de até dois dias. "Febre, mal estar e mialgias (dores musculares) são mais frequentes em pessoas que não tiveram exposição anterior aos antígenos da vacina", complementa.

Realizada, desde 1999, entre os meses de abril e maio, a campanha "vem contribuindo, ao longo dos anos, para a prevenção da gripe nos grupos vacinados, além de apresentar impacto na redução das internações hospitalares, gastos com medicamentos para tratamento de infecções secundárias e mortes evitáveis", sinaliza a coordenadora de Imunização, Tânia Caldeira Brant.

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